sábado, 18 de novembro de 2017

De Salta até a capital mundial da poeira



 Agora temos um novo sistema de 
índice para facilitar pesquisas:


Logo à direita voce encontra
um link para o índice por assunto.
                    Experimente!!!


Para o vídeo desta etapa clique aqui: de Salta até los Cobres



Feitas as vadiagens de ontem de depois de ter que resolver problemas inesperados, acordei muito cedo, montei tudo na moto e fiquei enrolando no café da manha...  tenho q esperar as 09:00 para sair...  Tenho que falar com meu mecanico aqui... o Pablo.

Desta vez não fiz uma limpa no lindo buffet do café da manha.  A malinha preta esta cheia de agua, barrinhas e gulodices...  a comida de hoje.  






















Acima: No queridíssimo hotel Samka, em Salta

A primeira tarefa de hoje foi chegar em San Antonio de los Cobres, simplesmente repeteco do caminho feito no começo deste ano (vide o post de 4 de março 2017 - Clique aqui para ler o post). Só que nesta manhã eu saí bem mais cedo. O ceu estava fechado e meio frio, 22C, mas eu sabia que lá pelas tantas as nuvens desapareceriam.


Acima: Transito pesado saindo para o sul... repare nas nuvens...




















Mais uma vez a manjada saída para o sul  (20°C; céu com nuvens baixas e 09:00), logo encontro a RN51 para o oeste, surgem as placas indicando Los Cobres mais uma vez paro na organizadíssima  Campo Quijano, (alt.: 1.530m) para compra de três  garrafas de água, frutas e um pouco de um remédio que os deuses Incas nos deixaram.
Acima: Fazendo amigos en Campo Quinjano, 

Abaixo:  ultima parada, o mercadinnho suspeito que tinha o remedio inca!!







































Tudo bem que é a mesma estrada de março, mas lembre-se: 
você nunca entra duas vezes no mesmo rio!

Acima e abaixo: Viaduto da ferrovia Tren de las Nubes, Antigo tramo do Ferrocarril Belgrano. Vamos re encontrálo a 4200m de altitude, amanha!

















A estrada segue o vale do Rio Toro e a ferrovia usada pelo tren de las Nubes, O dia estava mais claro e trouxe toda a graça que faltou em março (subi aquilo embaixo de chuva...). Logo cheguei aos trechos em ripio, e vi que a reforma da estrada  continua em ritmo uruguayo. 

A exatamente conforme o previsto, a 2.000m de altitude o céu se limpou!  Linda manha e a temperatura caiu um pouco, 19°C





















Acima: O vale do Rio Toro e o céu se limpando!!  eu sabia!!!

Fui subindo  aproveitando a linda manha e tirei todas as fotos que o lugar merece. Passei por Francisco de Alfarcito eram 10:00 (18 °C e alt.: 2.830m).

Mais uma vez parei na barreira policial para água e uma proza com o policial. Como sempre o policial foi atencioso e me informou sobre as novidades até Los Cobres e outras rutas que pretendo usar hoje. Também contou sobre a  RN40 e me confirmou que o trecho de asfalto perto da vila já esta liberado.

Acima: O manjado e ultra informativo posto policial!  sempre uma boa proza!

Abaixo:  uma entre várias vilas antes de subir mais.



































Acima: a penúltima serra antes do altiplano, repare na estrada e nas nuvens, Salta está sob elas!

Acima: Alguém está se casando!!!!

Abaixo: as vilas mais antigas são assim: repare nas janelas extra pequenas para guardar o calor!!






























































Acima: Ruínas de uma antiga fazenda, alt aprox 3.600m. repare na vegetação e nos cardones (o cacto...)

Em Las Cuevas começa a ultima serra deste caminho, começa a 3.400m e termina a 4.200m. Naquele lugar, chamado Abra Blanca, acontece a entrada do altiplano, a casa do deus sol.

Abaixo, parada em Abra Blanca, a entrada para o monumental vale onde ficam San Antonio e o Salinas Grandes. este vale se extende para o norte até a Bolivia.




Acima: Muchas gracias señora Correa!!! 


Parei para agradecer À Difunta Correa, aproveitei para mais casacos, água e para olhar para o céu. Olho para o leste e  vejo Ínti sorrindo para mim... Será que ele esta aprontando alguma de suas piadas hoje???

Apesar do céu impecavelmente azul, a temperatura despenca para 12°C

 O amplo vale marcado pelo colossal bloco do Nevado de Acay (alt.: 5.570m, à minha esquerda) desta vez está contrasta com um céu de profundo azul. Imediatamente  deixei uma água para Difunta Correa (veja post dia 30 dezembro 2010 sobre a Santa, Clique aqui ).  

























Segui com muita calma a RP51, que é de longe a subida mais fácil para o altiplano, que leva a um deserto único e a uma vila horrível.

Fui com calma para encontrar o trevo com a RN40, que vem do sul, de Cachi e La Poma (vide post 2 março 2017). Parei por um breve momento, tirei umas fotos e segui os 14 km restantes até a capital mundial da poeira.

Já estivemos aqui (clique aqui para post de março 2017), a cidade continua a mesma. Para a tristeza das operadoras de turismo, esta cidade não foi fundada pelos Incas, e sim pelos mineiros de cobre que usavam mulas (daí o nome), por volta de 1902 foi decalrada capital do "Territorio Nacional del Andes", mas em 1943 este território foi extinto e suas areas incorporadas à Catamarca, Jujy e Salt.  A ferrovia chegou pelos anos 1940 como um tramos que ligaria Antofagasta à Salta usando o caminho do Paso Socompa



Era pouco antes das 13:00 e agradáveis 18C. Me apresentei à dueña do ultra-simples hotel, fui recebido com certa frieza, mas o marido dela foi extra atencioso. O lugar é minimo e limpo ao limite da obsessão!!  A cama tem um convidativo edredon fofíssmo. Super confortável!!

Durante os ultimos 40 minutos de viagem, as tres baterias das maquinas se esgotaram, portanto antes da atividades da tarde elas deveria estar recarregadas... Me deitei na cama por uma hora e tanto, avisei que estava vivo. Desmontei a mala, recoloquei só o essencial para a etapa daquela tarde. Cameras, baterias, ferramentas, água, o tal chá e umas frutas. 


 Coloquei água quente na querida garrafinha térmica para fazer um determinado remédio divino. Eram 14:00   18,5°C   quando subi na Rocinante para o grande feito do dia.  Volto a escrever hoje à noite. 


Abaixo: na ultra simpatica e excelente pousada Samak Sumay. repare na cidade... é isso mesmo... só vento e poeira!


















































Depois das estrepulias da tarde, andei um pouco pela capital mundial da poeira e fui procurar um lugar para jantar. 


Acima: a agitadíssima rua dos restaurantes!

Abaixo: Lo mejor comedor de la ciudad!



Não ventava e temperatuda começava a cair (11°C). Fui até o hotel de las Nubes, o hotel bom por aqui (não fiquei ali por que achei os preços ridiculos de abusivos e a turma da reserva é além de acomodada). Na verdade fui mais para usar um pouco da net e jantar... mas fui mal tratado e saí de la.... 

Procurei lo mejor comedor de la ciudad e fui parar em um lugar ultra agradavel, ultra simples onde a dona vazia de garçonete cozinheira e mãe...   foi gostoso e fiquei numa longa conversa com um casal de alemães que também adora o altiplano.



Gastei muuito tempo tentando publicar os dois posts e subir as fotos,,,   normal nesta região...

Fui dormir cedo... exausto e totalmente realizado!



































Acima: obre a região: Passamamos pelo trevo em Payogasta no caminho para Cachi; Purmamarca é a saída mais fácil para quem vai à San Pedro de Atacama; La quiaca é a fronteira com a Bolivia; Pastos Chicos e´a vila abandonada onde encontrei aquela jumentinha - veja os posts de março de 2017


Abaixo: A capital mundial da poeira. Eta lugar feio. O caminho que sai pelo norte é a Cuarenta por onde passamos em Março de 2017. O caminho que sai pelo canto inferior esquerdo da foto vai para os  Pasos de Sico, Guaytinquina e Socompa ( Clique aqui para post sobre pasos ). A estrada que serpenteia pelo oeste e passa por baixo do vulcão Tuzgle é assunto para amanhã!!!














































"The desert is a natural extension of the inner silence of the soul" - Arab Proverb



Primeira etapa de hoje:  165.9
Tempo andando: 03:31
Tempo total: 03:45

Distância acumulada: 2.806,80 km










sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Vadiando em salta


 Agora temos um novo sistema de 
índice para facilitar pesquisas:


Logo à direita voce encontra
um link para o índice por assunto.
                    Experimente!!!





Hoje é dia de descanso e de preparar as coisas para os proximos dias... e para aproveitar esta linda cidade!

Roupas vão parar na lavanderia, malas re-arrumadas, cuidados na moto e muita caminhada.

Ontem eu, finalmente, experimentei um restaurante especial, dedicado à gastronomia tradicional salteña...  O lugar é lindo e não é caro, mas confesso que não gostei nada da comida!!! Tomei somente uma cerveja e fui comer em um lugar conhecido

O hotel fica ha umas  5 quadras da praça principal. Uma ótima e necessária caminhada. 

Fundamental a passagem pelo Museo de Arqueologia de  Alta Montaña, o ítem principal da exposição é trocado  a cada tres meses. Visite o site deste museu, eu absolutamente adoro este lugar !!!  Clique para MAAM - Museo Arq. Alta Montaña, embora o site diga muito pouco sobre a atração principal: tres múmias de crianças Incas!



Acima: As Mumias são mantidas a - 20 C, são tres,  duas meninas e um menino. Foram encontradas no topo do Vulcão Llullaillaco em 1999(alt. 6.739m, a sétima montanha mais alta dos Andes, hoje divide Chile de Argentina).

Ha oitocentos anos estes tres niños e seus sacerdotes caminharam por seis meses. Então foram enterradas como oferenda religiosa, junto de todos seus pertences e objetos religiosos. - Fotos MAAM


Abaixo: se tem a sensação de que elas vão acordar a qualquer momento! - Fotos MAAM
























Acima: Inacreditáveis as cores nos artefatos Incas!!!  - Fotos MAAM



Segundo previsão do tempo,  o dia deveria estar nublado, ameaçando alguma chuva em algum momento.  Mas o céu esta limpo e o sol arde!!!  Ideal para aprontar as coisas, pesquisar mais sobre os caminhos e gentilmente convencer a turma do hotel a ficar com minhas malas...

Acabei de deixar as malas laterais e a fantasia impermeável na concierge do hotel. O plano é voltar para cá daqui a quatro dias... ...Mas passar quatro dias dias onde? 

Bem, no noroeste Argentino, no canto formado pelas fronteiras com o Chile e a Bolívia, existe um pedaço ignorado do deserto altiplanico (que insistem em chamar de Atacama...). Uma região quase toda a 4.000m de altitude e que só tem um predicado: As poucas e valentes vilas que insistem em existir por ali.

Há poucas pessoas, os rios duram horas, há quase nada do que um turista normal se interessaria por ver. Só salares, alguns lagos tóxicos, montanhas de pedra nua e muita poeira, vento e frio. Ou seja, serão quatro dias perambulando pelo lugar mais inóspito e abandonado da Argentina. 

Sim, existe uma região mais agressiva, fria, alta e seca nos Andes, é a parte da cordilheira entre latitude da cidade de Mendoza e a latitude da cidade de San Rafael, (vide de 26 dezembro de 2010), naquela região eu só consigo passar pela RN7. Além da rodovia não há estradas ou trilhas que podem ser desbravadas por algo diferente de um cavalo.  Já que eu estou em Salta e proposta é ir a lugar nenhum, a região noroeste da Argentina é a essência do nada. Perfeita!!!


No final da tarde eu levo a moça até um posto de gasolina para uma boa revisão...  óleo, pneus, gasolina para amanha.

Devia ser uma 19:00 quando parei para alguma gasolina e completar o óleo do motor. A tampa do óleo nesta moto é complicada e precisa de uma ferramenta específica para abrir. Tirei a tampa, completei com coisa de meio litro de óleo (que trouxe do Brasil) e aguardei na fila do posto. Para resumir uma longa história eu perdi tanto a tampa como a ferramenta do oleo do motoer!!!

 O sol já estava se pondo quando passei na oficina de motos do Pablo,que fica no quarteirão, atraz do hotel. Mostrei o problema para ele, ele ligou para vários amigos e até se esforçou. Arrumamos um torneiro para fazer a peça, o torneiro não tinha nenhuma boa vontade .

O caso era serio e eu não tinha  nenhuma opção tecnicamente viável.  Deixei a moto no hotel e decidi arrumar uma rolha (isto mesmo, de garrafa de vinho). Señor Antonio, que como vimos produz vinhos, me deu uma coleção de rolhas das mais variadas.  Fui até a loja de artezanato da peituda Maria Leonor, lá haviam vários frascos de essências,  sais de banho e outras coisas estranhas, todos tampados com rolhas, mas nenhuma tão larga. Ela fic ou de me levar a um fabricante de rolhas na manha seguinte. Ou seja a solução “rolha da riponga “ estava encaminhada.


Passei por  uma loja que conserta aparelhos eletrônicos, quase na frente do hotel. Vi pelo balcão uns botões para rádios. Sim, tipo aquele botão de volume ou sintonia no rádio das nossas avós. Tive uma ideia!  Comprei alguns daqueles botões nas medidas mais variadas e fui até a moto. Envolvi o maior deles em silver tape e a coisa serviu muito bem, com a fita se encaixando com a rosca do bocal.

Fiz uma fixação extra com fita hellerman e cobri tudo com silver tape, com cuidado para isolar o bocal da poeira. Eram por volta das 22:00 quando entrei no chuveiro, exausto mas aliviado com a solução deste problema. Só para constar, esta gambiarra funcionou muito bem e durou até abril de 2018!!!







 Acima: La linda Salta e seus arredores, Os pontos amarelo são por onde passamos em março. Para se entender o que eu vim fazer por aqui, é fundamental entender o mapa da região.




Andança pela cidade:  18,9
Tempo andando: 00:51

Distância acumulada: 2.635 km