segunda-feira, 28 de abril de 2014

A Ruta Nacional 40 – Carretera Panamericana


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Post atualizado, com mais mapas,  mais fotos e ainda mais detalhes e link para um vídeo na Abra de Acay. janeiro de 2018




Durante estes últimos oito anos dedicados a estudar e a viver a Cordilheira do Andes, descobri algo que me deixou fascinado. Por onde vivi dias lindos e momentos extremamente difíceis, onde passei calor, quase congelei, onde o sol me queimou e por onde eu tive que passar com a moto dentro de rios.

A Ruta Nacional número 40. Ou RN40; ou Panamericana; ou La Cuarenta e por aí a fora...

Vem comigo, leia e se entusiasme para passar por ela!


A Rocinante no trecho mais difícil da Ruta Nacional 40,
por volta das 15:30, altitude 4.000m, 11°C - 18 de novembro, 2017




A RN40, ou Ruta Austral é o trecho argentino da famosa Carretera Panamericana, que deveria começar no Texas e ir até a Patagônia, e por motivos óbvios nunca ficou pronta. O trecho mexicano foi palco de corridas de carro e o trecho argentino é o Graal (o cálice, não o posto...) para quem gosta de uma aventura em moto de verdade.


A parte oeste da Argentina é rasgada de norte a sul por um monumento nacional e uma lenda para quem viaja por terra. Quem tem daquelas motos americanas medíocres nunca ouviu falar... Ou morre de medo dela.

Vou ensaiar um paralelo. A rota 66 tem sua extensão no sentido leste para oeste, a pouca variação de latitude traz uniformidade no clima e a coisa acontece em um país onde tudo é previsivel e funciona.

A RN40 começa a uma latitude semelhante à de campos de Goytacases (estado do RJ) e desce mais ao sul do que o ponto mais austral da Nova Zelandia e chega a 1300km ( linha reta) do continente antártico.

Ha todos os tipos de clima e uma grande variedade de vegetação, embora o que predomine seja o deserto.

Esta estrada está em um país com uma história turbulenta, e que esta sempre à beira de mais e mais profundas crises. Posso dizer que a vida por ali é uma batalha diária e não é nada previsível. 

Por ali as coisas nem sempre funcionam da maneira que nós paulistas estamos acostumados. MAs eu tenho a obrigação de dizer que sempre fui recebido por pessoas maravilhosas e tive as melhores experiências quando o assunto são seres humanos.

Vou contar sobre a estrada e deixar que você mesmo viva e depois conte as suas experiencias com o inesperado, com o clima difícil, com o piso inseguro e com as fantásticas pessoas. 








Após muitos anos de esforço em cuidar e pavimentar a velha estrada, grande parte da RN40 ja está pavimentada com asfalto padrão europeu. Mas na parte norte ainda existem quase 680km de rípio legítimo e dasafiador.

Rípio é um pavimento feito de pequenas pedras que se soltaram dos Andes e continuam soltas pela estrada, e deixam a sua moto ainda mais solta e seu futuro mais incerto. Existem basicamente dois tipos: O Rípio duro que, apesar de compactado, tem pequenas pedras soltas que escorregam e o Rípio mole que seria algo como uma estrada de terra brasileira com muito, mas muito cascalho grande e solto. 

Experimentei todo o tipo de rípio pela Argentina, para mim o pior é do tipo em estradas mais movimentadas e em tese mais seguras, nestas a superfície fica coberta de costelas de vaca. Estas vazem a vida vibrar de uma maneira insegura e cansativa. Enfrentei cerda de uns 280km nesta situação e realmente foi dificil.  Ha raros trechos de areia que acontecem principalmente na primavera, antes das chuvas ( a chuva leva a areia embora). Nos hoje raros trechos em que a RN40 ainda está estreita e sem movimento, o piso mesmo em rípio é muito gostoso de se passar.


A RN40 nunca foi projetada, nem tampouco executada, como uma rodovia qualquer. Quando surgiu a ideia de uma estrada que ligasse as capitais do continente americano, o que aconteceu na Argentina foi organizar, interligar e melhorar uma série de caminhos que existiam entre Mendoza e a fronteira com a Bolivia. Em raros trechos houve construção. 

Vamos somente imaginar o que eram estas pequenas estradas e caminhos: Os veículos automotores eram raríssimos e só funcionavam próximos às cidades (pneus e combustível eram o limitador). Por aqueles caminhos andavam tropas a cavalo, manadas de gado ou lhamas, pequenas carroças. Pavimentação ou simples cortes e aterros eram um sonho distante e o perfil das rotas seguia o relevo. Pontes eram um raro luxo. Ha um mapa de 1940 que mostra o emaranhado de caminhos no norte do país, e quais destes foram ligados para formar o embrião da cuarenta

Quem  passou pela  estrada na década de 70 sofreu muito, principalmente com a falta de informação. Em vários lugares havia mais de uma Rn40 e placas simplesmente diziam " Ruta 40 Alternada". Foi durante os anos 80 e 90 que a coisa melhorou e muito, principalmente com a diretriz da YPF de colocar um ponto de combustível onde houvesse uma vila Argentina. Em 1994 começou um grande esforço para arrumar e pavimentar a estrada em sua parte sul. A pena é que muitas províncias aproveitaram a verba para modernizar e pavimentar outros caminhos que lhes eram importantes (principalmente na provincia de Mendoza), renomeando os novos trechos de "RN40". 


Vamos seguir seu percurso, do norte ao sul.

La Cuarenta começa ao norte da Argentina em uma cidade fronteiriça que se chama La Quiaca (uma cidade pobre e extremamente feia) na Argentina e Villazón na parte boliviana. Na Bolívia o trecho da panamericana que vem para o sul se chama ruta nacional 14. Esta estrada entra na Argentina em La Quiaca emendando na RN40. Porém neste trecho, como em vários outros, a La Cuarenta perdeu sua importância para a estrada que vem por Yacuiba, que passa mais a leste. 



Acima: Uma vez em La Quiaca, que tal dar um passeio até Ushuaia??? (foto Google). Estive em La Quiaca em novembro de 2017. Procurei muito esta placa e não a encontrei.

Repare na placa: 5.121km...  em rio Gallegos a mesma placa diz 5.080km. Segundo Adoniran Barbosa, as distancias " Vareiam" !!!

Abaixo: os primeiros metros da nueva RN40 em direção oeste, eu estava exausto e o sol se pondo, estas foram as melhores fotos que eu consegui tirar... (Alt. 3.480m. Repare nas costelas de vaca no piso. estas inocentes ondulações arruinam o meu conforto e equilíbrio!
















































Acima: A RN40 entrando (ou saindo...) na cidade de La Quiaca (fotos de novembro de 2017.

Abaixo: Minha curta passagem por La Quiaca em novembro de 2017. Foi no final de um dia longo e ultra cansativo. Fui lá só para procurar o início da La Cuarenta. Sua gênese é aqui, onde hoje a avenida Paraguay se encontra com a ferrovia. Não ha nenhuma citação na (horrivel) cidade sobre esta estrada.























A estrada original começava em La Quiaca (fronteira com Villazón, Bolivia) (alt.: 3.500m) em uma esquina próxima à estação ferroviária. Hoje naquela cidade, ninguem dá a menor importancia para o fato.

O tramo original seguia para o sul quase paralelo à linha do trem. Hoje este ponto está no final da avenida Paraguay, em frente ao muro que isola da ruína da ferrovia. Ha uma estátua de algum prefeito local mas nenhuma menção à rodovia. 

O caminho saía para o sul em direção à Abra Pampa, passando por várias vilas onde hoje se vê as estações de trem abandonadas. Estre trecho hoje se chama RN9. Foi construída uma Nueva Ruta que sai de La Quiaca para o altiplno à oeste.  

Hoje, a importancia da RN40 naquela região ficou com a RN9 que vai direto a San Salvador de Jujuy pela Quebrada de Humahuaca (veja dia 24 de dezembro de 2011 e novembro de 2017).



(foto Google).




Acima: Linda tarde de um dia extra longo e difícil. Esta é a antiga RN 40 que hoje se chama RN9, 
seguindo para o sul logo antes de Abra Pampa. A Nueva 40 segue por dentro das montanhas à direita. 
No final desta cadeia de montanhas (na foto) fica o salar Salinas Grandes. 21 de novembro 2017, 
20:28, Alt.: 3.650m  - 16°C















































Vimos que o traçado original para o sul foi substituído por um que segue para oeste. Saindo de La Quiaca a nueva RN40 segue por uns 50km para a região alta e desértica nas fronteiras entre Chile e Bolivia (alguns mapas mencionam como RP5). Um piso largo e em rípio que segue sua jornada potr uma região desertica e com vilas muito humildes, subindo até quase 4.500m de altitude. Coisa de 300km depois passa por Susques e cruza com a RN52 (Paso de Jama) que vem de Purmamarca e segue até a divisa Chilena (veja 25 de dezembro de 2011, 4 março 2017 e novembro de 2017). De Susques segue para sul e vai até San Antonio de Los Cobres (alt.: 3800m). 








Acima: na vila de San Antonio de los Cobres uma placa indica o caminho pela antiga 40 

Abaixo: O trecho original da 40 entre San Antonio de  Los Cobres e o Salar Salinas Grandes. Repare nas costelas de vaca no piso... parecem inocentes? M
arço de 2017 - Alt 3.440m 14:30 - 18°C









Acima: O trecho em vermelho é da Ruta 40 atual, nem sempre pavimentada. O trecho em verde mostra trechos antigos e o ano em que deixou de fazer parte da RN40
O trecho de La quiaca até Abra Pampa hoje se chama RN9. Percorri os trechos proximos a San Antonio de Los cobres em 4 de março de 2017; de Salta até Cafayate em 28 fev 2017 e entre Susques e Los Cobres em nov de 2017.


Aqui há uma controvérsia: O traçado original da Panamericana (de 1943) saía de La Quiaca, passava pela vila de Abra Pampa (trecho hoje se chama Rn9) e seguia direto a San Antonio de Los Cobres. Estre trecho ainda existe e hoje passa ao lado do salar grande (veja dia 25 de dezembro de 2010) e depois se embrenha por um vale arenoso e desértico. Hoje este trecho é usado por caminhões de mineradoras e está infestado de vans de turistas. A estrada é barbara, mas cheia das infernais costelas de vaca e passa várias veses por baixo dos rios.

Já o trecho novo passa a coisa de uns 60km mais a oeste, corta uma imensidão desértica, passa por pequenas vilas como Huncár, entra em um lindo cãnion, passa ao lado de um magnífico vulcão, entra em uma serrinha apertada e logo encontra o viaduto La Polvorilla até chegar en San Antonio de los Cobres. 

Então, por qual das duas RN40 você prefere passar?


Clique aqui para Entre Susques e San Antonio de los Cobres


Clique aqui para trecho RN40 entre Los Cobres e Salinas Grandes



Acima: A saída de San Antonio de los Cobres em direção sudoeste para encontrar a RN40 e o viaduto Polvorilla (fotos de novembro de 2017). Alt.: 3.800m 09:00 - 9°c





Abaixo: O viaduto La Polvorilla, por onde passa o Tren de Las Nubes. Na garrafinha o fantástico Chá de Coca. Alt 4.140m








































Abaixo: A RN40 passa pelo hipnótico Vulcão Tuzgle. Neste trecho fui rumo norte, de Los Cobres para Susques. As manchas negras no lado norte do vulcão são resultado de sua última erupção cerca de 100.000 anos atrás... 19 de novembro 2017 Alt 4.420m 13:20 - 14°C






















Depois de San Antonio de Los Cobres, se anda 14 km de asfalto pela RN 51 para encontar novamente a La Cuarenta. Neste novo trecho (rumo sul) a estrada fica estreita (novidade) e serpenteia morro acima até Abra de Acay, a 4.959m de altitude, passando ao lado do Cumbre de Acay (alt.: 5.731m).

É o trecho de estrada federal mais alta nos Andes e em todo o continente americano. 

Desce para o sul (passando por baixo de riachos) até um vale fértil chamado El Trigal onde fica uma pequena vila chamada La Poma (uma cidade com 5 ruas e quatro travessas a uma altitude de 3.050m) ( ha também uma cidade abandonada chamada La Poma Vieja). 

Os 91km entre La Poma e San Antonio de Los Cobres são, na minha muito humilde opinião, a estrada mais difícil nos Andes Argentinos: estreita, rípio precário, deserto, sem vegetação, sem movimento e vai até praticamente 5.000m de altitude. 

Estre trecho não é coisa para Harleiro, é coisa para Cabrón Valiente! Em março de 2017 eu tentei muito passar por ali, mas as chuvas fora de época interditaram a 40. Retornei em novembro de 2017 e consegui subir a estrada em um dia gelado e magnífico!


 Abaixo: Subindo para Abra de Acay. A colossal vista da estrada para o vale pelo norte. Alt: 4.600 aprox 13:00 11°C novembro 2017



















Abaixo: a placa diz 4.959, meu GPS mostra 4.967m e o dado oficial é 4.859m de altitude.
18 de novembro 2017, 16:15 - 6,5°C e uma P%T@ ventania!!!





Acima: La Ruta serpenteando morro acima, o colossal vale onde ficam o Salar Grande (a mancha branca) e San Antonio de los Cobres.







Para o vídeo deste trecho clique aqui, e não se esqueça de deixar o Like e comentários!!! Abra de Acay Novembro 2017

Clique aqui para Abra de acay

O monumento segue sempre em rípio para o sul, de La Poma desce até Payogasta e de lá para Cachi (alt.: 3.361m) um trecho estreito e mal asfaltado de 11km, pedacinho chato. O vale é interessante, fértil e cultivado criado pelo degelo de picos eternamente nevados do Nevado de Cachi, um bloco gigantesco da cordilheira principal. O Nevado de Cachi é a moradia da deusa PachaMama, mas isso é assunto para outra hora... Cachi é uma graça e vale uma noite!

Clique aqui para Trechos proximos à Cachi

De Cachi se segue até a interessantíssima Cafayate (alt.: 1.800m) (vide post 4 mar 2017). São coisa de 130km ainda está em rípio, largo e movimentado. Entra em Cafayate pelo norte, encontra a RN68 que vem de Salta e se funde com a cidade. A saída sul por Cafayate é linda, é o caminho para quem vai ou vem de Taffi del Valle.

O trecho pavimentado começa cerca de 25km antes de Cafayate, depois de percorrer coisa de 680km em rípio. Realmente un desafio.




































Acima: o trevo em Payogasta que leva à Cachi, Cuesta de Obispo ou La poma. Alt.: 2.480m 

Abaixo o trecho chatíssimo de 11km entre Payogasta e Cachi. (mar.17)



Acima: no trecho proximo à La Poma (mar.17)


De lá entra na província de Catamarca onde segue por um largo vale fértil margeando o rio Santa Maria com atitude média de 1.900m. Em Catamarca começa uma praga: Los Badenes. São as passagens de riachos ou rios por cima da estrada pavimentada. Os Badenes são depressões de concreto e se precisa reduzir para passar por eles, no inverno não ha água mas tem areia, no verão ha muita água e pedras. 

Estes Badenes arruinaram as minhas médias de velocidade e aumentaram o consumo. Itens fundamentais para quem viaja sozinho de moto.

Antes da vila de Santa Maria a 40 segue em ripio e ha uma variante em asfalto, ao leste do rio, pela bagunçada vila de Amaícha (caminho péssimo...). entre Amaícha e Casa de Piedra se anda por dentro de vilas e é bem lento e chato. Enquanto isso a RN40 segue pelo lado oeste do rio passando por pequenas fazendas. É um misto de ripio e asfalto péssimo. É uma região pobre e sem atrativos.

Clique aqui para trecho Belén Cafayate até salta




Acima: Baden proximo à Santa Maria. Eu quase tomei um banho de lama neste lugar...  
Abaixo Fronteria Salta/Catamarca






Desde Casa de Piedra se vira para oeste contornando o rio Pie de Medano e se entra em uma colossal planície deserta chama Hombre Muerto (é maravilhoso, 2.240m de alt.), trecho de uma estrada nova em  asfalto confortável e largo até descer para a cidade de Belén  e Londres (alt.: 1.800m). Não durma em Belén...

Segue por 80km à beira da Cuesta de Zapata, onde termina na RN60 a 940m de altitude (veja dia 2 de janeiro de 2012, 27 fevereiro 2017).



Acima: Rumo norte. Entre a RN60 e Londres Esta é a fantástica Cuesta de Zapata. Londres e Belén ficam à direita da foto, beeem la no fim, sob as nuvens (Alt.:1058m, fevereiro de 2017).

Abaixo: Rumo norte, logo depois da RN60 (Alt.:955m, fevereiro de 2017).




Ali ha dois trechos da 40 que foram abandonados nos anos 70, um deles passava por cima da Cuesta de Zapata, trecho ultra dificil, ainda existe (exatos 7km ao sul de Londres), foi declarado patrimonio cultural e tem que se ter coragem para passar por ali. O segundo esta depois de Tinogasta, a estrada seguia direto para Famantina, o caminho ainda existe e hoje se chama RP11, uma reta em Ripio.


Acima: Voce encara isto? Este é o trecho abandonado por cima da Cuesta de Zapata. Quero ver uma foto sua neste lugar!!!  Foto google




Próximo ao encontro com a RN60, vila de Alpasinche, um vale bonito, cultivado e rico.


Apos alguns poucos km pela RN60 se encontra a RN40 para o sul, ela segue por outro vale lindo e fértil, com vilas organizadas e movimentado. Vira mais uma vez para oeste e sobe  até entrar no grande vale formado entre as cuestas de La Rioja e de Famantina. Segue por este vale subindo em uma reta até a importante Chilecito, já na província de La Rioja. Por ali a estrada está toda asfaltada e o caminho é lindo e gostoso. (veja 26 fevereiro 2017)




Acima: O trecho em vermelho é da Ruta 40 atual, nem sempre pavimentada. O trecho em verde mostra trechos antigos e o ano em que deixou de fazer parte da RN40.


O trecho entre Famantina e Belén ainda existe em rípio. Se chama RP11, o trecho que passa por cima da serra de Zapata está abandonado e é usado por motos de trilha. Nem o Rally Dakkar quiz passar poe ali em sua tapa 2018. Percorri estes trechos (os asfaltados...) em fev 2017.


Acima: Rumo norte, entre Famantina e Amaícha, à direita a linda Cuesta de La Rioja e a esquerda a Cuesta de Famantina. Fevereiro de 2017, 10:00 Alt.: 1.010m

Acima: Rumo sul logo após quase em Famantina, à direita a linda Cuesta de Famantina.





Logo após Chilecito o caminho segue para o sul até Nonogasta e mais uma vez vira para oeste e sobe até 2.300m de altitude por um caminho estreito, sinuoso perfeitamente retificado e pavimentado. Maravilhosa a estrada. Trecho chamado de Cuesta de Miranda.

Descendo em um trecho pavimentado por um vale que leva ao povoado de Villa Unión. Este trecho ficou inalterado desde 1928 até ser repavimentado em 2016.

Clique aqui para Chilecito até Fiambalá

Acima, a nova e excelente estrada pela Cuesta de Miranda  

Abaixo: a descida para Nonogasta na nova estrada. Bem ao fundo, a gigantesca Cuesta de La Rioja, que forma o vale onde fica Chilecito. Alt.: cerca de 1.800m; fotos de março de 2017































Saindo da Custa de Miranda se segue para oeste, em direção à cordilheira principal. Antes de se passar por Guandacol a estrada passa pelo vale do rio La Troya, e passa por baixo deste rio, apesar do volume de água e da largura do rio, a passagem tem o piso de concreto e é calma e segura. 



Acima: O trecho entre Huaco e Guandacol. Uma reta sem fim e cheia dos chatíssimos Badenes... Lá no fundo fica o Paso Pircas Negras. Alt.: cerca de 1.000m (fotos tiradas em 25 fevereiro de 2017)



Abaixo: quem tem juízo passa devagar...





Após a vila de Guandacol a estrada vira para o sul (com um trecho lento e cheio de Badenes) e entra na província de San Juan, até a cidade de Huaco e logo após chega à Importante San Juan. De Chilecito à San Juan são fáceis e confortáveis 405Km muito bem pavimentados. Cuidado com areia e badenes...




Acima: O trecho em vermelho é da Ruta 40 atual, nem sempre pavimentada. O trecho em verde mostra trechos antigos e o ano em que deixou de fazer parte da RN40

Aqui ha mais uma alteração. entre S.J de Jáchal e Huaco ha um peueno trecho de serra bem apertada que foi sunstiruído por um moderno contorno pelo leste. Passei pelo trecho entre S. J. de Jachal e Huaco, depois subindo até Chilecito em  25 de fevereiro de 2017. 






O trecho novo entre Huaco e o acesso à S. J.  Jáchal. 23 fev 2017, alt.: 1.045m - 19:00 41°C!!!



Acima e abaixo: Imagens da linda serrinha que um dia foi parte da RN40, a Cuesta de Huaco, ligando Huaco à Jáchal. 25 de feveriero de 2017  - alt 1.150m. 33°C











Clique aqui para o Trecho entre JAchal e Chilecito

Começa o trecho com cidades importantes, De S. J. Jachal até San Juan, Mendoza, passando a oeste de San Rafael (veja dia 26 de dezembro de 2010), caminhando sempre paralela à cordilheira principal e à várias pré-cordilheiras. Próximo a Mendoza, a RN40 virou uma colcha de retalhos, com seu traçado original alterado e substituído por estradas mais novas, que levam o nome de RA144, RP 15, ou RP101.



Definitivamente não é meu veículo preferido....























A rodovia original se embrenha na cidade de Mendoza e segue até seu marco zero no centro da cidade, ao pé do Edifício Gomes (um arranha céu da época). Marco Zero???   Sim, a La Cuarenta foi inugurada primeiro em seu trecho norte, até Mendoza, começando no centro da cidade.


Aqui, na sombra do Edifício Gomes,em Mendoza começava a RN40, foto de 2010.































De Mendoza até a fronteira com a província de Neuquén são 650km em um asfalto impecável, uma altitude média de 1.000m caminhando à beira da cordilheira. O visual é bárbaro e vale o passeio. 



Acima: O trecho em vermelho é da Ruta 40 atual, nem sempre pavimentada. O trecho em verde mostra trechos antigos e o ano em que deixou de fazer parte da RN40.

Aqui ha uma confusão entre Pareditas e El Sosneado. O trecho verde no mapa ainda se chama RN40 e o trecho vermelho leva o nome de RP 144. Andando pela região, as placas ainda confundem!  Passei por ali em dezembro de 2010.


Abaixo: Entre S. C. de Bariloche e S. M de los Andes os mapara fazem uma gigantesca confusão sobre o que é a RN40. Ao sul de S.C. de Bariloche sai a RN40 rumo a Bolsón e Esquel

Eu não percorri o trecho entre Mendoza e S.Martin de los Andes (desci via chile, um erro)







Entrando em Néuquen se passa por Chos Malal, ainda a cerca de 1.000m de altitude e o caminho segue direto ao sul por longas retas para o vale formado pelo Rio Salado (Alt.: 790m). 

Foto Google


Mais cinquenta quilómetros de reta e se chega a Las Lajas (Alt.: 791m) um importante vilarejo dentro do oásis que o Rio Agrio criou em seu vale. Mais ao sul de Las Lajas se passa por Zapala e mais 150km a RN40 chega a ponte do Collón Cura (Alt.: 650m) (veja dia 4 de janeiro de 2011) indo para San Martín de Los andes.






Acima e abaixo, Cruzando o rio Colón Cura, onde a RN40 encontra a RN 234 que vem de Junin de lo Andes.  Alt.: 680m 4 de janeiro de 2011. 






















A partir de S. M. de los Andes a RN40 desce ao deserto, contorna uma parte do lago formado pelo Colón Cura, vira para oeste e e embrenha por uma linda serra ainda no deserto. Segue até San Carlos de Bariloche (Alt.: 820m) que é a fronteira entre as províncias de Neuquén e Rio Negro. 

Também aqui ha uma confusão, ha quem diga que a 40 vem pelas montanhas e lagos até Bariloche e quem diga que a estrada vem pelo leste (caminho que eu fiz) pelo vale do Colón Cura. Ha mapas que dão as mais variadas versões.












Acima: Pela RN40 cerca de 20 Km depois de San Martin de los Andes. Ha quem chame este trecho até Bariloche  de Ruta de siete lagos. Foto dia 3 de jan de 2010


Abaixo: Pela Ruta de siete lagos. Foto dia 3 de jan de 2010






Acima, Um dos lagos na Ruta de siete lagos. Foto dia 3 de jan de 2010

































A Partir daqui, sentido sul, eu AINDA não passei. O texto vem de muita pesquisa e planejamento para as proximas viagens.

Ha quem diga que o trecho ao sul de Bariloche é a estrada mais bonita da América, como eu adoro um deserto eu não posso concordar, mas o leitor que gosta de ver árvores, lagos, vegetação e Renaults lerdos  certamente adorará. Os picos nevados, os lagos turquesa e as florestas são realmente magníficos! Tudo isto por estradas cercadas de calafates e bem longe da Puna. Lugar maravilhoso!

Entre El Maitén e Esquel existe um caminho por dentro das montanhas (RP71) e que beira do lago Futalaufuquen, que é realmente um caminho lindo, quando o assunto são lagos, morros, verde e asfalto. Mas aqui Ruta 40 segue por leste, entra na província de Chubut passando por fora da cordilheira seguindo por Esquel (Alt.: 740m), que fica a 285km ao sul de S. C. Bariloche.


Foto Google






A Partir de Esquel a estrada sai um pouco para leste, abandonando a cordilheira e entrando no planície patagonica. A partir dalí, el naõ entra mais na cordilheira, simplesmente segue paralelo a ela pelo modorrento deserto da Patagonia. Trezentos e vinte quilómetros após Esquel se chega a uma vila meio fantasmagórica chamada Rio Senguér. Ali termina o asfalto e começa uma sequencia imprevisível de trechos pavimentados ou de rípio. Aqui também começa o vento patagão!





Acima: O trecho em vermelho é da Ruta 40 atual, nem sempre pavimentada. O trecho em verde mostra trechos antigos e o ano em que deixou de fazer parte da RN40.




Foto Google



Estou preparando uma viagem para este trecho...   grandes distancias e poucas atraçoes...  vamos ver o que rola...  Uma reta de rípio de quase cem quilômetros leva a Rio Mayo e, entrando na província de Santa Cruz, mais 125km até a cidade de Perito Moreno (Alt.: 390m) (não confunda com a geleira) que fica próxima ao lago General Carreras (ou Lago Buenos Aires).

Da vila Perito Moreno até a cidade de El Calafate ( a geleria Perito Moreno está a oeste da cidade de el Calafate) são 621km de rípio e raros trechos asfaltados, de muito vento e planícies entediantes. 


A Sra. Kirschner assinou um documento em 2009 determinando a pavimentação de todo o trecho na província de Santa Cruz (ela nasceu lá...). No momento em que re-escrevi  este texto (maio de 2017), não consegui relatos precisos sobre onde ha pavimento e onde ainda existe ripio. Em varios trechos no sul a estada teve até seu traçado alterado para ser pavimentado. Parece que hoje, em maio de 2017, ha mais asfalto do que rípio.

A importante El Calafate fica à margem sul do lago Argentino, que por sua vez é formado pelo degelo de várias geleiras, sendo a mais famosa a Glaciar Perito Moreno.


Ooooops!!! Uma ótima estrada para resolver imprevistos. Foto Google


Duzentos e três quilómetros mais ao sul, acompanhado de vento e poeira, se chega a Cancha Carrera, um entroncamento de estrada onde há uma passagem para o Chile. Logo se passa por Rio Turbyo, uma importante cidade onde La Cuarenta já está asfaltada. De lá até Rio Gallegos são os últimos 296km, no mais legítimo rípio, até se chegar ao fim (ou onde legalmente se inicia) desta estrada, já no oceano Atlântico sul. 



Foto Google




A Ruta Nacional 40, ou Carrera Panamericana tem algo perto de 5.080km de extensão. Começa em uma latitude próxima à de Nova Friburgo no estado do Rio de Janeiro e vai até quase 1.500km antes do continente antártico, vai mais para o sul do que a Tasmania ou Nova Zelândia. Mesmo com trechos recém pavimentados e com reservas de confortáveis hoteis feitas online, os poucos postos de combustível e o clima fazem deste trecho sul da  estrada algo desafiador e imprevisível em todos os sentidos. 






Acima: O trecho em vermelho é da Ruta 40 atual, nem sempre pavimentada. O trecho em verde mostra trechos antigos e o ano em que deixou de fazer parte da RN40


O trecho em verde  té rio Gallegos se chama RP5, está toda asfaltada e é a principal ligação a El Calafate. Foi construída na década de setenta e nunca fez parte do traçado original da RN40.

Tudo bem que a Rota 66 é mítica e blá bla bla... mas a 66 é toda pavimentada, vai de leste a oeste portanto o clima é o mesmo e tudo no país onde ela se encontra é previsível e funciona direitinho. Vamos deixar a Rota 66 para as Harley Davidson.

Em todas as minhas andanças até agora (novembro de 2017), dos quase 31.000km pela Argentina, Chile e Uruguay, eu andei somente 1.597km por La Cuarenta (31,43% do total, mas calma, eu chego lá...) nos trechos muito bem pavimentados  e mais 180km em rípio. Tudo isto em dias quentes e ensolarados.

Posso dizer que os trechos pela RN40 foram sempre lindos, mágicos, confortáveis ou desafiadores.

Meu projeto de mapear a 40 continua...  Vamos ver o que o futuro reserva...










































Definitivamente não é uma tarefa comum... Foto Google


Muitas das fotos deste post não são minhas... Pena... mas um dia eu publicarei as minhas!!!






Dias depois de publicar este texto pela primeira vez, em abril de 2014, eu ganhei este fantástico e muitíssimo bem escrito livro!

Recomendo!

Magica Ruta 40 - Federico B Kirbus