domingo, 25 de dezembro de 2011

Os Incas, entrando na terra do Deus Sol

Olá!!!  Você que está pesquisando sobre os Incas e encontrou esta postagem, não deixe de escrever um comentário!

Do lado direito superior da tela ha o link para o ìndice. Ha varias passagens que eu tenho certeza de uqe você irá gostar!! 

Um Abraço, Kiko Barros.

Ínti - o deus Sol




Confortavelmente instalado em um hotel em Purmamarca, esperando o jantar de natal, resolvi contar um pouco sobre onde eu estou entrando.

Re-editado em janeiro de 2019




Gravura espanhola do séc XVII - Imagem do Google



 































Há muito tempo atrás, Intí, o Deus Sol e sua irmã e esposa Mama Quilla, Deusa Lua, resolveram criar um ser humano extraordinário para colocar ordem no mundo: Criaram Manco Capac e o enviaram aos andes com a missão de organizar tudo e comandar a todos. Simples assim... 



Seguindo a orientação de seu criador, Manco Capac fundou Cuzco (cuja tradução seria algo como "umbigo do mundo") e  construiu um templo em homenagem ao Deus Sol. O auto proclamado filho-do-deus-sol, Manco Capac trouxe as várias (e isoladas) tribos da região a colaborar com o seu reino em Cuzco, governou por cerca de 40 anos, falecendo por volta do ano de 1230. Seus herdeiros, expandiram o império anexando vários povos pré-colombianos sob um só comando. Na verdade a designação Inca (que poderia ser traduzido como lorde ou chefe) é uma simplificação espanhola para Tawantinsuyu, ou em quéchua “ quatro reinos unidos”, sim o império era formado por quatro regiões divididas por suas oligarquias em um delicado balanço de influencias familiares. 


Os herdeiros do auto proclamado filho-do-deus-sol, ou El Inca, Manco Capac trouxeram várias tribos da região a colaborar com o reino sediado em Cuzco,  Seus herdeiros (o título de  El Inca, o filho do sol,  era dado somente ao rei), expandiram o império Inca anexando vários povos pré-colombianos sob um só comando. 



Plaza de armas em Cuzco, o umbigo do mundo - Imagem do Google


A unificação toma força sob o Inca Viracocha, mas a  grande expansão ocorreu sob o nono Inca, Pachacutec (estima-se que entre 1438 e 1471). Foi este foi quem trouxe a maior expansão ao império para o norte, atribui-se a ele a construição de Machu- Pichu e as obras magníficas na região de Cuzco. Neste período é que teria sido desenvido um inacreditável tecnologia para trabalhar e construir com pedra (há quem diga que não foram eles quem construiram tudo aquilo, mas isto é tema para outro livro), tinham alguma metalurgia baseada no cobre, prata e ouro, uma agricultura sofisticada em terraços de solo fertil irrigados por  longos e perfeitos aquedutos. Construíram longas e excelentes estradas pavimentadas unindo todo o império. 

A comida e a vestimenta eram assunto do estado e estavam sempre disponíveis a todos, a qualquer tempo. O filho de Pachacutec, o grande  Inca Túpac Yupanqui, extendeu o Tawantinsuyu para o sul, até se encontrar com os  primários e carniceiros Mapuches (onde hoje fica a região de Santiago do Chile). A parte sul foi formada com o quarto e ultimo reino, Quollasuyo (hoje sul da Bolivia).



Acima: Estátua de Pachacutec feita no século XX em Cuzco. - Imagem do Google



Abaixo: Mapa aproximado e talvez exagerado do Tawantinsuyu -  Imagem do Google









Os  fantásticos artefatos de ouro tinham uso somente religioso, uma vez que o ouro era tido como lágrimas de Ínti, o Deus Sol. Consta que um dos templos em Cuzco tinha seu interior forrado com placas de ouro decoradas.  A unidade do Império Inca era frágil, primeiro por ser vasto em extensão, se falava várias linguagens locais (o quéchua só se tornou predominante depois de Pachacútec), não desenvolveram linguagem escrita (produziam um tecido de contas, chamdo de puquí,  que servia para controlar o comercio - sobraram poucos puquís e até hoje ninguém decifra aquilo). Na verdade o reino era composto por várias diferentes tribos, distantes entre si, sem língua comum e com habilidades completamente diferentes. 


O neto de Pachacutec, Huayna Capac, era um ser violento e inábil, e sob seu reinado o delicado tecido que unia o Tawantinsuyu começou a se desfazar. Huayna Cápac, morre em 1526 na mão da mais terrível arma espanhola: a rubéola.  Por volta de 1530 o império estava à beira de uma guerra civil, os irmãos Atahualpa e Huascár disputavam o titulo de El Inca. Eram irmãos do mesmo pai, mas não da mesma mãe, o que deu a cada um deles um conjunto de apoios completamente diferente na complexa sociedade Inca. 

Mesmo após quase 500 anos de união, as várias tribos (cerca de 350) que formavam o império ainda não se entendiam (nem tinham linguagem comum) e a desconfiança mútua reinava. A briga entre os irmãos e a desunião das famílias nobres dividiu a força e a capacidade de resistência do Tawantinsuyu.


O Inca atahualpa e Francisco Pizarro: 
não se engane, o selvagem é o da direta!

















Enquanto a confusão crescia no
Tawantinsuyu, um sujeito extremamente ganancioso e agressivo chamado Francisco Pizarro (que era analfabeto e bastardo, ou seja, um legítimo filho da...) ganhou poder e influência na América Espanhola. Este senhor, que era sobrinho distante de Hernán Cortéz (outro facínora), se achava na obrigação de encontrar ouro. Nada alem disto: Ouro. 


Vamos recordar de que a Espanha ficou cerca de seiscentos anos lutando para expulsar os mouros de seu território. Fato que conseguiram em 1492 (batalha de Granada).  Portanto as pessoas que chegaram ao novo mundo eram filhos e netos de guerreiros extremamente violentos. Aquela gente que desembarcava na America era a mais formidável e hábil força militar do planeta naquela época. Seres cruéis, acostumados a passar por agruras e auxiliados por  armas que não existiam na América: Cavalos, aço e germes. Tudo isto sob orientação da igreja, que não podia faltar... A motivação daqueles líderes (padres inclusive) não era conquistar ou construir, era simplesmente colocar as mãos na maior quantidade de metal possível, e a qualquer custo. 


Movido puramente pela ganância, Pizarro (seus vários irmãos e seu sócio, Diego de Almagro) falhou em duas expedições nos anos de 1524 e 1526. Com apoio do Rei da Espanha ele desembarcou, pela terceira vez, no Equador em 1531 e partiu por selvas e montanhas até a região de Cajamarca, ao norte do Peru. Contava com pouco mais de cem homens e 30 cavalos contra 80.000 soldados Incas.


A esta altura, Atahualpa já tinha derrotado Huáscar, então, os espanhóis usaram com maestria a desunião e a insatisfação com o atual Inca para forjar suas alianças com os locais. Durante a exploração de Cuzco, Pizarro ficou impressionado e escreveu ao Rei Carlos I da Espanha: "Esta cidade é a maior e melhor já vista neste país ou em qualquer lugar nas Índias ... Podemos garantir sua Majestade que é tão bonita e tem belos edifícios que seriam notáveis, mesmo na Espanha".


Os Incas que não conheciam o cavalo e nem o aço ficaram horrorizados com o que enfrentaram. Não entendiam por que matavam uma parte do inimigo (soldado) e a outra parte (o cavalo) continuava viva. Em novembro de 1532 o exército de Atahualpa é derrotado na batalha de Cajamarca e por um golpe de azar o Inca Atahualpa vira refém. O resgate pedido em troca do filho do Deus Sol foi pago conforme o pedido: aproximadamente 5 metros cúbicos de ouro e dez de prata. Mesmo assim Pizarro usa um padre e a bíblia para executar o Inca Atahualpa (morte por garroteamento: extremamente lenta e dolorosa) em frente de seu exército. O recém chegado padre acusa um imperador de heresia, fim da picada...



Acima: Gravura de Theodore de Bry (1528-1598) mostrando o momento da prisão se Atahualpa por Pizarro. - Imagem do Google



Abaixo: Gravura do livro de Felipe Guamán Poma de Ayala  mostra Atahualpa preso por Pizarro. - Imagem do Google

































































A violência e os métodos de Pizarro geraram uma reprimenda formal pelo Rei da Espanha. Mesmo assim Pizarro escraviza o que restou de um magnífico exército e derrete em barras todas as lindas peças religiosas douradas que pôde encontrar. E se põe em marcha para mais crueldades.


Em 1533 o anti-herói Pizarro (agora casado com a filha de um líder local) invadiu Cuzco com um misto de tropas indígenas e espanholas e nomeia um Inca-fantoche, Túpac Huallpa, que em seu delírio de grandeza se auto entitula Manco Capac Segundo. Um ser fraco e exitante.


Durou pouco o noivado dos espanhois com Manco Capac Segundo.  Os chefes das familias indígenas dominantes se revoltam contra os métodos barbaros dos incivilizados espanhois. Foi necessário um espanhol violentar a esposa de Manco Capac Segundo para que este iniciasse uma violenmta rebeliao. Os nativos tomam Cuzco na força, mas os lideres espanhois,entre os quais dois irmãos de Pizarro, se fortificam em duas casas na cidade.  O cerco a estas casas dura meses, pricipalmente por que as flechas Incas eram inuteis contra as armaruras de aço europeu.

Para acabar com o impasse vencer esta revolta, Manco Segundo sabia que precisava atacar a vila de Lima, agora um pequeno porto construído pelos espanhois e por onde chegavam do velho mundo cada vez mais navios, tropas e aventureiros.. Em 18 de agosto de 1536 o general Inca Quizo Yupanqui ataca com cerca de 30.000 soldados ( ha quem fale em cem mil ) a cidade de Lima, reduto de 500 soldados espanhóis. Por conta de uma infeliz aliança de nobres incas e os conquistadores, Quizo Yupanqui é traído  e morto no início da batalha de Cajamarca. Dias após os espanhois são resgatados de Cuzco, Manco capac segundo é morto e o desmonte do Tawantinsuyo agora é inevitável.


Acima: Batalha de Cajamarca. Repare nos canhoes espanhóis e na presença ridícula do padre. Quizo Yupanqui está em seu trono sendo carregado. Um soldado espanol o derruba causadno caos no exercito Inca - Imagem do Google




Os espanhóis logo perceberam que não encontravam as minhas de ouro, o metal que os Incas usaram veio de aluviões que agora estavam esgotados. Mas para manter a ganância acesa eles descobriram as minas de Porco (hoje oeste da Bolivia) onde havia alguma prata, estanho e chumbo. Os indios de Porco eram experts em fundir e separar metais, ensinaram tudo aos espanhóis que tal qual os portugueses, não entendiam nada de mineração. Isto foi por volta de 1538.


Após a derrota em Cajamarca, o então chefe, Manco Inca, decide se embrenhar com o que restou de sua população e de seu exército em um lugar inacessível: A parte leste da cordilheira,  ocupada pela impenetrável floresta amazônica e que passa a maior parte do tempo sob espessa neblina. Manco Inca Funda a cidade de Vilcabamba que estava localizada a aprox. 500km a norte de Cuzco. 


Esta sim é a verdadeira cidade perdida Inca. Reza outra lenda de que Manco Inca levou consigo para Vilcabamba as múmias de seus antecessores e suas esposas (Pachacutec inclusive), nunca mais se soube delas. Após sua total destruição pelos espanhóis, sua localização se perdeu e este mistério foi sendo resolvido aos poucos. Foi redescoberta em 1892 por exploradores peruanos, que a chamaram de Espíritu Pampa. Higham Bingham esteve lá em 1911, mas não deu valor ao lugar porque acreditava que Machu Picchu (descoberta por ele) era a verdadeira Villcabamba. E assim todos acreditaram...


Em 1976 um grupo que já estudava o lugar comparou documentos espanhóis (eles anotavam absolutamente tudo e em detalhes) com os levantamentos arqueológicos e chegaram a conclusão de que Espiritu Pampa é o que restou de última capital Inca.

Naquele trecho a cordilheira dos Andes ainda é um lugar feroz. As montanhas são muito altas, algumas ainda com picos nevados. Os vales são profundos e no fundo deles sempre ha rios de aguas velozes e fundos de pedra. Instansponíves a nado e muito memos por cavalos. A floresta abaixo é uma das mais cerradas do planeta e está praticamente intocada. Frequantada por pumas, por uma espécie endógena de Jararaca e por insetos insuportáveis.  

O Lugar fica no vale do rio Chontabamba, cerca de uns 120km (linha reta) ao norte de Cuzco. Fica em uma vale baixo ( Alt.:1.780m aprox.)  com acesso somente pela parte alta, cercado pela densa floresta e por altas montanhas  e escondido por uma neblina constante. Atualmente ha uma vila moderna com o mesmo nome , que fica a coisa de umas 9h de caminhada da cidade Inca.


Aqui cabe uma explicação muito importante. O Inca era nomeado entre as familias dominantes. No momento de sua acensão como líder ele e sua família perdiam todoa sua riquesa, cabendo ao novo Inca anexar mais territorios e tribos e fazer crescer sua fortuna. Esta fortuna seria sua enquanto ele existisse...  existisse vivo ou morto....  Então um rei morto e mumificado continuava a existir!!!  Este é o motivo pela qual as familias mantinham as mumias de seus antepassados: Sem a mumia, nada de riquesa nem de loco na sociedade.




Ao Lado. Mumia Inca exposta no museu Mannheim Reiss-Engelhorn em setembro de 2007. Foto Getty image











Se as coisas estavam extremamente mal para os Incas, também não estavam bem entre os conquistadores. Como a única motivação para aquele projeto era a conquista de riquezas fáceis, o relacionamento entre os espanhois era violento e sem regras.  Os aventureiros não encontravam mais ouro, mas clamavam para si várias áreas e vilas. Por sua vez os padres abriram mão do ouro mas se declararam donos das almas dos índios... Donos das almas e do trabalho que os indios precisavam prestar diariamente!! O padres cobravam pelo trabalho, os rudes espanhois discordavam entre si e a estrutura de produção e o tecido social Inca foi se desfazendo rapidamente.


Como vimos no capítulo “Entrando em Nova Toledo”, Diego de Almagro partiu para conquistar o que hoje é ocupado pelo Chile, foi colossalmente derrotado pelo trio Altiplano, Puna e  Ínti e depois de muitas perdas resolve voltar à Cuzco em 1537. Péssima noticia.


Qual sua surpresade Almagro ao saber que  os irmãos Gonzalo e Hernan Pizarro controlavam a cidade. Almagro não tinha mais qualquer crédito por ter sido o principal sócio de Pizarro na conquista do Peru, então decidiu reivindicar a sua parte do butim.  Almagro tomou Cuzco, capturando Hernan Pizarro que foi libertado apos um acordo com Francisco Pizarro.  A coisa não ficou assim, em 1538, Hernan, Gonzalo e Francisco Pizarro retomam a cidade na batalha de Las Salinas.


Acima: O que restou de Vilcabamba, fundada em 1539, destruida em 1572, reencontrada somente em 1892.- Foto Google


O violento Francisco Pizarro manda enforcar seu sócio, Diego de Almagro, pouco tempo depois, em 1541, é a vez de Pizarro ser assassinado pelo filho de Almagro (facada nas costas, um fim digno para este facínora!!!), Os assassinos de Pizarro, para fugir da forca, se refugiaram no único lugar que os espanhóis não acançavam: Vilcabamba. 


Em Vilcabamba por conta de uma desavença banal, Diego de Almagro II mata Manco Inca e os poucos brancos na vila foram trucidados pelos nativos, isto foi em 1544. O espanhóis então decidem se embrenhar na terrível selva para caçar os últimos incas e liquidar o assunto, capturam aluns índios mas não terminam com a cidade.


Doze tristes anos após a morte de Atahualpa, Francisco Pizarro, Diego de Almagro e seu filho estão mortos, Hernán Pizarro esta preso na Espanha por conta do episodio em Cuzco e Gonzalo Pizarro retorna de seu fracasso na floresta Amazônica (uma historia inacreditável! Leia o capitulo “Em busca do El Dorado”). Na falta do que fazer, Gonzalo Pizarro decide levantar um motim contra o vice rei local, acabou  executado por traição e pela crueldade de toda a sua obra.  


Enquanto os espanhois escravizavam os indios e os matavam de trabalho e fome, outra arma dizimava as populações: os Germes europeus. Ha relatos espanhois de que por volta de 1560 metade da população nativa havia perecido de doenças. Vamos lembrar que é preciso muita gente para plantar alimentos e manter os animais. O caos, a doença e a fome reinavam entre todos, nativos ou europeus.


Esgotado o ouro e fonte de uma coleção de problemas,  o interesse da coroa pelo que restou do Tawantinsuyu era mínimo. Eis que o pior acontece. Por volta de 1555 um pastor de Llamas da região de Porco descobre a colossal mina de prata em Potosi (vamos explicar melhor isto em um outro capítulo). A riqueza era quase infinita (o lugar ainda é explorado no século XXI) e para extrair-la do solo começou o mais cruel capítulo de escravização e extermínio dos indígenas em todo este continente. 


Agora com um fluxo constante de prata vindo daquela região, Felipe II, rei de espanha nomeia o nobre Don Francisco de Toledo como o quinto vice rei do Peru. Chega em Lima em novembro de 1559 e logo coloca ordem em tudo desagradando a todos, principalmente os padres e os auto proclamados líderes locais. Consta que o vice rei anterior,  Lope García de Castro, montara uma estrutura corrupta, cheia de questionaveis alianças locais. Tuda a estrutura montada pelos conquistadores foi desmontada por Don Francisco.   























Este senhor veio do creme da melhor aristocracia Espanhola, educado e inteligente. Logo vislumbra um vice reino sob a ordem, instituiçoses e sob a lei da coroa. E realmente consegue construir uma nova sociedade organizada e produtiva, enviando a coroa sua devida parte em prata. Sob seu próspero reinado vem a grande maioria de documentos detalhados relatando sobre a vida e costumes no vice reino e como as coisas funcionavam no tempo dos Incas. Eu ouso dizer que este senhor foi quem lançou as bases da américa espanhola civilizada. 

Don Francisco fez o que os outros vice reis não fizeram: saiu em viajando pelo reino para ver e entender o que acontecia.  Ele reorganiza os processos de produção, funda várias pequenas vilas e move na força uma grande parte da população indígena, que estava abandonada, para suas novas vilas, onde foram (tentaram) catequizados. Parece nobre, mas o processo aoinda era violento e opressor  e tudo acontecia para viabilizar a mineração e a remessa de metais para a europa. Os índios não gostaram nada da nova ordem.

Eis que, diante de tanto sofrimento, surge a lenda do Inca que trará de volta a liberdade e bonança do Tawantisuyo (Lembrando que a lenda ainda está valendo nos dias atuais...). A população indígena não cooperava com a nova ordem e começou alguma migração das cidades ruma à mítica e escondida Vilcabamba. Onde todos seriam felizes novamente.

A vila de Vilcabamba crescia, agora estava lotada de índios fugindo da tirania e escravidão de Potosi. Acontece então uma grande novidade, surge um novo Inca, Tupác Amaru, e a notícia corre pelo Vice reinado. 

A coisa vai em paz até que no final de 1570, Tupác Amaru mata dois emissários do rei, que considerava espiões. A nova oligarquia, agora filha de europeus, teme por uma insurreição indígena. Então, na semana santa de 1571,  Don Francisco Toledo, declara guerra a Vilcabamba e ao último verdadeiro Inca. 


O vice rei suborna dois índios locais que levam as tropas até a cidade escondida.  Após a derrota de seu pequeno exercito, Tupác Amaru foge pela floresta com sua esposa, grávida. Ela não sabia que estava carregando mato adentro o último rei descendente de um grade povo. O último imperador Inca é capturado e levado até Cuzco. Parte da oligarquia espanhola queria que que o Inca fosse enviado à espanha e lá julgado por traição. O fato é que D. Francisco de Toledo ordena a decapitação do jovem Inca, o que ocorre na frente da nova catedral. 


A última capital Inca, Vilcabamba, é completamente destruída em 1576, terminando ali o último resquicio do grande império Inca. 



Acima: Uma rara representação de Tupac Amaru feita no século XVII. Hoje são comum as imagens do último inca posando de heroi salvador da patria. - Imagem Google










No momento da execução acontece algo muito importante. Reza a lenda de que antes de sua degola, Tupác Amaru  esbravejou que seu sangue escorrerá para a terra e ficará esperando seu retorno. Desta terrível declaração surge a lenda de que um dia seu corpo se reunirá à sua cabeça, ele ressuscitará e trará a vingança de seu povo contra os conquistadores. 


Daí  é que vem o mito da retomada do poder indígena sobre os povos brancos, retornando todos os indígenas à grandeza de tempos passados. Este mito foi muito explorado por políticos nos séculos XX e XXI se transformando em uma plataforma indigenista e socialista totalmente tresloucada. 


O que é mais triste ainda é o nome de Tupác Amaru ter sido convertido para “Tupamaro” e usado por um grupo de guerrilheiros retardados em um país que nunca viu um habitante do Tawantinsuyu!!!





Acima: Versão romantica e heróica de Tupác Amaru

Nasce aqui a lenda do retorno do líder indígena e dos tempos de glória! - Imagem do Google















O Rei Felipe II não gosta nada  de saber da execução de um rei por seu vice rei e repreende fortemente Don Francisco. O infame Lope Garcia de Castro havia retornado à Madrid onde fazia parte do conselho real. Não descansou enquanto não viu D. Francisco ser destronado em 1581 e reenviado para a Europa sob a acusação de desvio de prata. Chegou na espanha e foi preso.  Fica trancafiado por meses e morre dias apos ser libertado. Final Shakesperiano para o homem que organizou a américa mas matou seu o último rei.  


Como vimos, os Incas não tinham linguagem escrita. Uma das principais fontes para montar a história deste império foram os próprios espanhóis. Havia toda uma sorte de funcionários públicos enviados ao novo reino, e estes, na total falta do que fazer, gastavam seu tempo preenchendo relatos detalhadíssimos de tudo o que viam, e encaminhavam a papelada de volta à corte, onde depois tudo foi meticulosamente arquivado na Biblioteca Nacional da Espanha, (Madrid, fundada por Dom Filipe V em 1712 como Biblioteca Pública do Palácio). 


O peruano Felipe Guamán Poma de Ayala, (Filho de conquistadores com uma nativa; 1534 -1615) foi o primeiro a coletar toda a informação oral e registrá-la em uma só obra.  Seu relato, Primer nueva corónica y buen gobierno, foi preparado para ser presenteado ao então Rei Felipe III (1598 -1621). Trata-se de um manuscrito de 1.180 páginas e quase 400 ilustrações (de onde veem algumas gravuras usadas neste blog), Curiosamente este precioso manuscrito foi re-encontrado na Biblioteca Real de Copenhague (Dinamarca) em 1909! 


Acima: Paginas do livro de Felipe Guamán Poma de Ayala  mostra um indecifrável Puqui. - Imagem do Google











A maior e mais importante  fonte da história deste povo vem da colossal obra de outro mestiço peruano Don Garcilaso de la Vega (1539-1616). Este publicou em 1609 sua grande narrativa, Comentarios reales de los Incas. A obra foi escrita a partir de suas próprias recordações de narrativas orais, e de visitas a personagens importantes do vice-reino do Peru. Este relato constitui, apesar dos problemas com suas fontes orais e a muitas incongruências de datas, a tentativa mais importante de preservar a memória e as tradições da grande civilização andina. 


O fantástico é que nesta obra ele relata que, em seu caminho de volta à Espanha, ele visita um corregedor espanhol chamado Don Pólo de Ondegardo, e este tinha em seu poder cinco múmias reais Incas (segundo o texto: Inca Viracocha; Túpac Yupanqui; Huayna Capac; Mama Ruth e Mama Ocllo), todas em perfeito estado de conservação, com vestimentas e jóias. Hoje não se sabe mais do paradeiro destas múmias.


Amanha eu entro no Império do Deus Sol pela porta dos fundos. A região que fica ao sul-leste do lago Titicaca, que agora é chamada (erroneamente) de deserto do Atacama, e pertence à Bolivia e Argentina,  tinha pouca ou nenhuma utilidade ao Tawantinsuyu. Conheciam e ignoraram os primários e carniceiros Mapuches (onde hoje fica o sul do Chile) e não deram nenhum valor aos planaltos a sul e leste do lago Titicaca. 


Os Incas não eram experts em deserto (embora seus sacerdotes subiam os altos vulcões bem ao sul para sacrifícios religiosos), eles realmente brilharam nas altas regiões de densa floresta onde hoje fica o Peru e o Equador e eram ótimos na pesca no oceano Pacífico. Aquele magnífico povo só se viu obrigado  a entrar no inferno amazônico para fugir dos espanhóis e retardar seu próprio extermínio.





Acima: Descendente direta de Manco Capac prepara oferenda à Pachamama, a deusa do tempo e da fertilidade, ainda cultuada nas partes altas e centrais dos Andes.  Muito respeito nesta hora: estamos entrando na terra deste fantástico povo!!!

























































































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... wherever your journey takes you, there are new gods waiting there, with divine patience... and divine laughter." -Susan M. Watkins 


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Cuidado com o que vc pede!!!!


Hoje foi foda...

Vocês se lembram que ontem eu estava reclamando do calor insuportável, sol inclemente e etc???


Pois bem...  leiam...



Acima: cinco da manha.. sol nascendo e muita chuuuvaaaaaa
Acima:














Despertador ajustado para as cinco e meia da manha... nem precisou...  as cinco caiu a maior tempestade. Chuva grossa e muito vento.  O lado bom é esfriou e eu voltei para a cama com a janela aberta. Adoro dormir de janela aberta, e em hotéis é melhor ainda poque você não precisa limpar a sujeira no dia seguinte...

Durante a madrugada pensei que a chuva duraria até umas 9:00 somente. Virei para o lado e dormi mais...

O medo que deu foi desta região alagar.  Eu sei que estas tempestades duram pouco e que (em um lugar normal) depois delas vem ainda mais sol e calor. Preciso sair urgente desta colonia de férias do diabo.
Acima: Por volta do meio dia, 17°C e chuva constante. Parei no trevo em Avia terai, 38km após Saenz Peña, onde ha um ponto de onibus com cobertura.















Seis e meia e ainda chove...  voltar pra cama...  oito e decisão tomada: Vamos com chuva e trovões mesmo!

Lembram do calor de ontem? E que eu reclamei dos 44C?  Então hoje temos chuva, um vento do cão e tudo isto com 16 graus!!!  

No dia anterior, logo no trevo em Saez Peña, o câmbio começou a roncar mesmo. Imaginando que fosse somente falta de óleo, peguei um taxi que estava encostado na frente de um buteco e fomos procurar em algum posto de gas um pouco de óleo para caixa de marchas. 


O taxi era um Fiat Uno movido à diesel, bem podre e sujo, o motorista monossilábico... Fomos bem devagar, ruas esburacadas e estava tudo alagado pela cidade, ruas bem ruins e quase sem movimento. Frio e ventando.

Dei uma grande sorte de encontrar uma embalagem de dois litros do exótico óleo que a BMW usa em seu cambio. Por aqui ha muitas máquinas agricolas que usam lubrificantes especiais. Depois de praticamente trocar o óleo da caixa de cambio da Rocinante, e fazer uma enorme meleca na garagem do hotel (eu chutei a lata de oleo na garagem...), saio apressado do hotel.















Ontem eu consegui andar uns 150 km no Chaco, ainda restavam fácil uns 450km até a paisagem e o clima começar  a mudar. Por conta dos dias a mais em Foz do Iguaçu,  Salta foi riscada do roteiro, ficou para o ano que vem. Fui direto a Purmamarca via Jujuy.

A imagem abaixo, foto do meu GPS, mostra bem a situaçaõ. São 390km de reta, nesta planície infernal, até contornar uma pequena elevação, seguindo o rio Currados para depois cruzar uma serra baixa que leva a San Salvador de Jujuy. Repare no maciço da cordilheira à esquerda. Logo após Jujuy, viramos para N e entramos na Quebrada de Humahuaca.


Bandeirinha verde: Saenz Peña; Bandeirinha laranja: TocoPozo; Bandeirinha vermelha: Jujuy. Uma reta sem fim pelo pior da argentina em um dia de chuva.

Entro na estrada por volta das 10:00, ainda 16°C e chuva constante e vendo forte vindo do sul. Sinto um alívio ao deixar para trás as ruas esburacadas e inundadas. Daí eu descubro que esqueci o computador na concierge do hotel!!!

Saco! voltei coisa de 40km, de novo nas ruas elameadas e inundadas. Pego o computador e mais lama e buracos inundados até o asfalto...

Eram 750km? pode somar mais 80 por conta do esquecimento. 




Veja no mapa,  é uma reta só até chegar a El Quebaranchal (que nome!!!) a curva para norte no mapa acontece para contornar um rio Currado e segue o caminho da antiga ferrovia lentamente seguindo para W e depois SW, as pequenas vilas levam o nome as antigas estações. A partir deste longo contorno é que começamos a subir de cerca de 400m aos 1.300m, já se percebe uma ondulação no terreno e ao longe se vê algumas das pequenas serras q antecedem os andes.


Este lugar se chama " Pampa del Infierno"... Não abasteci aqui por conta da fila. Me arrependi bastante.


Como sobreviver a esta reta??? A técnica para superar a monotonia é a seguinte: quanto faltam 600km, vc diz pra vc mesmo que agora é só fazer SP Buzius...  quando faltarem 500km vc pensa que é só ida até o rio de janeiro...  fácil... quando fizer 400km é o mesmo q ir à Curitiba: Moleeezaaaa!!!   e assim por diante... fácil não??? Isto com chuva, o vento te jogando para os lados e muitoooo friooo...


Acima: Em 1998, vim pela primeira vez de Moto para a Argentina. Haviam várias destas placas absurdas...  hoje reencontrei uma. O curioso é que ele é novinha...  o que será que Sr. Kirschner está planejando??

Abaixo: O lugar é pobre e desorganizado.





Acima: Chez Turco Loco, você arrisca um almuerço aqui???




A vegetação é totalmente diferente do que vi em outros cantos da Argentina, não chega a ser uma floresta, nem um cerrado. É algo entre os dois, com muitas arvores médias, muita vegetação, e forrado com plantas de folhas pequenos e resistentes Chamam isso de "Bosque Chaqueño". 

A medida que se avança o bosque chaqueño desaparece e surge uma vegetação bem mais pobre, pequenas fazendas a beira do abandono, há poucas cultura de grãos, só um pasto bem fraco e poucas vacas, uma pastagem mais rustica.  A partir de Joaquin Gonzales o trecho logo antes da RN 9 é estreito, sem sequer as faixas no chão e andar a mais de 120km/h não foi inteligente.


Consultem o trecho do dia 25 de dezembro de 2010, e percebam a diferença. Mais ao sul, indo para Mendoza, assim que a pastagem some, o deserto aparece, vejam as fotos. A  umidade que vem do vale deságua nas primeiras encostas baixas da cordilheira, cobrindo as primeiras serras que levam ao planalto onde se localiza Salta  e Jujuy  de uma mata bem parecida com que ha no norte do estado de SP, porém com árvores menores. Existem plantações de grão e pastos, e muitos porcos soltos na estrada.

Trecho bonito? pra quem não sabe fazer curvas, é o ideal. Para quem adora a região de Guaxupé vai se divertir por aqui: não ha nada para ver além da reta, de transito dos costumeiros autocaminhones, Peugeots e Renaults, enormes carretas da YPF e fazendeiros que andam a exatos 60km/h... 


A região é muito pobre, miserável mesmo. sem nenhuma graça. Para trazer mais emoção ao dia já lotado de confusão, tive que andar um bocado fora do caminho atrás de gasolina. Isso mesmo: há uma puta crise de falta de gasolina neste país. Muitos postos fechados, e vários abertos mas sem nada para vender. Quando vc encontra, tem fila. Votar em populistas desvairados dá nisto...


Onde está Wally? A fila para gasolina Em Joaquin Gonzales. repare na precariedade.





Parei para gasolina, café caliente e nutritivos salgadinhos na vila de Victor Joaquin Gonzales. Conversei muito sobre o coaminho até a cordilheira com dois motoristas de caminhão que estavam levando dois Volvo zerados para o Perú. Fiquei aliviado em saber de que o pior ja passou e que os proximos km até a RN9 seriam faceis. 

Coisa de 110km depois davile eu chegava a uma rodovia principal. Entrando na RN9 para N a coisa melhora muito, pena que as nuvens estavam baixas e não dava para ver montanha nenhuma. A estrada é larga e movimentada, a paisagem é bonita, com a floresta mais fechada, alguns trechos áridos, somem os porcos, aparecem uns vaqueiros, várias estações de trem abandonadas.

Ao invés de virar para W e subir para Salta, sigo reto...  sentido General Guelmes, a temperatura sobe para 22C ufaa... mesmo com clima feio e nuvens baixas.

Segui até San Salvador de Jujuy, onde se passa por fora da cidade, cuidado com a coleção de radares e policiais. Sigo direção NW para a entrada do vale do rio Jujuy, chamado de Quebrada de Humahuaca. 

Em Jujuy, as montanhas e a relativa baixa altitude, 1.400m, fazem com que toda a umidade que vem do vale fique por ali mesmo. San Salvador de Jujuy é uma cidade grande e importante, cercada por montanhas cobertas de florestas densas e arvores altas. Muito bonito mesmo.

Paro em mais um posto sem gasolina para vender, aproveito a paradinha para ligar ou mandar mensagem de natal para quem eu gosto muito. Foi muito gostoso. Anos atrás, a esta hora, eu estaria chegando para o jantar de natal na casa da minha avó. Era por volta das 18:30.

Como não havia gasolina no posto logo na saída de Jujuy, e eu não queria entrar na cidade, fui perguntar a um sujeito numa caminhonete anos 70 onde havia gasolina. Enquanto mostrava os dentes verdes escuro de tanto mascar coca, ele informou que há um posto em Tilcara ( 25km adiante da entrada a Purmamarca)  que sempre tem Gasolina porque é fundamental para quem vem da Bolivia. Vamos lá...


Quebrada é como chamam vales íngremes ou ravinas, e a  Humahuaca é importante, com 135 km de extensão, levando a Ruta 9 quase até a Bolivia, cheia de vilas e algumas atrações turísticas... declarada patrimônio pela Unesco.

No início da Quebrada  a paisagem lembra Minas Gerais: Montanhas arredondadas,  vegetação rasteira e algumas florestas ralas com arvores pequenas... O que se chama de "rio" é um vale seco  e cheio de pedras. Isto transborda na primavera com o degelo das montanhas e glaciares, e destruiu várias vezes a ferrovia!!!

Não senti a ladeira, é uma subida moderada sempre seguindo o leito quase seco, percebo que a moto faz força e que as nuvens vão ficando mais baixas, temperatura cai dos 22 para 11...  eu nem reclamo: estou onde eu queria estar!

Mais umas curvas e passo por León (1.680m), por outro rio seco, por Volcán ( 2.000m)... depois Tumbaya (2.184m)


A partir da vila de Tumbaya a coisa começa a mudar: somem as árvores, a gramínea desparece e os picos ficam beeem mais agudos. 15 km depois e 300m mais alto chego à entrada para Purmamarca. 


Passo direto a entrada e vou a Tilcara atrás da rara gasolina.

O caminho sobe pela Quebrada de Humahuaca sentido N, pelo lado esquerdo da quebrada. É muito muito bonito. Como a altitude cresce, as nuvens começam a rarear e consigo ver um pouco de céu azul. Ver céu azul sempre me deixa feliz e com sensação de que tudo vai dar certo.


A Quebrada de Humahuaca após a estrada para Purmamarca. Por volta das 19:00, 10°C

No posto em Tilcara aconteceu algo que me deixou puto da vida. Encontro um grupo com 5 motos "tipo Harley". Cheios de malas mal arrumadas, tudo pendurado e caindo para os lados. O fato da desorganização que mostra total falta de planejamento não me incomodou. O que pegou mesmo foi que haviam aquelas antenas longas com a bandeira do Brasil tremulando. Fui até eles cumprimentá-los e dividir as experiencias de hoje etc.. 

Nem olharam nos meu olhos e nem me cumprimentaram!!

Amigos leitores: estávamos pra lá da PQP!!! Por que estavam em um grupo eles eram superiores ou imunes a qualquer imprevisto?  Se não querem ser abordados para que as bandeiras do Brasil?


Foi o máximo da indelicadeza.
Foi o máximo da falta de noção sobre onde e que estávamos todos fazendo.

Ínti não gosta de gente arrogante...



Gasolina finalmente!!! O posto em Tilcara, com crianças curiosas. 
Abaixo: Tilcara.



Retorno para o sul, logo chego à entrada para W que vai ao Paso de Jama e ao destino de hoje: meu hotel em Purmamarca.

Entro em Purmamarca, nem procuro o hotel, paro em uma praça e desligo o motor. 


A imobilidade incomoda. Nas montanhas coloridas não existe mais vegetação... não sinto frio (9,5°C)... sem vento....    a luz do céu é diferente... ar seco... as pessoas se movem devagar... ninguém repara em mim... silencio... não ha pressa pra nada: Cheguei na terra do deus Sol!



891 km, 10:31 desde o hotel, 8:11 de movimento, 2.879 desde a minha casa...
























"The first condition of understanding a foreign country is to smell it." -Rudyard Kipling








sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma breve história dos Andes


Bem....  quem leu no blog o dia dos 44 graus percebeu que eu estou confortavelmente instalado no hotel (com muito ar condicionado) tomando cerveja da patagonia e ouvido musicas bregas tocadas ao piano...  antes de ter que descer para a garagem e montar a moto para amanha,  resolvi dividir com vocês um pouco da paixão que me faz passar por tantos sacrifícios...

Texto re editado em 10 de novembro 2015

Com vocês: Os Andes!



O Aconcágua - Um bloco de rocha vulcanica. reparem nos picos negros e agudos formados por rochas resistentes à erosão- foto by kiko 

Faz muitos milhões de anos que a  espessa e pesada placa continental sul americana (na qual o Brasil está assentado) caminha para oeste, fazendo força contra  a  placa Nazca, uma placa que está sob o oceano pacífico. Este movimento é um dos mais acentuados no nosso planeta e a placa Continental ainda se move cerca de 7 cm por ano. Há 250 milhões de anos, a placa continental começou a "subir" na placa Nazca, esta que é fina e leve afundou e a placa Continetal subiu. A grosso modo é assim que se formou a mais extensa e recente cadeia de montanhas no nosso planeta, a Cordilheira dos Andes. Esta formação, ao contrário dos Himalaias, ainda não terminou.

É a mais extensa cordilheira do planeta, com pouco mais de seis mil quilômetros (Himalaia tem cerca de 600 e ou Alpes menos de 500 km de extensão). Como ela vai de 10 graus de latitude norte até quase 56 graus de latitude sul, passa por climas tropicias, temperados e antárticos ( sua extremidade sul fica a somente mil km da continente gelado). Forma desde desertos absolutos, rochas geladas a densas e quentes florestas tropicais.   É a mais variada em termos de biologia e palco de muitas e incríveis histórias encenadas pelos Homo Sapiens.



Antes que os sabichões de plantão venham declarar que as formações do oeste norte americano são continuidade dos Andes, vamos deixar claro: O fenomeno que criou a cordilheira vira para Leste na Colômbia, passa pela Venezuela e faz de novo uma larga curva para norte formando algumas das ilhas do Atlantico norte. Panamá, Baja California e Saint Andreas fault são outra história...


A parte da placa continental que "subiu" (a parte oeste que encontra com o Pacífico) é formada por terrenos que um dia foram planos e estavam sob oceanos ou lagos, por isto que a grande maioria das rochas nesta área é de origem sedimentar, são rochas moles e suas cores  são diversas. Dependendo do sedimento que formou as rochas, as cores variam do bege, verde escuro, amarelo ou um vermelho muito vivo.  As rochas sedimentares são geralmente mais claras e nada resistentes à erosão, se transformaram em areia preencheram os vales criando os salares. Não é nada difícil perceber os estratos de rochas nas encostas das montanhas, estratos formados por milhões de anos de sedimentação de areia e outras pequenas pedras.

Nas partes mais altas  é lindo ver estes estratos contorcidos ou exremamente inclinados, isso pela força e violência da natureza. Nas cercanias do Aconcágua (veja dia 27 dez 2010) há vários destes gigantescos extratos inclinados a 45 graus. É impressionante!

 Já no lado oriental (que faz fronteira com a vasta planície onde estão Argentina, Paraguai e Brasil) o movimento de subida do terreno quebrou a placa em longas linhas no sentido norte-sul, causando várias rachaduras na placa. O espaço por entre as rachaduras deixou passar o magma, formando imensas montanhas de lava e algumas das pré cordilheiras.  São rochas bem escuras, geralmente basalto e muito resistentes.  

Quando o magma que surgiu em um determinado local carregou consigo uma grande concentração de sílica, este formou uma rocha bem negra e com pontos brilhantes, esta rocha que brilha sob o sol se chama Andesito e há montanhas inteiras feitas disto!  Como este raro pedaço do planeta  ainda não teve sua formação concluída, ainda acontecem fortes tremores de terra (principalmente com o oceano Pacífico, onde a placa Nazca mergulha) e causa uma grande profusão dos fantásticos e irritadiços Volcones!!!

A cordilheira fica afastada da costa na Venezuela, Colômbia e no Equador. Por todo o Peru e pela metade norte do Chile ocorre o encontro direto das montanhas com o Oceano Pacífico, fazendo com que as únicas áreas litorâneas agricultáveis sejam a foz dos raros rios que criam verdadeiros oásis. No Peru, de sua fronteia norte até um pouco ao sul de Lima, a cordilheira avança para dentro do continente em média 250 km (em linha reta, perpendicular à costa). Começando então a se alargar. São 370 km de largura em La Paz, Bolívia; 650km em Iquique; 500km em Antofagasta; 450km em Copiapó;  270km em La Serena e somente 110km de largura na latitude de Santiago, Chile. Como comparação a parte mais espessa dos Alpes tem cerca 190km (entre o lago Garda e Garmish-Partenkishen)







Repare na camada de rocha sedimentar, que está inclinada porque foi "levantada" pelo movimento entre as placas. Minha foto próximo ao Aconcágua












O levantamento do terreno na parte W somado à extrema atividade vulcanicana na parte E, criou uma região em que a cordilheira é mais larga, ao norte do  Chile e Argentina e ao sul da Bolivia. Na parte central, na borda leste deste lugar, existe uma enorme concentração de vulcões ativos ou não, conhecida como Plaza de Vulcones. passaremos pelo meio dela no dia 31 de dezembro de 2011!

Neste pedaço de mundo se formou o segundo maior altiplano no planeta e o mais alto e árido deserto: o Atacama.


Pouco ao norte de Santiago as montanhas se afastam da costa criando uma estreita mas muito fértil área. Entre Santiago e Mendoza a cordilheira tem somente 145km no sentido leste oeste e está a 100km da costa, em Temuco esta distancia do oceano pacífico chega a 170km. Este afastamento criou um vale de onde vem toda a agricultura Chilena.

Seguindo para o sul, após Santiago, os Andes vão perdendo a imponência e ficam mais estreitos e distantes da costa. Raramente as altitudes passam dos 2.500m. Mais ao sul de onde fica Chillán a cordilheira fica ainda menos imponente embora ainda seja uma fundamental barreira climática, criando dois cenários e habitats diversas, agricultável do lado Chileno e a planície desértica Argentina.

No extremo sul, lugar que as agências de turismo chamam da Patagônia, a cordilheira não é mais tão alta, mas ainda serve de barreira para o clima, exibindo lidas cadeias de rocha vulcânica e formando um complexo arquipélago. Na ponta deste arquipélago fica o cabo Horn e os vários canais e passagens que  compõe o extreio de Magalhães.


O trabalho da natureza e o ajuste entre as placas ainda não acabou: Vulcão Puyheuhe no sul do Chile. Neste dia eu estava no escritório... pena.,..

Ao mesmo tempo em que Inti  brilha sem dó sobre o solo rochoso, algo de curioso acontece no oceano. Da antártica se desprende uma corrente marítma chamada corrente de Humboldt. Esta corrente sobe ao longo de toda a costa W sul americana indo até o México. O que ela tem a ver com nossa viagem? Nesta corrente a água é gelada e não evapora nada!!! Portanto os ventos que veem do oceano trazem muito pouca umidade. Este pouco que chega condensa como nevoeiro na costa ou causa tempestades de neve no inverno quando encontram os picos mais altos.


Vulcão El Fraille (6.000m) na Plaza de vulcones no Atacama. A água vem do degelo, não evapora por que está cheia de  susbtâncias como arsênico e sulfato de cobre, que também dão a coloração exótica da água.

 Abaixo: Vulcão Nascimiento ao fundo e a Laguna Verde, na Plaza de Volcones - Foto tirada dia 31 de dez 2011 Minhas fotos



Acima: tentativa (frustrada) de explorar a energia geotérmica na região dos geisers de Tatim, prox. a San Pedro de Atacama.

Abaixo: enorme montanha de rochas sedimentares se tornado areia. Foto tirada dia 29 de dez de 2011 no litoral pro a Chañaral. Minhas fotos.

























Ao contrário do que as agencias de turismo declaram, No Atacama chove! Assim como em quase toda a região da cordilheira que fica ao sul do Peru e ao norte de Santiago do Chile. Os rios sazonais criados por estas chuvas criam raros e pequenos vales férteis... ferteis pero non mucho...

A maioria das pessoas que que visita sua parte mais quente e árida, chama aquela região de Atacama. ha um post em 2017 que explica o que é realmente o Atacama.






















Clique no link " MEU CANAL UTUBE", logo abaixo da imagem da máquina fotográfica e assista  aos vários vídeos deste projeto!!!