domingo, 25 de dezembro de 2011

Cuidado com o que vc pede!!!!


Hoje foi foda...

Vocês se lembram que ontem eu estava reclamando do calor insuportável, sol inclemente e etc???


Pois bem...  leiam...



Acima: cinco da manha.. sol nascendo e muita chuuuvaaaaaa
Acima:














Despertador ajustado para as cinco e meia da manha... nem precisou...  as cinco caiu a maior tempestade. Chuva grossa e muito vento.  O lado bom é esfriou e eu voltei para a cama com a janela aberta. Adoro dormir de janela aberta, e em hotéis é melhor ainda poque você não precisa limpar a sujeira no dia seguinte...

Durante a madrugada pensei que a chuva duraria até umas 9:00 somente. Virei para o lado e dormi mais...

O medo que deu foi desta região alagar.  Eu sei que estas tempestades duram pouco e que (em um lugar normal) depois delas vem ainda mais sol e calor. Preciso sair urgente desta colonia de férias do diabo.
Acima: Por volta do meio dia, 17°C e chuva constante. Parei no trevo em Avia terai, 38km após Saenz Peña, onde ha um ponto de onibus com cobertura.















Seis e meia e ainda chove...  voltar pra cama...  oito e decisão tomada: Vamos com chuva e trovões mesmo!

Lembram do calor de ontem? E que eu reclamei dos 44C?  Então hoje temos chuva, um vento do cão e tudo isto com 16 graus!!!  

No dia anterior, logo no trevo em Saez Peña, o câmbio começou a roncar mesmo. Imaginando que fosse somente falta de óleo, peguei um taxi que estava encostado na frente de um buteco e fomos procurar em algum posto de gas um pouco de óleo para caixa de marchas. 


O taxi era um Fiat Uno movido à diesel, bem podre e sujo, o motorista monossilábico... Fomos bem devagar, ruas esburacadas e estava tudo alagado pela cidade, ruas bem ruins e quase sem movimento. Frio e ventando.

Dei uma grande sorte de encontrar uma embalagem de dois litros do exótico óleo que a BMW usa em seu cambio. Por aqui ha muitas máquinas agricolas que usam lubrificantes especiais. Depois de praticamente trocar o óleo da caixa de cambio da Rocinante, e fazer uma enorme meleca na garagem do hotel (eu chutei a lata de oleo na garagem...), saio apressado do hotel.















Ontem eu consegui andar uns 150 km no Chaco, ainda restavam fácil uns 450km até a paisagem e o clima começar  a mudar. Por conta dos dias a mais em Foz do Iguaçu,  Salta foi riscada do roteiro, ficou para o ano que vem. Fui direto a Purmamarca via Jujuy.

A imagem abaixo, foto do meu GPS, mostra bem a situaçaõ. São 390km de reta, nesta planície infernal, até contornar uma pequena elevação, seguindo o rio Currados para depois cruzar uma serra baixa que leva a San Salvador de Jujuy. Repare no maciço da cordilheira à esquerda. Logo após Jujuy, viramos para N e entramos na Quebrada de Humahuaca.


Bandeirinha verde: Saenz Peña; Bandeirinha laranja: TocoPozo; Bandeirinha vermelha: Jujuy. Uma reta sem fim pelo pior da argentina em um dia de chuva.

Entro na estrada por volta das 10:00, ainda 16°C e chuva constante e vendo forte vindo do sul. Sinto um alívio ao deixar para trás as ruas esburacadas e inundadas. Daí eu descubro que esqueci o computador na concierge do hotel!!!

Saco! voltei coisa de 40km, de novo nas ruas elameadas e inundadas. Pego o computador e mais lama e buracos inundados até o asfalto...

Eram 750km? pode somar mais 80 por conta do esquecimento. 




Veja no mapa,  é uma reta só até chegar a El Quebaranchal (que nome!!!) a curva para norte no mapa acontece para contornar um rio Currado e segue o caminho da antiga ferrovia lentamente seguindo para W e depois SW, as pequenas vilas levam o nome as antigas estações. A partir deste longo contorno é que começamos a subir de cerca de 400m aos 1.300m, já se percebe uma ondulação no terreno e ao longe se vê algumas das pequenas serras q antecedem os andes.


Este lugar se chama " Pampa del Infierno"... Não abasteci aqui por conta da fila. Me arrependi bastante.


Como sobreviver a esta reta??? A técnica para superar a monotonia é a seguinte: quanto faltam 600km, vc diz pra vc mesmo que agora é só fazer SP Buzius...  quando faltarem 500km vc pensa que é só ida até o rio de janeiro...  fácil... quando fizer 400km é o mesmo q ir à Curitiba: Moleeezaaaa!!!   e assim por diante... fácil não??? Isto com chuva, o vento te jogando para os lados e muitoooo friooo...


Acima: Em 1998, vim pela primeira vez de Moto para a Argentina. Haviam várias destas placas absurdas...  hoje reencontrei uma. O curioso é que ele é novinha...  o que será que Sr. Kirschner está planejando??

Abaixo: O lugar é pobre e desorganizado.





Acima: Chez Turco Loco, você arrisca um almuerço aqui???




A vegetação é totalmente diferente do que vi em outros cantos da Argentina, não chega a ser uma floresta, nem um cerrado. É algo entre os dois, com muitas arvores médias, muita vegetação, e forrado com plantas de folhas pequenos e resistentes Chamam isso de "Bosque Chaqueño". 

A medida que se avança o bosque chaqueño desaparece e surge uma vegetação bem mais pobre, pequenas fazendas a beira do abandono, há poucas cultura de grãos, só um pasto bem fraco e poucas vacas, uma pastagem mais rustica.  A partir de Joaquin Gonzales o trecho logo antes da RN 9 é estreito, sem sequer as faixas no chão e andar a mais de 120km/h não foi inteligente.


Consultem o trecho do dia 25 de dezembro de 2010, e percebam a diferença. Mais ao sul, indo para Mendoza, assim que a pastagem some, o deserto aparece, vejam as fotos. A  umidade que vem do vale deságua nas primeiras encostas baixas da cordilheira, cobrindo as primeiras serras que levam ao planalto onde se localiza Salta  e Jujuy  de uma mata bem parecida com que ha no norte do estado de SP, porém com árvores menores. Existem plantações de grão e pastos, e muitos porcos soltos na estrada.

Trecho bonito? pra quem não sabe fazer curvas, é o ideal. Para quem adora a região de Guaxupé vai se divertir por aqui: não ha nada para ver além da reta, de transito dos costumeiros autocaminhones, Peugeots e Renaults, enormes carretas da YPF e fazendeiros que andam a exatos 60km/h... 


A região é muito pobre, miserável mesmo. sem nenhuma graça. Para trazer mais emoção ao dia já lotado de confusão, tive que andar um bocado fora do caminho atrás de gasolina. Isso mesmo: há uma puta crise de falta de gasolina neste país. Muitos postos fechados, e vários abertos mas sem nada para vender. Quando vc encontra, tem fila. Votar em populistas desvairados dá nisto...


Onde está Wally? A fila para gasolina Em Joaquin Gonzales. repare na precariedade.





Parei para gasolina, café caliente e nutritivos salgadinhos na vila de Victor Joaquin Gonzales. Conversei muito sobre o coaminho até a cordilheira com dois motoristas de caminhão que estavam levando dois Volvo zerados para o Perú. Fiquei aliviado em saber de que o pior ja passou e que os proximos km até a RN9 seriam faceis. 

Coisa de 110km depois davile eu chegava a uma rodovia principal. Entrando na RN9 para N a coisa melhora muito, pena que as nuvens estavam baixas e não dava para ver montanha nenhuma. A estrada é larga e movimentada, a paisagem é bonita, com a floresta mais fechada, alguns trechos áridos, somem os porcos, aparecem uns vaqueiros, várias estações de trem abandonadas.

Ao invés de virar para W e subir para Salta, sigo reto...  sentido General Guelmes, a temperatura sobe para 22C ufaa... mesmo com clima feio e nuvens baixas.

Segui até San Salvador de Jujuy, onde se passa por fora da cidade, cuidado com a coleção de radares e policiais. Sigo direção NW para a entrada do vale do rio Jujuy, chamado de Quebrada de Humahuaca. 

Em Jujuy, as montanhas e a relativa baixa altitude, 1.400m, fazem com que toda a umidade que vem do vale fique por ali mesmo. San Salvador de Jujuy é uma cidade grande e importante, cercada por montanhas cobertas de florestas densas e arvores altas. Muito bonito mesmo.

Paro em mais um posto sem gasolina para vender, aproveito a paradinha para ligar ou mandar mensagem de natal para quem eu gosto muito. Foi muito gostoso. Anos atrás, a esta hora, eu estaria chegando para o jantar de natal na casa da minha avó. Era por volta das 18:30.

Como não havia gasolina no posto logo na saída de Jujuy, e eu não queria entrar na cidade, fui perguntar a um sujeito numa caminhonete anos 70 onde havia gasolina. Enquanto mostrava os dentes verdes escuro de tanto mascar coca, ele informou que há um posto em Tilcara ( 25km adiante da entrada a Purmamarca)  que sempre tem Gasolina porque é fundamental para quem vem da Bolivia. Vamos lá...


Quebrada é como chamam vales íngremes ou ravinas, e a  Humahuaca é importante, com 135 km de extensão, levando a Ruta 9 quase até a Bolivia, cheia de vilas e algumas atrações turísticas... declarada patrimônio pela Unesco.

No início da Quebrada  a paisagem lembra Minas Gerais: Montanhas arredondadas,  vegetação rasteira e algumas florestas ralas com arvores pequenas... O que se chama de "rio" é um vale seco  e cheio de pedras. Isto transborda na primavera com o degelo das montanhas e glaciares, e destruiu várias vezes a ferrovia!!!

Não senti a ladeira, é uma subida moderada sempre seguindo o leito quase seco, percebo que a moto faz força e que as nuvens vão ficando mais baixas, temperatura cai dos 22 para 11...  eu nem reclamo: estou onde eu queria estar!

Mais umas curvas e passo por León (1.680m), por outro rio seco, por Volcán ( 2.000m)... depois Tumbaya (2.184m)


A partir da vila de Tumbaya a coisa começa a mudar: somem as árvores, a gramínea desparece e os picos ficam beeem mais agudos. 15 km depois e 300m mais alto chego à entrada para Purmamarca. 


Passo direto a entrada e vou a Tilcara atrás da rara gasolina.

O caminho sobe pela Quebrada de Humahuaca sentido N, pelo lado esquerdo da quebrada. É muito muito bonito. Como a altitude cresce, as nuvens começam a rarear e consigo ver um pouco de céu azul. Ver céu azul sempre me deixa feliz e com sensação de que tudo vai dar certo.


A Quebrada de Humahuaca após a estrada para Purmamarca. Por volta das 19:00, 10°C

No posto em Tilcara aconteceu algo que me deixou puto da vida. Encontro um grupo com 5 motos "tipo Harley". Cheios de malas mal arrumadas, tudo pendurado e caindo para os lados. O fato da desorganização que mostra total falta de planejamento não me incomodou. O que pegou mesmo foi que haviam aquelas antenas longas com a bandeira do Brasil tremulando. Fui até eles cumprimentá-los e dividir as experiencias de hoje etc.. 

Nem olharam nos meu olhos e nem me cumprimentaram!!

Amigos leitores: estávamos pra lá da PQP!!! Por que estavam em um grupo eles eram superiores ou imunes a qualquer imprevisto?  Se não querem ser abordados para que as bandeiras do Brasil?


Foi o máximo da indelicadeza.
Foi o máximo da falta de noção sobre onde e que estávamos todos fazendo.

Ínti não gosta de gente arrogante...



Gasolina finalmente!!! O posto em Tilcara, com crianças curiosas. 
Abaixo: Tilcara.



Retorno para o sul, logo chego à entrada para W que vai ao Paso de Jama e ao destino de hoje: meu hotel em Purmamarca.

Entro em Purmamarca, nem procuro o hotel, paro em uma praça e desligo o motor. 


A imobilidade incomodaNas montanhas coloridas não existe mais vegetação... não sinto frio (9,5°C)... sem vento....    a luz do céu é diferente... ar seco... as pessoas se movem devagar... ninguém repara em mim... silencio... não ha pressa pra nada: Cheguei na terra do deus Sol!



891 km, 10:31 desde o hotel, 8:11 de movimento, 2.879 desde a minha casa...
























"The first condition of understanding a foreign country is to smell it." -Rudyard Kipling








sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma breve história dos Andes


Bem....  quem leu no blog o dia dos 44 graus percebeu que eu estou confortavelmente instalado no hotel (com muito ar condicionado) tomando cerveja da patagonia e ouvido musicas bregas tocadas ao piano...  antes de ter que descer para a garagem e montar a moto para amanha,  resolvi dividir com vocês um pouco da paixão que me faz passar por tantos sacrifícios...

Texto re editado em 10 de novembro 2015

Com vocês: Os Andes!



O Aconcágua - Um bloco de rocha vulcanica. reparem nos picos negros e agudos formados por rochas resistentes à erosão- foto by kiko 

Faz muitos milhões de anos que a  espessa e pesada placa continental sul americana (na qual o Brasil está assentado) caminha para oeste, fazendo força contra  a  placa Nazca, uma placa que está sob o oceano pacífico. Este movimento é um dos mais acentuados no nosso planeta e a placa Continental ainda se move cerca de 7 cm por ano. Há 250 milhões de anos, a placa continental começou a "subir" na placa Nazca, esta que é fina e leve afundou e a placa Continetal subiu. A grosso modo é assim que se formou a mais extensa e recente cadeia de montanhas no nosso planeta, a Cordilheira dos Andes. Esta formação, ao contrário dos Himalaias, ainda não terminou.

É a mais extensa cordilheira do planeta, com pouco mais de seis mil quilômetros (Himalaia tem cerca de 600 e ou Alpes menos de 500 km de extensão). Como ela vai de 10 graus de latitude norte até quase 56 graus de latitude sul, passa por climas tropicias, temperados e antárticos ( sua extremidade sul fica a somente mil km da continente gelado). Forma desde desertos absolutos, rochas geladas a densas e quentes florestas tropicais.   É a mais variada em termos de biologia e palco de muitas e incríveis histórias encenadas pelos Homo Sapiens.



Antes que os sabichões de plantão venham declarar que as formações do oeste norte americano são continuidade dos Andes, vamos deixar claro: O fenomeno que criou a cordilheira vira para Leste na Colômbia, passa pela Venezuela e faz de novo uma larga curva para norte formando algumas das ilhas do Atlantico norte. Panamá, Baja California e Saint Andreas fault são outra história...


A parte da placa continental que "subiu" (a parte oeste que encontra com o Pacífico) é formada por terrenos que um dia foram planos e estavam sob oceanos ou lagos, por isto que a grande maioria das rochas nesta área é de origem sedimentar, são rochas moles e suas cores  são diversas. Dependendo do sedimento que formou as rochas, as cores variam do bege, verde escuro, amarelo ou um vermelho muito vivo.  As rochas sedimentares são geralmente mais claras e nada resistentes à erosão, se transformaram em areia preencheram os vales criando os salares. Não é nada difícil perceber os estratos de rochas nas encostas das montanhas, estratos formados por milhões de anos de sedimentação de areia e outras pequenas pedras.

Nas partes mais altas  é lindo ver estes estratos contorcidos ou exremamente inclinados, isso pela força e violência da natureza. Nas cercanias do Aconcágua (veja dia 27 dez 2010) há vários destes gigantescos extratos inclinados a 45 graus. É impressionante!

 Já no lado oriental (que faz fronteira com a vasta planície onde estão Argentina, Paraguai e Brasil) o movimento de subida do terreno quebrou a placa em longas linhas no sentido norte-sul, causando várias rachaduras na placa. O espaço por entre as rachaduras deixou passar o magma, formando imensas montanhas de lava e algumas das pré cordilheiras.  São rochas bem escuras, geralmente basalto e muito resistentes.  

Quando o magma que surgiu em um determinado local carregou consigo uma grande concentração de sílica, este formou uma rocha bem negra e com pontos brilhantes, esta rocha que brilha sob o sol se chama Andesito e há montanhas inteiras feitas disto!  Como este raro pedaço do planeta  ainda não teve sua formação concluída, ainda acontecem fortes tremores de terra (principalmente com o oceano Pacífico, onde a placa Nazca mergulha) e causa uma grande profusão dos fantásticos e irritadiços Volcones!!!

A cordilheira fica afastada da costa na Venezuela, Colômbia e no Equador. Por todo o Peru e pela metade norte do Chile ocorre o encontro direto das montanhas com o Oceano Pacífico, fazendo com que as únicas áreas litorâneas agricultáveis sejam a foz dos raros rios que criam verdadeiros oásis. No Peru, de sua fronteia norte até um pouco ao sul de Lima, a cordilheira avança para dentro do continente em média 250 km (em linha reta, perpendicular à costa). Começando então a se alargar. São 370 km de largura em La Paz, Bolívia; 650km em Iquique; 500km em Antofagasta; 450km em Copiapó;  270km em La Serena e somente 110km de largura na latitude de Santiago, Chile. Como comparação a parte mais espessa dos Alpes tem cerca 190km (entre o lago Garda e Garmish-Partenkishen)







Repare na camada de rocha sedimentar, que está inclinada porque foi "levantada" pelo movimento entre as placas. Minha foto próximo ao Aconcágua












O levantamento do terreno na parte W somado à extrema atividade vulcanicana na parte E, criou uma região em que a cordilheira é mais larga, ao norte do  Chile e Argentina e ao sul da Bolivia. Na parte central, na borda leste deste lugar, existe uma enorme concentração de vulcões ativos ou não, conhecida como Plaza de Vulcones. passaremos pelo meio dela no dia 31 de dezembro de 2011!

Neste pedaço de mundo se formou o segundo maior altiplano no planeta e o mais alto e árido deserto: o Atacama.


Pouco ao norte de Santiago as montanhas se afastam da costa criando uma estreita mas muito fértil área. Entre Santiago e Mendoza a cordilheira tem somente 145km no sentido leste oeste e está a 100km da costa, em Temuco esta distancia do oceano pacífico chega a 170km. Este afastamento criou um vale de onde vem toda a agricultura Chilena.

Seguindo para o sul, após Santiago, os Andes vão perdendo a imponência e ficam mais estreitos e distantes da costa. Raramente as altitudes passam dos 2.500m. Mais ao sul de onde fica Chillán a cordilheira fica ainda menos imponente embora ainda seja uma fundamental barreira climática, criando dois cenários e habitats diversas, agricultável do lado Chileno e a planície desértica Argentina.

No extremo sul, lugar que as agências de turismo chamam da Patagônia, a cordilheira não é mais tão alta, mas ainda serve de barreira para o clima, exibindo lidas cadeias de rocha vulcânica e formando um complexo arquipélago. Na ponta deste arquipélago fica o cabo Horn e os vários canais e passagens que  compõe o extreio de Magalhães.


O trabalho da natureza e o ajuste entre as placas ainda não acabou: Vulcão Puyheuhe no sul do Chile. Neste dia eu estava no escritório... pena.,..

Ao mesmo tempo em que Inti  brilha sem dó sobre o solo rochoso, algo de curioso acontece no oceano. Da antártica se desprende uma corrente marítma chamada corrente de Humboldt. Esta corrente sobe ao longo de toda a costa W sul americana indo até o México. O que ela tem a ver com nossa viagem? Nesta corrente a água é gelada e não evapora nada!!! Portanto os ventos que veem do oceano trazem muito pouca umidade. Este pouco que chega condensa como nevoeiro na costa ou causa tempestades de neve no inverno quando encontram os picos mais altos.


Vulcão El Fraille (6.000m) na Plaza de vulcones no Atacama. A água vem do degelo, não evapora por que está cheia de  susbtâncias como arsênico e sulfato de cobre, que também dão a coloração exótica da água.

 Abaixo: Vulcão Nascimiento ao fundo e a Laguna Verde, na Plaza de Volcones - Foto tirada dia 31 de dez 2011 Minhas fotos



Acima: tentativa (frustrada) de explorar a energia geotérmica na região dos geisers de Tatim, prox. a San Pedro de Atacama.

Abaixo: enorme montanha de rochas sedimentares se tornado areia. Foto tirada dia 29 de dez de 2011 no litoral pro a Chañaral. Minhas fotos.

























Ao contrário do que as agencias de turismo declaram, No Atacama chove! Assim como em quase toda a região da cordilheira que fica ao sul do Peru e ao norte de Santiago do Chile. Os rios sazonais criados por estas chuvas criam raros e pequenos vales férteis... ferteis pero non mucho...

A maioria das pessoas que que visita sua parte mais quente e árida, chama aquela região de Atacama. ha um post em 2017 que explica o que é realmente o Atacama.






















Clique no link " MEU CANAL UTUBE", logo abaixo da imagem da máquina fotográfica e assista  aos vários vídeos deste projeto!!!




O ponto baixo da viagem...

Quando se participa de um Rallye, existem poucos trechos realmente válidos ou interessantes. Os momentos que estão fora desta definição são chamados de " deslocamento". Pois bem, já foram uma noite gelada e um dia inteiro de deslocamento para chegar de São Paulo a Foz do Iguaçú.
Depois uma noite muito  escura e um hotel mal assombrado em Posadas.






Serão mais dois dias "deslocando", hoje e amanhã até chegar a algum lugar que realmente valha a pena. 


Hoje é talvez o dia mais monótono da viagem e com toda a certeza um dos mais baixos!! Foz do Iguaçú está a  230m   de altitude, posadas a 120 e Corrientes, a 52m. Também teremos companhia: fui alertado sobre muita Policía Caminera e animais na estrada.

Não dormi nada bem. praticamente fugi do hotel eram 9:00. O dia nublado e não muito frio: 26graus

A expectativa era de chuva,  ao invés disto, e posadas até Corrientes  o céu encoberto e ameaçando chuva. Este pedaço do continente é um  baixadão, plano a perder de vista, cheio de rios, com o pantanal e a represa de Itaipu logo ao norte. Ou seja, já é naturalmente úmido e abafado. e dezembro é mês de chuva mesmo. 

Não há muito o que contar da região. A estrada vem ao Sul do Rio Paraná, muito reflorestamento e pastos bem fracos. Há algumas regiões de Pantano, cheias de pássaros. Estrada padrão Argentina.











Passo rápido por dentro de Corrientes, cruzo o Rio Corrientes pela ponte General Belgrano e ingresso na província do Chaco.


Eu até que tentei parar para tira fotos deste rio ...

















Chaco quer dizer "caçada"... deveria ser "assado'!  quando saio da ponte a temperatura é de 36 graus, a cobertura de nuvens acaba, se abre um sol daqueles.  A medida que avanço pra dentro do Chaco, a temperatura vai subindo... subindo... subindo...


El Chaco: a foto parece inocente, veja a temperatura abaixo...




















A estrada é movimentada, mas não é perigosa. eu iria mais longe...  mas você não tem ideia da diferença brutal ente 42C e 44C!!! Parei para tirar umas fotos e resolvi não colocar a luva  de volta. Grande engano: sem as luvas e como capacete aberto a coisa vira uma tortura. Poucos km mais para frente resolvi parar para gasolina. enquanto estava na bomba tive a iniciativa de comprar umas garrafas de água geladas, para beber um pouco e jogar o resto dentro do casaco (procedimento padrão...). A lojinha ficava no outro canto do posto, fora da sombra da marquise... eu tirei o casaco e fui andando sob o sol...  algo como 50m depois, volto correndo p buscar o casaco: o sol TORRA!!!  Fui aconselhado a não cair na tentação de andar sem o casaco, agora entendo pq!

Apesar de ter andado somente 503km, eu realmente desisti de enfrentar o calor. A noite mal dormida de ontem está cobrando caro também. Vi um imenso outdoor de um hotel 4 estrelas ( vc não imagina a miséria da região...) Entro em Saenz Peña, a segunda maior cidade da provincia,e procuro o tal hotel.. fui direto ao chuveiro gelado!!!

Olhem só o hotel que eu encontrei e baratinho!








 

Amanha tenho setecentos e poucos km até Purmamarca.Forno adentro! Para tentar escapar disto, vou sair beeeem cedo, quando o sol (que cresceu...) estiver torrando,espero ja estar em um lugar mais alto e ameno...

Amanha é o último dia de "deslocamento". Acompanhe!





até agora: 506 km hoje e 1988 no total. faltam só mais 5.000.... Acompanhe!!








Até que enfim!!

Voltei à oficina  eram cinco da tarde e a peça tinha acabado de chegar!  Alegria:  agora é "só" montar a moto!!


O Luciano e o Rafael me deram toda a atenção e eu aproveitei para checar, reapertar, prender e revisar tudo o podia.  O vazamento foi teimoso...  deu trabalho mesmo. Mas como em qualquer oficina legal, no final da tarde sempre aparecem os clientes da casa e eu tive o prazer de estar com gente muito legal. Valeu! grande pessoas e sem eles eu iria passar o ano novo na Avenida Paulista...



Los tres amigos: Eu, Luciano e Rafael, repare a loja fechada e nós cuidando da Rocinante
 Saí da oficina eram 19:30, faziam 38C.. puta sol ainda. Corri para o hotel, encaixei as malas que já estavam prontas e vambora!!  ainda estava claro e quente.




Aduana no Brasil.


Passar pelas aduanas foi como passar por um pedágio, rápido e sem problemas.  Dureza foi trocar "reales" por pesos. demorado e burocrático! tive que assinar uma declaração de que eu não era nem funcionário público e nem político!  O recibo veio cheio de carimbos e assinaturas. Fiquei cerca de 40 minutos na fila!!!



Rio Pananá, a divisa entre dois países na divisa entre o dia e a noite.




O projeto original era ir até Corrientes, 640Km durante o dia...  eu estava ótimo, até disposto a chegar em corrientes as 03:00 da manha  dirigindo a noite...   mas esta idéias logo despareceram quando eu encaro a estrada.


Este primeiro trecho é um sobe desce danado. Ondulado e com poucas curvas, muitos caminhões e como não havia lua, um breu total. A temperatura ficou em agradáveis 25 graus, céu cheio de estralas e estrada sem buracos e cheia de placas. No posto de gasolina, a moça do caixa me disse que naquela tarde a temperatura atingira 43C, pensei até que viajar à noite é uma boa opção!


Meus planos heróicos se tornaram tímidos e me contentei a chegar em Posadas... as uma e meia da manha.... como sempre, pergunto onde fica o melhor hotel da cidade e vim parar nesta espelunca! Xou de horror, dormi pouco e muito mal. O café da manha foi ridículo.


Estou 340 km aquém do planejado... mas graças a deus, ao Rafael, ao Luciano e aos amigos do DOC eu estou NO plano!!!


Chamam este pedaço cheio de rios, terreno baixo e monótono de " Mesopotamia Argentina" . Por aqui o calor é sempre infernal, o senhor do concierge comentou que ontem fez 45C, fenômeno para o qual ele tem uma explicação científica e convincente: está acontecendo por que o sol cresceu! 


O que fazer? Bem, no plano eu deveria chegar hoje a noite em Salta, mas de onde estou são 1.400km. 15 horas na moto ou 18 horas de viagem.  Acho que não vai dar. Vou ter que pular Salta e ir até Purmamarca direto, com uma noite em alguma cidade. Mesmo assim serão hoje e amanha com 800 km por dia. Puxado.




A moto também serve de Máquina do tempo


Amanheceu nublado...  o que eu espero que espante o fantasma dos 45C e do sol crescendo.