quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Adiós desierto... bienvenido el oceano!!!!

Dormi muitíssimo bem, acordei antes da recepção chamar, as 6:30.

Aquela coisa de empacotar malas estava pronta desde as 19:00 de ontem. Com as 3 motos juntas, partimos em direção a Calama, que fica a NW  e a  90km de San Pedro. Paramos sobre o Vale da Lua para nos despedirmos do vale "onde nunca chove". 



Na estrada saindo de san Pedro, ha um mirante para o vale de la luna.









O caminho para Calama, uma importante cidade que existe por causa da mineração de cobre, não tem muitos atrativos, subimos de 2.400 até 3.300m  para depois descer a dois mil metros onde fica a cidade. É o último trecho onde vejo os picos nevados dos Andes.  Mis tres amigos seguem para o norte, vão passar uns dias em Iquique e eu vou para o sul, em direção a Antofagasta e Copiapó, com uma noite em Taltal.
















Os mais de 200km entre Calama e Antofagasta são um porre. A região tem intensa atividade de exploração de vários minérios. Se vê trens enormes subindo ou descendo e a estrada é lotada de carretas enormes. Há uma poeira no ar que deixa tudo rosado, cor de pó de arroz, repare a cor do solo e das montanhas e entenderá. Não há vegetação alguma.







A chegada a Antofagasta é curiosa, o GPS indica que faltam menos de 20km e a altitude ainda em1.200m. Daí no meio do caos de caminhões e taxis se desce por um vale apertado e bem íngreme. A cidade e o oceano Pacífico surgem de repente.






















Vou direto à avenida costeira.  É indescritível a sensação de se chegar ao Oceano Pacífico. Olhar para  a praia e saber que para a esquerda se vai ao sul, e que o sol vai se por no mar já não é novidade para mim, o que vem forte é a ideia de ter deixado todo o continente para trás, de ter completado uma missão ou de ter superado o chaco, a chuva, o tédio e a neve.

 De São Paulo até aqui!! Cross Coutry ou  Continent crossing???













Abaixo: O Pacífico está mais azul do que nunca nesta tarde. 


O Trapiche original que gerou o porto de Antofagasta.



















































Preciso cuidar da Rocinante, e nos últimos dias surgiu um ronco no cambio que me parece rolamento do eixo primário, aquele logo após a embreagem, tem horas que não ronca, tem horas que ronca mais. Preciso trocar o óleo do motor e ver como anda este óleo de cambio.

Passo por um posto Shell  muito grande e arrumado, pergunto se podem trocar o aceite (óleo) da caja de marchas (cambio)  e eles me dizem algo num sotaque initeligível e me apontam para uma loja do outro lado da rua: Lubricentro Mobil!!!   Mui Bueno!!!































O Lubricentro Mobil, vende lubrificantes LiquiMoly, uma marca alemã super high tech! Eles tinham de tudo que eu queria da LiquiMoly desde redutores de atrito de MoSO4 ( Bissulfeto de molibdênio para os não iniciados) até óleos mutigrade (excelentes para os não iniciados) para a Caja de marchas. 













Ou seja, servi caviar com champagne para a Rocinante, mesmo que em um picnic em Cubatão...













O aspecto e o cheiro do Lubricentro não me espantam, aliás, me remetem às oficinas da fazenda ou da minha adolescência. Ou seja: uma meleca total!!!    Sou tratado como rei, como se eu estivesse na Officer ou na PerfectMotors!!! 



Saindo do paraíso de lubrificantes, resolvo almoçar bem e leve. Penso no cassino, mas quando passo na frente do Yacht Club, nem penso duas vezes. Quase no final da sobremesa, um cara muito simpático joga uma jaqueta Spidi na cadeira e coloca um capacete BMWsystem6 na mesa. Acabo de fazer mais um amigo!  O simpatissíssimo Boris!  Também dono de BMW. A conversa é ótima!   Ele me indica um caminho alternativo: ao invés  de seguir a Ruta 5 até Taltal descer via Paposo!!!  









Grande dica. El nuevo camino me livrou delos autocaminhones  e me colocou em um cenário absurdamente maravilhoso!  Saindo da lotada Ruta 5, subo até 2.300m por um vale lindo (mesmo sem nenhum vegetal, sin ratones e sin culebras). 








Maravilhoso. Lá pelas tantas surge uma placa indicado “observatório” e a estrada sobe a parte N do vale ( direita para quem continua perdido...). Precisa perguntar duas vezes? Chego ao  magnífico  Observatório Paranal, que fica a 2.700m.  Não posso entrar, óbvio, mas as fotos mesmo de fora ficam ótimas. 

















Vejam o disco voador que eles capturaram!!!
ook! isto é uma antena de radio telescópio, tem cerca de 8 m de diametro. Mesmo assim é mais interessante que um disco voador!!!



Saindo do observatório e voltando ao vale.
Repare nas cores... tudo neste rosa-pó-de-arroz!





Consegue ver o oceano???


Logo após retornar para a ruta principal, a  serra começa descer para o oceano. Mesmo filme, a menos de 25 km da costa ainda estou a 2.000m. Descida por uma quebrada muito íngreme, só que desta vez o lugar é lindo e as curvas perfeitas. Paro em um mirante para as fotos. 

Surge um casal Belga que tentou passar pelo passo de Agua Negra e pelo San Francisco e não conseguiu: ambos fechados por causa do “ inverno altiplano” e sua neve...  neve??? Fechados???  Magina... onde já se viu nevar em dezembro e no deserto??   ( você leu o que eu passei no dia 25 de dezembro???). Na verdade, quase tudo que estes belgas disseram não teve nenhuma relação com a realidade... falaram um monte de bobagens...




O Encontro de dois grandes desertos.


Peligro? Donde?


Abaixo: seguindo este caminho (para o Norte... lembrou onde estamos?) se vai a Caleta El Cobre. Um caminho lindo, beirando o mar por 98km. A beleza e a proximidade do mar enganam: a rota até El Cobre é perigosa, areia, buracos, pedras, sem água e não passa ninguém por lá. Saindo de Antofagasta para o sul, só se consegue ir por cerca de 20km até um lugar chamado Puerto Coloso. Ao sul de puerto coloso são cerca de 50km (linha reta) de rochas altas terminando no mar até El Cobre.

Desde Valparaíso até Punta Bombón (o primeiro oásis na costa Peruana) são ceca de 2300km. Imagino o desespero de navegadores espanhóis do sec. XVI ao se deparar com este lugar ! Algo como 15 dias navegando de costa inóspita onde os Andes encontram o Pacífico, somente rochas, praias sem vegetação e nada de água. Isto navegando em um oceano que só é Pacífico no nome... 




Porto de Paposo










Foram somente 45 Km pela costa, neste cenário único, foi pouco não acha?? 


O caminho do Boris me proporcionou 49Km de costa do Pacífico versus Andes. Lindo! Muito mais legal do que a Hwy 1 de vai de Carmel a San Luiz Obispo!!!  Linda tarde, lindo céu e o encontro de dois grandes desertos.

Chego a Taltal. Uma pequena, média vai, vila a  beira da praia. Durante o século XIX era um porto baleeiro (leiam Moby Dick urgente...).  Até o começo dos anos 30 era um importante porto para escoar  e sustentar as minas de salitre, enxofre, prata e cobre. Talvez após o crescimento de Antofagasta este lugar decaiu. É demais de curiosa. Existem várias e várias construções antigas recicladas. E o píer decadente, a locomotiva escondida na praça e outras ruínas  denunciam o passado de glória. 


Chegando em Taltal.




O que restou do cais do porto e de suas fábricas e casas.


Logo antes da primeira guerra mundial, os alemães sintetizaram amonia e outros nitratos. O salitre Chileno se tornou dispensável, além de mais caro, e toda a economia desta costa nunca mais foi a mesma. Vários historiadores se referem a este período como a era do salitre.




No portico diz 1886... 



Estou muito confortável em um pequeno hotel que é uma graça, qualquer coisa depois daquela cidade poeirenta feita de adobe é lindo...



















O hotel se chama Mí Tampi ("o meu tempo", no dialeto local). É impecável!  Pequeno e simples, com toalhas fofas, lençóis ótimos e doces senhorinhas tomando conta de mim. Deixei uma gorda gorjeta e recomento o hotel a todos! Indescritível!







Amanha é dia de praia (...justo eu...) e de chegar a Copiapó. Tenho duas coisas a considerar: se o passo de San Francisco está aberto (neve e hum grau de novo? Não obrigado...)  e como evolui o ronco no cambio da Rocinante. 

A situação ideal é cruzar o S Fco e dormir em Fiambalá.


A opção extrema é deixar a querida companheira numa oficina BMW em Santiago e voar até o Uruguay...   amanha veremos!


















































































"There are no foreign lands. It is the traveller only who is foreign." -Robert Louis Stevenson 




segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Paso de Jama De volta à cena do crime!


Hoje o planeta acordou em ordem, ou seja: chove na praia e faz sol no deserto.

Incluí alguns comentários em azul a partir de maio de 2012, acompanhe...

Dormi muito mal. No hotel havia um grupo extremamente barulhento de velhinhos pilotos de Volvo comemorando o 25 de dezembro. dormi mal mas acordei cedo pensando em só andar a pé pela cidade.




O problema é o vício de andar de moto, depois de alguns dias andando mais de 500km em um dia, no mínimo 6 horas em cima dela por dia, você não consegue ficar caminhando, lendo ou vendo lojinhas. Parece namorinho de adolescente: eu não consigo ficar longe da  Rocinante ...
  
Eu não aguentei a calma e o sossego nesta cidade modorrenta... O legal é que por onde quer se se esteja em São Pedro, você vê o Licancabur ao fundo. 

Totalmente inconformado com o que eu passei ontem e por não ter visto nada de um pedaço maravilhoso do planeta, eu resolvi retornar ao Paso de Jama, mais especificamente aos Montes de la Pacama, o último e mais alto (e problemático) trecho da viagem de ontem.

Mas eu saí do hotel totalmente despreparado, porque o plano era caminhar como qualquer outro turista pela cidade, sem casacos para frio e pasmem: de tenis!!!

Saindo do hotel me perco no labirinto que é isto aqui... tento marcar um tour astronômico mas os donos do telescópio  (cosnta que são bichas histéricas) sumiram. O tal do tour é o maximo!! Mas Por conta da tal da tempestade na Bolivia ( leia mais no post do dia 26), o céu ficou todas as noites encoberto por uma camada de cirrus. nem ví o céu estrelado do deserto! Aliás... eu NUNCA vi o céu estralado do Atacama.

Antes de sair da cidade o vulcão Licancabur e a serra de Pacama impressionam.

Vou Inverter as fotos e a narrativa... como se eu estivesse chegando da argentina...  fingindo que hoje é ontem.. entenderam? Não né...  never mind...  vamos lá!

Vindo da aduana argentina se encontra o salar de Aguas Calientes... Um de vários... de longe a água parece turmalina. Repare no tamanho da montanha e nos picos nevados. Isto na verdade é um parque nacional, Los flamingos. Atrás destas montanhas fica o salar de tara. eu tinha um passeio planejado até lá, não ha estradas só um caminho e estava tudo planilhado no GPS. Só faltou um detalhe: saber andar com a GS em terreno fofo e arenoso... Juro que eu tentei nesta manha, e mesmo com a moto sem malas eu não me senti seguro.




Acima: Do salar Aguas Calientes até o pico nevado são 1.100m de diferença...


Subindo direção N, as montanhas são sempre vermelhas, dependendo da incidencia do sol tomam outras cores.


Existem sempre pequenas lagunas ou pequenos  pântanos  como este, este é o maior que eu encontrei. Acredite, lá no fundo há muitos flamingos! 


Acima e abaixo: Este trecho do rio Quepiaco (acima e abaixo) faz parte do , Parque Nacional de los Flamingos e fica à sombra do magnífico vulcão Purico com 5.670m de altitude. 13:40 - 8,5°C

Abaixo: as fantásticas Vicunhas!!!  Ao contrário das Llamas, são pequenas, rápidas e medrosas.

























Estes pantanos formados pelo degelo se chamam Bofedais. Além dos insetos de sempre, não ha vida na água, na verdade ela cheira mal. Mas ha algo aqui que os flamingos adoram. Detéeeestam turistas! Quanto mais perto vc tenta chegar... mais longe eles vão...









Ao fundo a serra de Pacama, repare na cor do solo e no contraste com o azul e o branco... é tudo assim por aqui.








Vulcão Juriques!!!






Cadê o Boneco de neve?????



A montanhas ao fundo já são parte da Bolívia. A partir daqui, é só uma longa e reta descida até San Pedro.

















O ponto mais elevado. A linha vermelha é a fronteira com Bolívia. Mesmo no sol a temperatura era de 9C. Mas sem chuva tudo fica lindo!Lugar lindo!! eu estava congelando... me sentei no asfalto para esquentar. Os 9C não são tão frios assim... mas eu estava somente com duas camisetas e um tenis daqueles beeem ventilados...Eu me arrependo de não ter feito boneco de neve!!!













Acima. Chove na Bolívia, bom para a agricultura local (coca). A lagoa no fundo é a Laguna Verde, a água é verde claro de tanto arsênico. A foto não traz a grandiosidade das cores e nem o impacto da chuva na lagoa. 











Fronteira entre Bolivia e Chile, os vulcões Licancabur (5.890m ao fundo) e Juriques ( 5.600m).










A 500m: índios, Evo Morales, cocaneros, FARC... nada além de problemas...











Este vale é o Atacama. 2.400m abaixo de onde estou, e 20C mais quente.

Motor ligado ( para aquecer as mãos) e ponto morto por quase dez km...



Fiz questão de tirar esta foto! vejam no post anterior como estava este lugar 15 horas antes!!!San Pedro de Atacama fica naquela mancha verde à esquerda. 



 Mira mamá!!!  El Licancabur ( 5.890m) !!!



"The traveller sees what he sees, the tourist sees what he has come to see." -Gilbert K. Chesterton