segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Paso de San Francisco Começando o ano em grande altitude!!!



Tudo bem que eu não sou magrinho... mas estou cheio de casacos para aguentar o vento e os seis graus!!!







Vou contar um pouco do que aconteceu na noite passada. A descida do Paso até Fiambalá se iniciou comigo completamente coberto por uma espessa neblina.


Nesta descida a estrada é fantástica! O Asfalto é perfeito, formando um caracoles com curvas de 180 graus descendo com rapidez. À minha esquerda estava o maciço central andino e à direita eu via o vale abaixo do vulcão Incahuasi com seu branco salar. Tudo isto sob a cobertura das nuvens que eu deixei para traz.

A aduana fica a 4.000m de altitude, de frente para o salar de San Francisco e para o Incahuasi. Já estava anoitecendo e começava uma chuva bem fina. 

Fui muito bem recebido na aduana. Ficamos um pouco de conversa e daí cada um se sentou em sua mesa para o trabalho de me admitir em seu país. O processo é burocrático mas não foi demorado e a conversa foi boa. Existe um curioso protocolo: Primeiro o sujeito “a” recebe meus documentos, depois fui à mesa do Sujeito “b” para assinar um livro enorme, parecido com os livros antigos de cartório no Brasil, o sujeito “c” me devolve o papelório com formalidade. Fiquei observando o grande forno de metal fundido, movido à lenha, que serve para aquecer o local.  

Saindo da aduana ficam Las Peladas (uma muralha de montanhas nevadas, não são meninas...),
totalmente escondidas nas nuvens, e a minha direita um bloco de rochas que se  segue para leste delineando o começo da Quebrada de Chaschuil, o vale que me levaria a Fiambalá. A pouca luz do dia (ja eram quase 20:00) e as nuvens baixas deram um tom marrom escuro às plantas que normalmente são douradas sob o sol e deixou as rochas negras ainda mais negras: a cena era fantasmagórica.

Coisa de 9 km após a aduana, a estrada vira para sul e  desce. A cada minuto a altitude diminuía, a temperatura caía e a luz desaparecia. As únicas coisas que aumentavam eram a chuva e meu cansaço. Segui a cerca de 140 km/h. Apesar de tudo eu estava tranquilo e com muito combustível a bordo.


A noite ficou realmente escura. Depois de uns 85 km da aduana, cerca de 3.400m de altitude, percebi no meio da escuridão um edifício grande que parecia um oásis naquele frio e chuva. Tratava-se (fiquei sabendo dias depois) do Hotel Cortaderas, um quatro estrelas encrustado naquele vale. Decidi entrar. A estradinha de acesso era muito ruim e estava chovendo mesmo. Fiquei preocupado porque não via nenhuma luz acesa. Também estava extremamente atento para não escorregar ou cair em algum buraco.

Percebi que no final do edifício, onde talvez fosse o concierge (imaginei meninas bonitas, sorridentes, solícitas, impecavelmente trajadas e me recebendo em francês) havia algumas salas iluminadas. Estacionei onde pude, ao lado de onde estava iluminado e entrei.


Fui muito bem recebido por dois adolescentes de camiseta, shorts e descalços. Os simpáticos eram da equipe de manutenção que ficou ali naqueles dias em que o lugar estaria fechado. Imediatamente me lembrei do filme “O Iluminado”!  Correu um frio na espinha: aqueles garotos iriam me colocar para dormir, depois iriam me cortar em pedacinhos, vender meus órgãos e a Rocinante viraria motor de gerador, com suas rodas equipando uma carroça...

Realmente me deu medo. Acho que alguém ofereceu uma cama, mas o pavor era tamanho...  Não aceitei o café apetitosamente quente e arrumei uma desculpa para desaparecer dali!!! Por isto que eu acredito que quanto mais televisão eu assisto, pior eu fico!!!

A estrada segue sentido sul por um padrão repetitivo, trechos de reta com pouca inclinação, e a cada 10 ou 15 km uma serrinha mais íngreme.  A estrada como sempre excelente e apesar da escuridão total eu conseguia viajar  a 120 ou até 140 km/h. Andei muito tempo entre 3.400m e 3200m de altitude. Mais uma vez eu celebrava cada 100m de queda na altitude e cada grau que a temperatura subia. Quando marcou 15 °C , eu abri o capacete, os zíperes da jaqueta e comemorei o “calor”. Com o “calor” a chuva fina sumiu e a estrada ficou realmente gostosa.


Faltando 60 km para Fiambalá acontece a última serra, esta em sentido a leste, que sai de 3.000m e desce até a cidade. A coisa de 30 km do final da etapa já se via o clarão da cidade e um “calor” de 24 graus.




Parei na praça  ( a principal e a única...) e toda a polícia veio me ver! Muito simpáticos, as mesmas  perguntas  e o espanto em saber q estou sozinho. Me indicaram onde ficava a Hosteria Municipal e logo eu estava no quarto com um excelente banho e ar condicionado. 

Fecharam o hotel para uma ceia de  ano novo, o dono de restaurante me acomodou numa mesa no canto, um bifinho, salada e cerveja. Era mais do que eu precisava naquela noite de ano novo.   Logo estava de volta para o meu quarto com ar condicionado.  Ar Condicionado?  Sim!!!  Para quem está a dez horas aclimatado a não mais do que dez graus, 23°C são um forno!!!Desmaiei na cama dura e mal ouvi os fogos de artifício comemorando o ano novo...




Foram 7:44 de deslocamento para percorrer 543km (70 km/h de média). Contando minhas paradas para fotos, caminhadas atrás de plantas e insetos, bate papo com os raros seres humanos que encontrei, paradas na aduana, para água, para insultar o engenheiro que jogou aquele cascalho no chão, para descansar do rípio infernal e ficar feito bobo hipnotizado pelos vulcões, foram 12:40 de viagem.

Os últimos 200km desde a fronteira foram de chuva, altitude e frio, o mesmo filme da passagem por Jama no dia 25 de dezembro, só que desta vez sem neve, ufa! 

Como eu não vi NADA do trecho da fronteira até Fiambalá, a melhor opção seria gastar meu ultimo dia na cordilheira revendo o que eu perdi por causa da escuridão com chuva...



O colossal Vulcão Incahuasi. 6.070m. A esquerda Las Peladas. foto tirada  a 4.400m de W para E.


No dia seguinte...

Não sei quando nem porque eu tive a genial ideia de ficar dois dias em Fiambalá, então tive todo este dia primeiro de janeiro para começar o ano com tempo para vasculhar o meu último trecho de cordilheira dos Andes.

Fiambalá fica a 1.400m, a saída para o San Francisco, voltando ao Chile,  sai por NW, segue para o norte e depois de 120km se vira para W.


Logo após sair da cidade e percorrer cerca de 10km pelo vale, a quentes 35C, acontece uma pequena serra que eleva até 2.100m.


Mais um pouco e acontece uma serra absurdamente legal com morros em rocha negra e rocha vermelha, curvas fechadas e estrada vazia. O sonho de qualquer um de duas rodas. Como eu estava sem as pesadas malas, eu andei forte mesmo!!!


Sobe-se para 3.00om e a estrada vai sentido N pelo meio de um amplo vale por mais 11okm, sobe até 3.500m, desce para 3.100 aí por diante , a temperatura cai para cerca de 15C . Isto até uma ladeira bem forte, ao lado de Las Peladas ( uma serra, não as meninas...) e até a aduana que está em um vale beeeem úmido a 4.o00m e 9C...  Nenhum carro. Muitas Vicunhas, condores, sombra do Incahuasi, dia lindo e aquele sileeenciooooo...


Saindo da Aduana acontece a última serra, bem apertada, curvas fechadas, temperatura despencando e um vento muito forte.  Se há no planeta uma serra ideal, esta é ela! O último trecho é barbaro! curvas de 180graus e muita área de escape, Nenhum carro. A pena é q a GS vai ficando mais fraca a partir de 4.000m.


Paro a moto a 4.700m, o vento quase me derruba e tremo de frio com os seis graus de temperatura. Isto eram 14:00.




Isto é Fiambalá. simples e ninguém na rua. Quem você encontra está totalmente em marcha lenta e sem disposição para nada.  varios daqueles preguiçosos com a boca cheia de folhas de coca...

Na serra que vai de 1600 a 2.500m de altura existes estas magníficas rochas vermelhas. Lindo.






Estas montanhas se chamam  "Las Peladas" .

Vicunhas! Passaram todas na minha frente, mas até pegar e ligar a camera...

Simpatisíssimas Alpinistas!!!

As três meninas maravilhosas estão se aclimatando  para subir o Vulcão San Francisco, acima.










As três queridíssimas alpinistas!!!  Fui recebido de braços abertos com muita festa e muito carinho!
Durante a conversa dentro do refúgio, surgiu o assunto sobre nós os viajantes da montanha. De como adoramos nos encontrar, falar, trocar histórias...  A Claudia ( mais a dir) disse que todas pessoas que veem ao atiplano teem muitas  coisas em comum...


A foto foi tirada dentro da cabaninha de socorro que existe ao lado da placa da fronteira. Existem várias destas casinhas ao longo da estrada e estão sempre abertas. Criticamos os Argentinos...  mas imagine estas cabaninhas no Brazil...

Espero nunca perder contato com todos que encontrei neste dias!!

Por que deixar uma garrafa dágua no Paso de San Francisco? rsrsrsrs   ...tu não sabes nada de Andes meu amigo...  ...nem venhas pra cá!!!














Acima: a simpatissísima Ichú ( stipa ichu), ela só existe acima de 4000m, é a fonde de vida para os camelídeos e deixam as montanhas douradas!!!  Repare: não há solo, a vegetação é esparsa. Procurei muito e não encontrei insetos. A noite dizem que aparecem pequenos roedores e lagartos. No hay Culebras!

Existe um coelho beem pequeno e peludo. Só vi um deles.

Sim existem Condores, mas não os fotografo  por que na foto eles perdem a majestade.  E não há reis sem majestade. Simples...

Andei muito a pé dentro do deserto até encontrar isto: Llareta!!!
Esta planta só aparece acima dos 4.000m. Ela só vive por cima das pedras, chegando a encobri-las totalmente. Cresce menos de 0,5 cm por ano, portanto esta valente criatura da foto deve ter algo perto de 50 anos de idade.

A parte verde é o alimento  das Vicunhas. para se defender ela tem pequenos "galhos " secos marrons extremamente duros e pontudos, tomei um susto quando percebi.  Tive a imensa sorte de encontrá-la florida.

 

O índios e outros habitantes daqui arrancavam as Llaretas e as usavam como combustível, 60 ou 90 anos de vida queimavam em meia hora. Quase acabaram e hoje são espécies protegidas.

Este tapete dourado é o pasto daqui. Esta planta também só cresce acima de 4.000m. É pequena e tem as pontas das folhas duras e amarelas. Quando tem muita água, ela cresce mais e fica toda verde, mas é raro ver isso. Normalmente a parte verde está escondida. É o alimento de vicunhas e roedores. Visto de longe, faz a borda dos morros ficar dourada, é lindo.



Brincar de National Geographic é muito legal... mas o frio e o vento!!! 



A direita o Incahuasi, 6.621m. No vale existem umas lagunas cheias de pássaros, mas por conta da ventania não havia nenhum flamingo.  A aduana e um hotel para alpinistas ficam neste vale.
Minha despedida do Altiplano: 6,5C, 4.764m de altitude, 198 km desde o posto de gasolina, média horaria de hoje 105km/h, vel max hoje 174 kmh e uma puta ventania de derrubar moto!  Vou sentir muita saudade!!

Veja o vídeo desta etapa: 







“In the high country of the mind one has to become adjusted to the thinner air of uncertainty...” - Robert Pirsig  - Zen and the art of motorcycle maitenance.


"We wander for distraction, but we travel for fulfilment." -Hilaire Belloc 













sábado, 31 de dezembro de 2011

O caminho de hoje...

Em Junho, eu acrescentei alguns comentários... em azul...

Alguns mapas do percurso de hoje.

A ideia é cruzar a cordilheira sentido Argentina por aqui.

Isto se:

 - não estiver interditado por neve

- não estiver nevando (vejam de novo o que aconteceu dia 25 de dezembro)

- A policía Caminera me deixar passar

- Nenhum outro imprevisto.

Alguns idiotas e arautos do apocalipse me encheram de bobagens e terrorismos. Monte de asneiras...  a neve se desfaz pela manha... a aduana só bloqueia quando o caminho está fechado mesmo no inverno... ou se vc. está carregado de produtos Bolivianos.

...e o caminho etava sendo todo retificado, em um traçado menos sinuoso e sendo preparado para para pavimentação... qualquer toyota corolla passa por aquelas estradas!!! Como eu não sou bom de pilotagem na terra e nem a GS (carregada pior) é uma boa Off road, sofri mais do que qualquer turista em um Gol bolinha.  

O Rally Dakkar cancelou a etapa por ali: eu acredito que se houvesse algum problema sério, não haveria tempo hábil para resolver o causo antes de a noite e o frio chegarem, decisão acertada.


Vamos aos mapas ( adoro mapas!!)

Primeiro trecho: sobe quase que em uma reta até 3.000m. São somente 30km de asfalto, depois veem quase 150km de uma terra compactada pintada com piche. Este pavimento funciona bem. Na aduana Chilena é fundamental uma conversa para saber como está a estrada, se está aberta e qual a previsão do clima.

A parte alta é  a mais interessante, se chama "Plaza de vulcones".  O piso é em Rípio solto, com areia. tem que andar devagar. logo após a lagoa fica a aduana Argentina, a partir de lá é asfalto novo até Fiambalá. 

 São 470 km, relativamente curto. Nada de gasolina no caminho, eu levo gasolina para 640km.







"If you come to a fork in the road, take it." -Yogi Berra 









Uno dia de plaja!!!!

São 22:15

Acrescentei alguns comentários... em azul...

Amanha tenho que acordar as seis para enfrentar o Paso de San Francisco de volta pra Argentina.
Entonces, vou publicar algumas fotos do dia super marcante... 

aproveitem!!!


Saindo de Taltal...  mais deserto entre 800 e 400m, 28 graus... linda paisagem e estrada gostosa...

Não consigo ver uma placa que eu entro!!!  Entrando no parque Pan de Azucar. 


Aquela península é o Pan de Azucar, a praia a direita.



Eu sempre digo: quando algo é divertido, os Chilenos proíbem!!!


Mamacita???  Chañaral és una ciudad repleta de chañas???


Nas duas fotos abaixo, rolou uma história engraçada...

Eu queria por que queria tomar banho no Pacífico. Saí da praia de Pãn de Azucar com arrependimento. Quando vi esta praia, eu decretei: Vai ser aqui mesmo!

Com aquele pavor paulistano de ser roubado, eu tantas fiz que encontrei uma casinha em ruínas onde dava para "esconder" a moto.  Tirei a roupa (capacete, jaqueta, calça, botas, luvas, camiseta...) e coloquei um calção, e fui caminhando...  com 30% do percurso até a praia, meus pés estavam queimando com o calor do chão e doendo muito! Voltei correndo até a moto, coloquei as botas e fui com botas sem meias com os pés reclamando. Na beira da água, entro heróicamente no mar com o firme intuito de mergulhar de cabeça no magnífico e azul Oceano Pacífico! 

Mal a água molhou meus joelhos e meus pés estavam gritando! Desta vez de frio!!!  Eu nunca vi algo tão gelado!!!
Amorteceu a pele nas pernas e os pés ficaram quase azuis!!!

Volto p moto num Puta mal humor!





Chañaral ao fundo!!!





Greatest luck!!  to meet this guy in a gas station. His name´s Israel, he drove all the way from Tenesse. Hope we keep in touch and good luck for him!!!






Bahia inglesa ( acima, uma pequena Buzius...) e a entrada em Copiapó! como cheguei cedo, não fui direto ao hotel, andei cerca de 100km pelo vale do rio Copiapó ( Abaixo), que segue a SE. Muito bonito!






sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Chegando em Nova Toledo


Acima: Don Diego de Almagro
Em 1534 o Rei da Espanha dividiu os territórios conquistados por Francisco Pizarro e seu sócio, Diego de Almagro (dois facínoras...), em duas partes. A primeira que se chamaria "Nueva Castilla"(do paralelo 1° até 14° de latitude sul, terminando perto de Cuzco), a segunda, mais ao sul  se chamaria " Nueva Toledo" (de 14° a 25° latitude sul, até Taltal no Chile).



Em 1535 Don Diego de Almagro (na foto) monta sua expedição, partindo de Cuzco, para tomar posse de Nueva Toledo e de suas riquezas, em um território que um dia se chamaria Chile.  Acreditando em boatos e histórias de bar, sai em busca de seu Eldorado. Partiu para o sul, seguindo uma trilha Inca com 500 soldados, uma trupe de cavalos e cerca de 2.000 índios como escravos. Ao invés de seguir pelo mar, resolve virar para sul-este e alcançar as majestosas, douradas e hipnóticas montanhas.



O que se sucede é uma das histórias mais fantásticas de estupidez, ignorancia e luta para sobreviver. Sem ter nenhum preparo, apesar de ter sido avisado no que estava se metendo, dirigiu quase três mil pessoas à morte certa. 

Durante sua marcha pelo Atacama, em altitudes entre 3 e 5 mil metros foram  enganados pelo calor e sol durante os dias de março, durante às noites os soldados literalmente viraram pedras de gelo. Os espanhóis eram burocráticos, portanto há relatos detalhados de absolutamente tudo deste período. 

As descrições são de pessoas e animais congelando ao encostar nas rochas (parece exagerado) ou durante o sono. Fome e todas as doenças do frio se somavam aos problemas da altitude, deserção dos índios e envenenamento com a água dos salares ou lagunas. Consta que os índios iam todos acorrentados pelo pescoço, os que morriam tinhas suas cabeças decepadas e depois presas à corrente, ou seja, ou você vem ou você vem! Nem pense em morrer!

Eu entendi bem o perigo que o hipnótico altiplano esconde, veja por este blog os sustos que eu passei sob efeito da Puna (o mal da altitude).

Em determinado momento, Don Diego monta acampamento no meio do deserto congelado e envia uma pequena expedição para ver o que há por perto. Esta expedição desce por um vale até encontrarem outro espanhol, Gonsalo Calvo (que roubara algum ouro de Pizarro e fugira...  ...ladrão que rouba de ladrão...), que estava calmo e confortável em uma tribo indígena num lugar chamado Copiapó. 






































Foto tirada dia 31 de dez...  eram 17:00 e faziam 8C. Leiam post dia 2 de janeiro 2012!!!

Os incas já conheciam esta passagem e o Inca Túpac Yupanqui (Filho de Pachacútec e avô do Inca Atahualpa) a utilizou para invadir o que hoje se chama de Chile. A este caminho que desce pelo vale de Copiapó e que salvou os poucos infelizes espanhóis que sobraram, Don Diego dá o nome de Paso de San Francisco em homenagem a Francisco Pizarro. Somente cerca de 100 soldados sobreviveram.


Quatrocentos e setenta e sete anos depois, e durante o verão, é a minha vez de cruzar os Andes por um dos caminhos mais longos, altos e difíceis. Os Rarleilos que se arrepiam só de ouvir falar em rípio devem parar a leitura por aqui:  dos 450 km de Copiapó até Fiambalá, cerca de 230 são por "estradas" sem pavimento. São também 450 Km sem posto Graal para concertar as rarlei e uma subida três vezes mais alta do que ir de Taubaté até Campos do Jordão. 

E tem mais: Inti deeetésta barulho!!!


Amanha é dia de fazer o caminho inverso que nosso anti-heroi espanhol fez!!! 


Talvez o dia mais esperado desta viagem...




Nova Toledo em 30 de dezembro de 2011 ( Copiapó)