segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Deixando de ser teimoso - Paso San francisco - Belén



Já está Funcionando
 o novo sistema de índice para facilitar pesquisas:

Logo à direita voce encontra
um link para o índice por assunto.

               Experimente!!!




Acordei as seis, olhei pela minuscula janela e fiquei apreensivo: coberto de nuvens, congelado e muito vento.

Durante o café da manha (se é que um pão duro e café solúvel podem  ser chamados de...) eu fiquei pensado como foram fáceis e deliciosos os 95 km da cidade até o hotel, é a terceira vez que passo por ali, me senti como se fosse intimo do lugar...  


Acima: Vista do hotel as 06:30; 3.380m de alt. 6°C; picos nevados ebaaa    


Acima e abaixo: o monumental caminho que leva ao Paso San Francisco em uma manha gelada!


































Vejam as fotos: não há nenhuma árvore, nem plantas e nem grama ao redor do hotel. Os insetos abandonaram o local antes da construção das pirâmides no Egito. Estava a 3.380m de altitude, justo naquela faixa de altitude onde não há absolutamente nada. 

O sol da manha deixou as montanhas maravilhosas e deu ainda mais contraste para a horrenda pintura do edifício em tons de pistache e goiabada, o que faz do hotel um corpo totalmente estranho e deslocado da paisagem. 


Durante o café da manha eu vi pessoas sendo servidas com coisas deliciosas, não demorou para eu descobrir que os outros turistas comiam coisas trazidas pelos guias de turismo... Para mim havia chá ou café e umas bolachas beeem duras. Ainda bem que eu tinha comida na minha mala!


Aquelas cores e a arquitetura alienígena realmente, somado à total falta de atenção com os pobres hóspedes, me deram vontade de seguir caminho.


Este seria um dia rumbo al Chile, com grandes expectativas!!!

Sai do hotel, com poucas coisas na mala, eu aliviei o peso e deixei as duas malas laterias  no depósito do hoel ( era para ser um cinema, virou deposito...). O sleeping bag preso sobre tudo dava o definitivo visual de descobridor Andino (ou de farofeiro) ao meu personagem! seriam 810km sem olhar para um posto de gasolina!


Eram 08:30 e 8°C, segui morro acima em direção ao queridíssimo Paso de San Francisco.



Acima: Las Peladas (as montanhas) !!!  Uma linda cadeia que estava sob nuvens e sem neve.(08:47; 3.810m de alt. 8°C)






























A subida foi exatamente como eu esperava: Linda. Incahuasi (o vulcão) e Las Losas (as montanhas)   estavam cobertos de neve, o sol enganava o frio. Andei devagar por que sabia que ia encontrar com Vicunhas. Vi várias manadas  com filhotes.

A temperatura caiu muito e parei para agua, chá quente e colocar todos os casacos e luvas de frio.



Acima e abaixo: Vicunhas devorando os Ichús!!!  Ambos só existem acima de 4.000m!!! (08:47; 3.810m de alt. 7°C)
























A chegada na aduana (Alt.: 4.030m 8°C) foi simples e fácil. Fiquei surpreso coma quantidade de carros esperando a liberação. Realmente movimentado. Até agora tudo exatamente tal planeado!  A casinha da aduana estava lotada de turistas, observei que o lugar foi reformado (perdeu muito do ambiente aconchegante de 2012). Quando perguntei que fim levou o aquecedor de lenha que existia ali, o oficial chefe disse que eu era "amigo da casa" e me passou na frente dos turistas, para a raiva de umas velhotas feiosas que estavam na fila...




Acima:   na aduana com o inédito movimento de carros indo fazer compras no Chile.   



Abaixo: O colossal vulcão Incahuasi e seu salar.  A diferença de altura entre o salar (onde fica a aduana) e o cume são de 2.500m !!!   No asfalto não é uma vicunha...   é um cachorro mesmo!!! (10:15; 4.028m de alt. 8°C)












































Os últimos 25 km até o paso (Alt.:4.760m . 5,0°C) foram fantásticos e divertidos. O ceu estava sem nuvens e todos os vulcões cobertos de neve.  Lindo

Parei na fronteira, deixei mais uma garrafa de agua para minha padroeira, e me dediquei a abaixar a pressão dos pneus e me preparar para 75km de ripio chileno. Uma surpresa: o vento derrubou o arco com a placa do limite internacional!


















































Acima: o trecho entre a aduana e o limite internacional é simplesmente glorioso! sem duvida nenhuma a estrada perfeita com o mais lindo visual. A frente o vulcão San Francisco, que dá o nome ao lugar.




Abaixo : Todo e respeito e carinho com ela, a minha padroeira, Difunta Correa. Sempre tem que se deixar água para ela!!! (11:03; 4.670m de alt. 5°C)




Acima: o monumento à Diego de Almagro vide post "Entrando em nova Toledo"  (dez de 2011) para esta historia fabulosa!!!


Abaixo o limite internacional com a placa derrubada: algo estava muito errado...




























Mas antes de ligar o motor eu prometi para mim mesmo não reclamar das dificuldades que iria passar. Afinal eu já sabia muito bem o tamanho da encrenca quando montei o roteiro deste dia. (para minha primeira passagem, veja o post dia 2 de janeiro 2012 - com video...)

Aquele lugar se chama Plaza de Vulcones, é a maior concentração de vulcões ativos ou não. Ha o Incahuasi; San Francisco; El Fraille; El Muerto; complexo Nascimento; Azufre; Tres Cruces; Ojos del Salado e outros menores. Todos estes são vistos da estrada e estavam todos coberto de neve. o lugar que já é monumental estava lindo!




 Acima: A descida em direção à PLaza da Vulcones e à Laguna Verde. A minha direita o Vulcão Azufre, a esquerda o El Muerto. O piso era bom, com muitas costelas de vacas e com alguns trechos bem perigosos. Não estava gostando. (11:37; 4.550m de alt. 7°C)



Abaixo: parei antes da Laguna Verde para descansar, aqui o piso estava enganosamente melhor. Repare no pneu especial para este solo e como ele quebrou o para barro.

















































Quando passei por ali, em 2011, a obra de retificação do trajeto e pavimentação estava em andamento (o que me causou vários problemas). Aconteceu que a empresa que ganhou a licitação para a obra faliu (ao contrário do que acontece em outro grande país, a verba para pavimentar a estrada Chilena não é paga duas vezes) e a obra parou. O impasse terminou no começo de 2014 e naquele dia as obras estavam pela metade e em ritmo Uruguayo.   Ainda não está pronta!  E eu esperava que os  trechos já asfaltados me ajudassem bastante. 

Para falar a verdade eu sofri muito menos. Acredito que estava aclimatado à altitude e não passei mal com La Puna,  os pneus eram muito melhores para o rípio e eu estava ficando acostumado a conduzir a moça naquela insegurança.

Segui morro abaixo em direção à laguna verde (Alt.: 4.344m). Com uma péssima surpresa: a estrada, embora toda retificada  e muito larga estava péssima!!!   Buracos, grandes pedras soltas e enormes Calaminas (costelas de vaca). Parei várias vezes... para recuperar o folego  e passar o susto. A chuva forte nos últimos dias arruinou o piso. Em vários lugares se formou lama, os carros passaram pelo lamaçal e a lama secou (tudo aqui seca em minutos) formando blocos complicados de se passar em uma moto grande. A coisa estava cansativa. mal andei 20km e ja estava cansado e chateado.


Como informação: em junho de 2019 este trecho entre o Paso e a aduana em Maricunga foram totalmente pavimentados. Adeus rípio e chega de dificuldades!


 Abaixo:  na Laguna Verde e ao fundo o complexo de vulcões Nascimiento, beeem a direita o Azufre. (12:00; 4.344m de alt. 9°C)









































Logo no inicio da laguna o piso melhorou e consegui andar a cerca de 50km/h, mas a média estava abaixo de 35. A paisagem era fenomenal, a laguna estava mais escura e todos os picos ao redor estavam nevados, a temperatura subiu para 12°C o que me trouxe algum conforto para enfrentar as terríveis calaminas.


Havia um misto de "não posso demorar" com "vamos parar para descansar". Mas piso foi piorando, muitas ondulações e costelas de vaca mais pronunciadas. O caos do piso na estrada acabou com meu bom humor e com qualquer margem de segurança. O piso nao melhorava e havias umas fortes rajadas de vento... Eu estava ficando cansado e a velocidade era baixa.

Tomei alguns sustos com escorregadas e pedras soltas...  Eu nunca paro de fazer contas, pelo ritmo da coisa, com sorte eu chegaria ao destino por volta das 18:00, o que me aborreceu. As margens de segurança estavam ficando apertadas. Lá pelas tantas, perto de um lugar chamado "Las Barrancas" eu tomei uma rajada de vento e a coisa balançou bastante. Parei para me recuperar no momento em que vi uma moto vindo em sentido contrário. 

O casal  de italianos parou e ela veio falar comigo extremamente preocupada com minha saúde. Ele gentilmente me  deu a má noticia: o piso está ruim mesmo e o trecho que eu esperava estar asfaltado ainda estava em rípio... nada da tal obra de pavimentação progrediu.  Eu ainda teria 150km aprox de piso caótico... 

























Acima: De volta à fronteira, mas agora rumo leste... pena. (13:15; 4.670m de alt. 6,5°C)  




Para minha passagem pelo paso san Francisco em 20012 vide 2 de janeiro ou 31 de dezembro de 2011... vale a pena,

Água, comida e gasolina contados.  Isso no topo do planeta em um lugar que não admite erros. E o passeio estava sendo cansativo e perigoso???   Para que ser teimoso??? Teimosas aqui são as Mulas Muertas (nome de um lugar a 170km daqui). Eu ainda teria 180Km até o destino de hoje, dos quais uns 110km em rípio. Eu tinha tempo, mas estava sem coragem.

Não tive dúvida: meia volta e vamos embora daqui. Eu não podia me dar ao luxo de torcer um pé ou quebrar um pedal da moto. O lugar é como uma sereia: deslumbrante mas mata.

Segui o gentilíssimo casal o que me trouxe uma sensação de muita segurança e conforto. Eles andavam mais rápido por que estavam  em uma moto menor e feita para aquele piso...  Fui no meu ritmo.

Segui o caminho com calma. A subida da laguna para o Paso foi tranquila e sem ficar biruta com a altitude. As 13:15 (alt.: 4670 e  6,5°C) eu Parei no paso, deixei a última garrafinha de água para a Difunta Correa, enchi os pneus mais uma vez e comecei a descida pela estrada mais do que perfeita, com 21 km de lindas curvas até a aduana.

Deu para aproveitar toda a beleza do Vulcon Incahuasi e do seu salar, que ficaram a minha direita neste caminho. Entrar na aduana Argentina foi como entrar na casa da sogra, todos perguntaram por que eu voltei, me passaram na frente da fila de turistas mais uma vez,  tomei café, me ofereceram queso,  pedi água e contei das minhas peripécias. 

Feitas as formalidades saí da aconchegante casa e fui surpreendido pelo frio, confesso que tremi um pouco até me acostumar com o movimento. 








Acima: De volta à aduana, Este é o casal que me fez mudar de idéia. (13:55; 4.028m de alt. 12°C) 

Abaixo: como era feriado o lugar estava movimentado, na verdade não é um caminho muito deserto, apesar de ser dificil. 



Haviam muitas motos e ficamos de bate papo, chilenos, argentinos, os italianos e uma turma gaúcha.

Voltei para a maravilha arquitetonica Hotel Cortaderas, eram 15:00 para pegar as malas  e re arrumar tudo. Mesmo assim insisti em dar uma paradinha no hotel para um café...  só que não havia mais café...  Poderia ter dormido ali...  mas ja estava cheio daquele lugar e de ter que caminhar exatos 175m do quarto ao restaurante/recepção.  Resolvi adiantar meu cronograma em um dia e reprogramei a viagem para ir dormir em Belén.  Um trecho de 309km morro abaixo... fácil demais. 

Fui buscar as malas que estavam no depósito do hotel, com a  ajuda do preguiçoso funcionário No.1 ( lembramos que existem o No. 1 e o No. 2...    só estes...). Decidi colocar a gasolina naõ utilizada do agora desnecessário reservatório no tanque principal.  Por preguiça eu não coloquai tudo, deixei coisa de 3 litros no tanquinho vermelho (que naquele país de chama Bidón).















































Foram 95km do hotel até o já manjado posto de gasolina em Fiambalá, tudo ladeira abaixo com longos períodos com motor desligado. A temperatura subindo. Saí de 3.700m no hotel a 14°C para os 1.550m e 31°C da cidade. Há um vídeo subindo desta cidade ao Paso San Francisco em janeiro de 2012, procure na barra lateral como "De Fiambalá ao São Francisco".

Ha coisa de uns 50km antes da cidade, no trecho em que a estrada ainda desce, encontrei um motocilista andando beeem devagar com uma honda todo terreno de umas 400cc, as malas e a roupa dele denunciava; era dos meus!!!


Ele fez um gesto para que eu parasse, parei à freente dele e fui conversar...  ele veio desesperado me pedindo gasolina, estava a coisa de 35 km andando com motor desligado!


Eu apontei pala o bidón e mostrei o resto de gasolina, e disse : "eu estava guardando para você!!!" Só faltou ele chorar!!!!


Ligamos a moto dele e descemos juntos o curto e quente trecho até Fiambalá.


Cheguamos ao posto de gasolina na entrada da cidade, enquanjto ele abastecia eu passei na Hosteria Municipal e deixei um cartão meu na moto do super casal de italianos.  


Ele encontrou seus amigos e eu fui convidado por todos para um régio almoço em Tinogasta. Eu tinha gasolina de sobra e seguimos todos para o prometido almoço.

Do posto até Tinogasta (mesmo percurso do dia 26 de fevereiro) são 45km. Só que desta vez ao entrar na atrapalhada vila de Tinogasta eu olhei para traz e me despedi daquele monumental trecho da cordilheira. 

Parei em um outro posto somente para acertar os pneus,  tirar as meias e a calça de frio que estavam me cozinhando (33°C na sombra...). Olhei para o relogio, fiz as contas e decidi, se eu almoçar aqui não chego em Belém a tempo de arrumar um hotel. Então renunciei ao almoço e pé na estrada...


Fatos curiosos e tristes.. eu nunca mais falei com os Italianos e nem recebi a homenagem pela gasolina...


65km após Tinogasta encontro o trevo (Alt.:955m) com a RN40, virei para o norte. Até ali eu tinha andado 210km para o sul. Eram 18:00 e 31°C.

Acima: de volta à RN40, rumo norte para Londres  e Belén  



Abaixo: o caminho segue ao lado leste da gigantesca Cuesta de Zapalla (18:15; 1.150m de alt. 31°C) 





Abaixo: a cidade de Londres



















A estrada segue pelo lado leste da linda e alta Cuesta de Zapata. Depois de 70km confortáveis a estrada cruza o vale fértil formado pelo Rio Quimvil, passa por Londres (a cidade ganhou este nome para celebrar o casamento do príncipe espanhol Felipe V com a Rainha Mary I, esta mesmo, a Bloody Mary!!) e segue para cidade de Belén. O trecho dentro de Londres é uma graça... pequenas casas, prédios antigos, simples, mas tudo arrumado. 


Naquele ponto a serra de Zapata se divide, o corpo principal de montanhas segue para o norte, e o outro sai para nordeste, formando a Cuesta de Belén. Esta serra é rasgada pelo rio Belén, criando a quebrada de Belén, onde fica a cuidad de Belén. Quanta criatividade para nomes! 


A Cuesta de Belén é linda, bem como o vale. Mas a cidade é horrivel (não se empolgue: a vila tem 3 km de extensão por 1,5km de largura...), bagunçada e improvisada... pobre. Não posso reclamar muito, fui extremamente bem tratado pelos guardinhas e pelas chicas hermosas na farmácia.



Eu gostaria muito de saber quem coloca estas placas absurdas e constroi monumentos como este dedicado aos "martires de las malvinas". Sem duvida o episódio mais vergonhoso da história este lindo país.  No infeliz monumeto ha estátuas de bravos soldados em combate... mas me recusei a tirar fotos melhores!!




















Aconteceu uma confusa e cansativa busca por um hotel... era carnaval e estava tudo lotado...    Fui ao melhor hotel onde não havia vagas...   

Arrumei um quarto em um treme-treme pintado de cor de rosa (este foi definitivamento o dia com o pior hotel na minha vida)


Voltei ao melhor restaurante da cidade para escrever isto...  exausto ... saio daqui e vou dormir em um quarto com carpete e paredes vermelhas e um ar condicionado injuriado. 


Norman Bates não teve coragem de dormir aqui... Mas eu enfreitei!!!!








Acima: O trecho entre o Hotel cortaderas e o Paso san Francisco.

Abaixo: descendo os Andes, até Fiambalé e para Belén










clique aqui para o post no Paso San Francisco em 20112



“What makes the desert beautiful is that, somewhere, it hides a well” – Antoine de Saint Exupery



                          Etapa de hoje:  560,7 km
Tempo andando: 07:27
Tempo total: 10:49
Distância acumulada: 3.652 km



domingo, 26 de fevereiro de 2017

Voltado a um lugar conhecido




Já está Funcionando
 o novo sistema de índice para facilitar pesquisas:

Logo à direita voce encontra
um link para o índice por assunto.

               Experimente!!!




A noite foi calma e longa, muito barulho do bairro e dos adolescentes no jardim.

Acordei as sete e pulei da cama: não havia nenhuma nuvem no céu!!!

Nem precisa adivinhar... o café da manha foi paupérrimo apesar do carinho da dona do lugar. Eu bem que tentei, mas não consegui "tomar emprestado" nenhum quitute do café da manha.

Operação varzea: a ridícula carga extra na moto...  para quem faz cara feia,  eu digo que sou Argentino..


Me arrumei rapidamente e fui correndo subir a mineria  e o cablecarril. O Exmo. Sr. General Belgrano estava em traje de gala: coberto de neve!!! (leiam o post " teleférico ao nada")

Adorei o passeio  e logo que desci rumo à cidade as nuvens começaram  a cobrir a cuesta de Famantina.

A etapa começou as  10:15 e a temperatura era de  18°C, ainda...  Sair de Chilecito é chato, a La Cuarenta não atravessa a cidade, ela se funde com as estreitas ruas no sentido norte/sul. Ha uma avenida perimetral, longa, nova e deserta. Resolvi seguir pelo centro da cidade, onde parei para abastecer (exatos 10 litros que eu precisaria até o próximo e manjado posto). 






O limite norte da cidade fica na ponte sobre o rio Sarmiento. Segui pela RN40 para o norte e a minha esquerda se levantou a Cuesta de Famantina. Logo a cuesta se interrompe para a passagem do Arroyo Capayan, que se for seguido para Oeste leva à vila dos ferozes Famantinos. Ha uma caminho por ali que me pouparia cerca de 80km, mas ha um trecho muito abandonado de 35km em ripio, Este trecho faz parte da original RN40. Mais uma vez resolvi guardar a sorte e as sete vidas para os próximos dias. Segui pelo caminho mais longo e muito bem asfaltado.


Acima: saindo pela RN40 com a Cuesta de La Rioja ao fundo.  

Abaixo: O caminho segue para o norte por entre duas monumentais Cuestas, Famantina e La Rioja. Eu não esperava que o lugar fosse tão magnífico.(10:20, alt.:1.080m, 24°C)


Acima e abaixo:Logo antes da entrada para Famantina e abaixo o rio Capayan







O limite norte da cidade fica na ponte sobre o rio Sarmiento.  Segui pela RN40 para o norte e a minha esquerda se levanta a Cuesta de Famantina, à direita a colossal Cuesta de La Rioja. Logo a cuesta se interrompe para a passagem do Arroyo Capayan, que se for seguido para Oeste leva à vila dos ferozes Famantinos. Ha uma caminho por ali (outro trecho original da Cuarenta) que me pouparia cerca de 80km, mas ha um trecho muito abandonado de 25km em ripio. Mais uma vez resolvi guardar a sorte e as sete vidas para os próximos dias. Segui pelo caminho mais longo e muito bem asfaltado.










A estrada segue para o norte, cerca de 90km depois vira para nordeste até encontrar o vale do rio Los Sauces e seguiu norte até encontrar a RN60. Este rio criou uma vale muito fertil e extensamente cultivado, principalmente por vinhas e oliveiras. Passei por vilas e haciendas e o caminho é um prazer, apesar de Intí brilhando e levando tudo a 29°C.



Acima: A longa descida para o Vale do Sauces. 

Acima: a descida e o lindo vale do rio Sauces. Uvas e oliveiras, Muito bonito, organizado e próspero! 

Abaixo: parada pra água y manzanas logo antes de encontrar a RN60(11:40, alt.:940m, 31°C)



A Carretera Panamericana  se interrompe em um estroncamento com a RN60. Já conhecemos a RN60! É a estrada que vem de Fiambalá, passamos por ali em 3 de janeiro de 2012.

O plano era voltar a um dos lugares e uma das estradas que mais me impressionaram por todas minhas vadiagens Andinas.

Na RN60 virei para oeste (esquerda né...), exatos cinco km depois a RN40 recomeça para o norte, sentido Bolivia (somente 950km até a fronteira, moleza!). Segui para oeste sentido Fiambalá.

Naquele 3 de janeiro de 2012, eu saí de Fiambalá sentido Cordoba, ou seja para o sul. Portanto deixei nas minhas costas o que agora eu via pela frente: o imenso vale onde fica Fiambala, com a Cuesta de Zapalla à direita (com seus picos de 3.700m) e o bloco central da cordilheira à minha esquerda e ao fundo. Impressionante!!! 

Acima: o fim da ferrovia acabou com muitas vilas por onde hoje passa a RN60.Foto proxima a Tinogasta. (12:20, alt.:1.280m, 30°C) 


Abaixo: isto sim é deserto!  A entrada do vale, com a serra de Zapala à esquerda, onde ha picos de 4.500m (14:17, alt.:1.460m, 33°C) 



Entrei em Fiambalá eram 14:00 (alt.:1.515; 34°C ) e parei imediatamente no já conhecido posto de gasolina. Os frentistas me orientaram quanto à compra de pesos em um caixa automático e me alertaram sobre muita chuvae muito frio nas partes altas: Má noticia...

Fiambalá é um ponto turistico, existem algumas pousadas mas tudo sem nenhuma sofisticação. Andei pela vila em busca de um comedor, o que encontrei estava lotado e os pratos que passavam eram horrendos.

Voltei ao posto para abastecer e para almoçar no novo e ampliado boteco do conhecido Señor Fernando. 

Por sinal, no boteco do gentilíssimo senhor se fazem excelentes sandubas de pão de miga com Queso & Jamón. Levei alguns, junto de nutritivas batatinhas fritas e barrinhas de cereal. Nos proximos dois dias não haverá nenhum lugar para pedir comida. 

Eu ja tinha o plano todo pronto e havia um problema sério: Autonomia.



Acima: o conehecido porto de gasolina (onde abasteci com 58 litros) e o bar do gentil Sr. Fernando. 

Nos próximos dois dias eu vou andar 810km sem nada de posto de gasolina (o mesmo de São Paulo até o porto de tubarão em Santa Catarina). Daí a presença do ridículo reservatório vermelho de 25l. Com a Rocinante carregada a autonomia de segurança é de 490km, e acima de 3.500m a moça bebe muito menos, mas havia sobra no calculo que eu fiz...  Sobrava, mas não muito... Sobravam umas centenas de metros...

Abaixo: O começo da maravilhosa subida para o Paso San Francisco, caminho ao Chile.


Acima e abaixo, a quarta vez por este caminho, sem duvida uma das mais lindas
e impressionantes por todos os Andes, esta estrada sai de Fiambalá e sobe 
até 4.670m no Paso San Francisco. (15:50, alt.:3.000m Aprox , 21°C) 














































Saí de Fiambalá eram 15:00. A temperatura ainda era de 29°C com um forte vento sul.  Segui para a última etapa como quem conhecia bem o trecho (vide post "começando o ano" - 2 jan 2012 e assista o vídeo). Estava de volta à estrada quase perfeita. Desta vez com 43kg de gasolina... 24kg no tanque e 19kg no reservatorio!!!

Acima: Na subida rumo ao chile pelo vale do Chaschuil.  As montanhas nevadas ao fundo se chamam Las Lozas.



A subida foi linda e sem sustos, somente 94km até chegar ao destino. A altitude foi subindo e a temperatura baixando, conforme o esperado. O final de tarde estava colorido e muito bonito. Cheguei ao hotel eram  17:30  da tarde e faziam 10,5°C no sol acolhedor. 



Acima: Nunca chove no Atacama???  Esta é a estrada inundada pelas chuvas torrenciais de março....













Segui pelo acesso esburacado de pedras soltas com cuidado e parei beeem em frente da escadaria principal do Hotel Cortaderas!!!  Sim o mesmo lugar assombrado com adolescentes morto-vivos por onde passei na noite chuvosa de 31 de dez de 2011!! (vide post "começando o ano" - 2 jan 2012)



Acima: A escolha das cores não foi muito feliz, a imponente escada termina no nada. Jardins? Nem pensar!!!



Acima: Finalmente entrando para ficar neste hotel. Foi dificilimo encontrar o responsavel pelas reservas e conseguir um orçamento. 

Abaixo: o amplo e gelado restaurante e concierge, que também é a casa de um enorme e peludo cachorro preto!  
























O lugar foi construído pelo governo da provincia para fomentar o turismo. E  é administrado pela secretaria de turismo local. Resumindo: a gestão é caótica!! O hotel funciona poucos meses no ano e não ha um sistema de reservas, mandei emails e mensagens de facebook a uma duzia de pessoas, semanas depois recebi uma mensagem tipo: " pode vir, traga dinheiro".

A construção é simples, o arquiteto bem que tentou imprimir um quê de Art Decó à fachada, mas algum outro artista pintou o hotel de verde pistache com a monumental fachada em cor de goiabada Cica.  A recepção é tal qual o deserto: ampla, minimalista e fria. O atendimento foi amigável e sem nenhuma frescura. Como em todo o hotel-fim-de-mundo que eu estive, os funcionários estão lá para não serem incomodados...  o tamanha do staff impressiona: só há DUAS pessoas!!!

Este é o legítimo hotel "O Iluminado" !!! Andei por enormes corredores vazios, passei por bares desertos que nunca foram usados, por salas de tv que nunca foram ligadas até chegar a um quarto muito bom, enorme, 
com um chuveiro caliente e uma cama convidativa!  Os moveis são modernos, a roupa de cama excelente e tudo com cara de que nunca foi usado.

Detalhe, todas as portas de saída e todas as janelas estão lacradas com fita adesiva para não serem abertas e não deixarem a poeira entrar!!   Logo rasquei as fitas e abri a minúscula janela para deixar o ar gelado e seco desintoxicar o lugar. Quase trouxe a Rocinante para aproveitar do conforto!


Abaixo: Tudo é amplo, gelado e vazio...  Duvido que alguem um dia usou este bar, que fica no longo caminho para o meu quarto. Do restaurante até minha cama eram 185 metros de solidão!!!




















Malas abertas, banho (há uma janela de horario com agua quente), roupa aconchegante e mais uma vez a longa caminhada até o restaurante. Fiquei tentando atualizar o blog e avisar as pessoas importantes de que eu estava bem.  Pra variar a  net aqui é uma catástrofe. 

Eu  vi um grupo de turistas na mesa ao lado comendo pratos fartos e saborosos, fiquei entusiasmado!  Quando o adolescente veio me atender unformou que só havia batata frita, pollo ou milanesa ( a versão andina do nosso Bife a milanesa, só que não é crocante nem saboroso). Imediatamente apontei para o jantar da mesa vizinha e o guri laconicamente me disse que aquela empresa de turismo traz sua propria comida!!! Andei muito pelo mundo e nunca vi algo assim!!!

Después do jantar (um dia eu conto tudo de inacreditável que aconteceu neste hotel psicodélico...) eu fiquei montando alternativas para o roteiro caso o próximo trecho esteja muito frio e com chuva. 

Saí para o pateo para sentir o lugar. A noite esta fechada com pesadas nuvens e a temperatura caiu muito. Eu sabia que o dia iria amanhecer lindo no dia seguinte.

Amanha algumas das malas ficarão neste hotel. Então tenho que re arrumar tudo, separando o que vai e o que fica...

Deitei na cama cedo, demorei para dormir por conta da ansiedade, eu passei coisa de 4 anos planejando o dia de amanha!!!


Abaixo: A vista fantástica da minúscula janela no meu quarto.(18:20, alt.:3.370m , 12°C) 






































Acima: o trajeto de hoje poderia ter sido encurtado usando a RP11, que é o traçado original da RN40. mas eu não quiz arriscar 35k de rípio por onde não passa ninguém. o trecho foi parcialmente pavimentado em 2018.






Keep close to Nature's heart... 
break clear away, once in awhile, and climb a mountain or spend a week in the woods. Wash your spirit clean. John Muir










                            Etapa de hoje:  355,9 km
Tempo andando: 04:20
Tempo total: 9:08
Distância acumulada: 3.125 km