terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Enfim, o pacífico!!!

Cheguei ao oceano Pacífico hoje...


A história do que aconteceu hoje... longa história nas nuvens, eu conto amanha...


...foram só 411km, mas teve de tudo de bom e eu estou acabado, com fome e frio.


Amanha mais novidades!!!




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mendoza, Uspallata - Um passeio pelas redondezas.



Cliquem nos vídeos abaixo!! Tem filme das estrepulias de hoje!!!

Depois de um dia de ressaca de estrada, que eu mal podia olhar para a moto, e uma tarde com uma revigorante chuva, o dia amanhece muito ensolarado e as oito  a temperatura já esta nos 30 de novo.

Como moto não combina com vinho, o tradicional programa de visitar vinícolas está fora de questão. Fazendo a famosa pergunta: “o que tem de interessante por aqui?” tive a certeza de que "da hora"  seria ir visitar o Hotel de Villavivencio, uma espécie de Hotel Toriba encrustado na serra de Paramillos. Fechado ha anos por conta de disputas judiciais.

A Cordilheira de Paramillos faz parte dos Andes, é uma das várias serras menores que correm paralelas à cordilheira principal e entre estes existe um vale desértico, alto, e com alguns oásis. No século XIX este serra forneceu ferro, cobre e prata. Portanto existiram várias vilas e muitos caminhos.  Este vale traz algumas curiosidades, é o inicio do que mais ao norte se chama de Atacama e foi em uma fazenda aqui que o filme “ Sete anos no Tibet” foi filmado.

Seria meu primeiro contato mais íntimo com a cordilheira, meus primeiros quilometros de rípio e minhas surpresas com o clima.



Serra de Paramillos ao fundo



A camera finalmente funciona!!!  divirtam-se com o filme de hoje!


Fim do asfalto...


O caminho parecia fácil e todos me disseram que não trazia dificuldade nenhuma. Saída é pelo norte da cidade, em uma pista de concreto que vai subindo lentamente da cidade ( a 750m) até o pe da serra a 1100m. A paisagem é linda e o azul do céu impressiona.
Parei por um instante para acertar algo que me incomodava em um dos bolsos, deliguei o motor e desci da moto. Eis que fui tomado pela a primeira revelação: a amplitude, o silencio e  Intí brilhando em um céu absurdamente azul.


 O Hotel de Villavivencio... bem sem graça, legal mesmo é o cenário e a estrada!!




VAAAALEU NELSON!!!!

 Companheiros de descobrimento!! Gente muiiiito legal!!! legal saber que eles vinham depois de mim...  

.

A medida que subo em direção ao hotel, a estada se estreita e o pavimento desaparece exatamente na portaria do hotel, a 2.200m de altitude. O engraçado foi saber que o lugar está fechado, pude entrar a pé sem tirar fotos, só para constatar que o lugar é beeem mixo. Esqueçamos o hotel e vamos aproveitar o resto do dia e a maravilhosa serra.

A estrada vai subindo, íngreme e estreita. Para andar no Rípio, o truque é baixar  a pressão dos pneus, soltar a suspensão e a moto fica muito mais estável e segura, mesmo assim a velocidade média é de 23km\h. Neste trecho eu aprendi o quanto que eu não sei andar em rípio... estava totalmente tenso e tomei alguns sustos! A estrada estreita ainda mais  antes de chegar ao planalto no cume a 2.950m, o ponto mais alto da estrada, e o máximo que eu já subira até agora de moto. Havia umas placas indicando uns mirantes. Por segurança eu não quis seguir o caminho aos mirantes. Lá em cima, confortáveis 22 graus e um vento constante.



Lembram das estradas do Bip-Bip???




No topo da estrada...Chegando neste lugar eu passei em uma vala de areia fofa e quase caí! Mal recuperado do susto, quase sou abarroado por tres Guanacos...  até tirar e ligar a camera eles estavam longe, são grandes e velozes.  

Após vencer o cume do morro, eu tenho a primeira visão da cordilheira principal: foi chocante. 

As fotos não descrevem a sensação!!!

O tamanho, a extensão, a imponência, os picos de neve...  achei extremamente curioso o céu cheio de cumulus e algumas trombas de água. 

Abaixo: Minha primeira impressão do corpo central da  cordilheira dos Andes e a tempestade que se forma.


 Mina abandonada de El Governador, minério de ferro.


 Vai chover...
                           .... mas chove em deserto?????

Dá para ouvir cada P trovoada...



Algumas surpresas legais: Guanacos passando na minha frente e a  visão da cordilheira e do vale, sem contar as estradas mais largas e seguras. Na descida, 18km antes de Uspallata o asfalto recomeça e  é hora de re encher os pneus.



Hora de descanso e de re-calibrar os pneus, repare no compressor no pneu dianteiro.


Cada coisa aqui, cada lugar tem sua própria beleza.

 Tempestade se forma no vale.





A previsão para hoje era de chuva em Mendoza, mas o que eu via era bem maior que isto. Uma grande tempestade sobre os picos mais altos e nuvens carregadas e pretas cobrindo o vale. Como não se tem ruído algum, os trovoes ecoam de longe e você ouve a todos eles, em todos os cantos. Passo por Uspallata, onde se entra sentido sul e imediatamente tomo o caminho para Calingasta, bem ao norte.  Fiz isto por dois motivos, primeiro fugir da chuva que já castigava a parte sul, e depois entrar ainda mais no vale, conhecer mais o lugar. Eu estava hipnotizado por tudo aquilo!!!

 A estrada pavimentada durou somente uns 50km. Neste ponto, como eu não estava com vontade de andar mais 110km de rípio até Calingasta, parei no final do asfalto e me sentei, olhando a chuva acontecer ao sul.





Ao norte, onde o asfalto acabou...

2.312 m de altitude, 14:56. O para brisas ainda cheio dos insetos doo dias anteriores e os trovões rugindo ao sul
Trovoes e vento. dava para ouvir o barulho da água caindo...

A boa vida durou pouco, coisa de uns trinta minutos depois, depois da maçã e da água, a chuva virou de direção e veio para o nordeste, onde eu estava... já que é para me molhar, vou fazer isto voltando para o sul, voltando para o hotel em Mendoza (ainda 170km).

A chuva me pegou, divertido foi tomar granizo de moto, ver o tamanho das enxurradas no deserto e sentir como a temperatura despencou de 32 para 16 em coisa de uns cinco minutos. Para não me ensopar, congelar e nem morrer de fome, parei em um restaurante de beira de estrada, o melhor e... o ... único que tinha...

Fui muitíssimo bem atendido, comi bem e quando fui buscar umas coisas na moto descubro que a temperatura esta em 11 graus!!!  E as minhas roupas quentinhas no hotel...  arrumei um canto para uma sesta até a chuva passar.

Se voce está pensando em fazer uma viagem desta, primeiro precisa aprender a dormir ( ...e sonhar...) na cadeira do restaurante, do posto policial, embaixo de árvore...


Comida e soneca... lá fora 11 graus...


A estrada do restaurante até o hotel á a mesma que eu faço amanha para sair daqui e ir ao Chile, só 380km em um dia, fácil mas eu quero fazer com calma este trecho especial. Preciso sair mais cedo para não ser pego pelas chuvas da tarde. Eu tenho tempo, posso ficar em algum dos vários hotéis na cordilheira caso chova, existe até um spa legal no caminho.  O spa foi soterrado por uma avalanche... veja depois...

As malas estão prontas, a câmeras carregadas e vamos lá!!


Guanacos!!!!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Indo Para Mendoza...


Em Mendoza

Ontem decidi sair do hotel por volta das sete... principalmente para ver se o calor passava...


Foram mais 220km fáceis. Cento e vinte deles pelo deserto, ainda fazendo 31 graus as oito da noite. Saindo de S Rafael em direção ao norte, voltei para o deserto.


 Existe um platô a 1300 m de altitude que isola S Rafael, parei para dar uma olhada de perto neste deserto (munido de água e maçã!), o solo é uma areia grossa e amarela, muito quente, as plantas são pequenas e muito espaçadas, todas de folhas muito pequenas, não existem gramíneas e o solo fica descoberto. Quando o sol começa a se por a vida começa  a aparecer, vi duas raposas, vários lagartos e muito falcões pouco maiores que galinhas.




Ao fundo a silhueta da cordilheira





Depois de deste platô se desce a 900m onde está o vale que abriga San Carlos, Mendoza e San Juan, além de uma infinidade de pequenas vilas.   A paisagem muda radicalmente e  a estrada fica toda cercada por arvores  e vinhedos lindos!

Mendoza é uma cidade grande, moderna e antiga, maravilhosa (fotos amanha...) e rica. As ruas do centro antigo são todas arborizadas e tem parques lindos. Hj foi dia de fazer nada, dormir ate tarde e colocar amoto e as maquinas em ordem. Amanha, se o tempo não fechar, vou até um hotel no meio das montanhas. E na terça retomo o caminho para um dia muito esperado, cruzar os Andes até o Chile.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O que tem de interessante por aqui?




Aqui em San Rafael se produz a grande maioria daqueles vinhos argentinos que nos apresentam com orgulho nas churrascarias mais suspeitas...  mesmo assim o lugar é muito bonito!



Fui ao front desk do hotel para negociar um late check out e havia um casal sendo informado sobre as atrações locais. Não ouvi toda a palestra mas entedi que alguém falou algo sobre “ atravessar montanhas e desertos...” 

Péra!!!   Deserto???  montanha???  onde???


No sentido sul, a esqu. a Salina Diamantes, um lago de sal típico de desertos.

Acontece que San Rafael fica num platô a cerca de 700m de altitude. Acompanhando a Cordilheira dos andes corre uma pequena serra, e além desta um deserto de cerca de 60km de largura até o pé da cordilheira, já a 1300m de altitude. Para Leste desta serra fica San Rafael e um monte de outras vilas onde chove e no solo pedregoso se cultivam parreiras. A água vem dos rios formados pelo degelo, e estes também formam represas para geração de energia como a represa em Nihuil.


 A serra e as vinhas em San Rafael






 Voltando do deserto, se tem esta vista do vale verde de San Rafael e outras vilas.



A primeira imagem do deserto logo que se passa as montanhas. Temperatura de 27 graus e vento constante.


Kit sobrevivencia do explorador andinsta!!


O Graal ( o bar, não o cálice...) andino.


Represa e lago de Niuhil.



Olhando para o sul, Cordilheira do Andes ao Fundo

Passa por aqui um monumento nacional e lenda para quem viaja de moto (voce que tem Rarlei nunca ouviu falar...), trata-se da RA40, ou Ruta Austral, grande conhecida do amigo Izzi. Trata-se do trecho argentino da famosa Carrera Panamericana, que deveria começar no Texas  e ir até a Patagônia, e por motivos óbvios nunca ficou pronta. O trecho mexicano foi palco de corridas de carro e o trecho argentino é o Graal ( o calice, não o posto...) para quem viaja em moto de verdade. Neste pedaço, a RA40 ainda está em rípio (pequenas pedras que se soltaram dos andes e continuam soltas na estrada), e quem vem do norte passa pela RA144.


O passeio foi curto, 250km, mas sentir o silencio e vastidão do deserto, as montanhas ao fundo e finalmente fazer umas curvas com a moto sem as pesadas malas valeu o dia!

O caminho entre dois pontos é uma reta...



Choveu durante a noite e amanheceu um dia lindo! Depois de resolvidas as etapas malas e check out, começou a fuga de Buenos Aires. É manha do dia 24 de dezembro, mesmo com espírito natalino os adoradores-de-maradona continuam dirigindo muito mal!

As estradas argentinas são impecáveis. Andei uns 50 kilometros até encontar um daqueles fantásticos postos da YPF, que tem uma gasolina fantástica (recomendação do Regis). Fora da capital, os argentinos são agradáveis e dispostos a ajudar. Como sempre em todos os lugares, tem sempre um tirando fotos da moto, é só chegar e cumprimentar que se o sujeito for educado começa sempre uma conversa ótima.  Naquele lugar, o gentil senhor conhecia tudo na região de Mendoza e me orientou a ir via San Rafael, segundo ele, seria “más tranquilo y hermoso”. Perguntei se no deserto havia algum risco (de segurança ou crime, eu imaginei), ele sorriu e me respondeu: No señor! No hay ni ratones y ni culebras!!!

O “bonito” eu entendi... o “tranquilo” eu ia descobrir...

Esta estrada que vai até os Andes é muito importante, todo o fluxo Chile Argentida e toda a produção desta rica região sai por esta estrada, que começa dupla com quatro pistas e fica pista simples só 120km depois...  Bem, é um tsunami de caminhões e carretas enormes, juntos a Cirtroens e Renaults do século passado. Fila indiana com todo mundo andando mais rápido do que seguro. Existem muitas linhas de trem, e nenhum viaduto, imaginem a confusão.

A paisagem é linda, fazendas pequenas bem organizadas e muitas arvores. Sol, e cerca de 28 graus. Muito bonito.

 Cerca de 200km depois paro em Junin, que não é nada mais que um entroncamento de várias estradas. Parei para descansar dos caminhões e dos barbeiros. Cinco minutos na lanchonete do posto e lá estava um rapaz tirando fotos... cara muito legal, ele e mais dois amigos. Conversa vai conversa vem, eles confirmaram que San Rafael é mais bonito, que tem uns passeios legais e que a estrada é vazia!!  Isto foi como ouvir J. S. Bach: “Estrada vazia”!!!


Os amigos em Junin, gente legal!!!


A mudança de caminho para S Rafael começava justamente em Junin. E depois de uns 15km a coisa se revelou: asfalto perfeito, largo e vaaaziiiiooooo!!!

Um detalhe interessante, a região de Buenos aires está a cerca de 70m de altitude em média. Perto de Junin existe um platô com cerca de 250m de altitude. Nesta região o solo é negro, cheio de lagoas e uma agricultura sofisticada. Plantações de grãos até perder de vista. Depois de uns 300km, vem outro platô em média a 400m de altitude... só pastos. Cercas e gado bem cuidados e não se vê vaca magra. Mais 200km, 600m de altitude e a coisa vira um solo arenoso, com uma vegetação de cerrado e nada de fazendas nem vilarejos e nem de gasolina.



Acima-  Não passa ninguém, é plano a perder de vista, seco e muito quente.
Abaixo- Adivinha o que eu fiz nesta sombra de árvore?



Agricultura de primeiro mundo, solo fértil e água.



Uma reta sem fim...  reta e mais reta... as poucas curvas eram feitas sem sequer reduzir...   sol e mais sol... lá pelas três da tarde a temp era de 38 graus. Velocidade livre, eu andava entre 140 e 160...  horas a fio a 160... (rarleiros prestem atenção...) para me distrair eu contava quantos km até aquela árvore lá no horizonte, dava 13, 17, 19km. Parava só para tirar foto, comer frutas e beber a agua que estava fervendo. Silencio e calor. E Ninguem....



Esta é realmente a menor distancia entre A e B...


Combinei um encontro com elas em São Paulo...  no Fogo de Chão!

Como todos os postos que eu via estavam abandonados faz tempo, perguntei ao guarda da policia caminera e ele informou que o prox. posto estava  a 180km, ou eu retornava 50km. Eu acreditava que tinha uns 190 de autonomia (num é só acelerar, tem que fazer contas e saber bem o que sua moto faz da vida...). Foram 186km andando a 120 cravados (vel. de maior alcance), cheguei ao posto com todas as  luzes de reserva e low fuel piscando. Antes da gasolina, fui direto à lanchonete e tomei 750ml de agua gelada de um gole só!!


Reparem a mudança de vegetação, a estrada encolhe e a temperatura aumenta...  ... não aparece nem uma cascavel para te fazer companhia...


Hummm, você está espantado com os números...  veja as imagens do GPS: tempo total de viagem 11:01, 8:28 delas andando (sim parei para uma siesta em baixo de uma arvore!).  984 km percorridos no dia 24 e 2.229 desde porto alegre. Não... não dá pra fazer isto de Rarlei-deivizon!




A liha azul no mapa é o percurso desde Jose Ignacio. O techo na argentina foi feito em dia... faaaaacil ...

Lá pelas 19:00, o sol ainda alto no céu, deu para começar  a perceber o contorno da cordilheira do Andes no horizonte. Difícil descrever a sensação. Não tirei fotos... você precisa viver isto!!

Chegando em San Rafael, reaparecem a vegetação e os postos de gasolina. È bonito para quem andou os últimos 300km no cerrado. A temperatura as 20:00 eram de tranquilos 29 graus. Parei num taxi e fiz a famosa pergunta que já fiz em vários lugares neste últimos anos:

 ” Onde fica o melhor hotel de cidade ???"’