terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Longo caminho para Salta - Cafayate


Nem vou contar como era o hotel e como foi horroroso e barulhento o café da manha...  Mesmo assim me esforcei mas não consegui montar nada para levar de lanche...  A parte boa é que dormi demais e estava descansado do sobe-desce de ontem. 

Uma vez acordado e com cafeína no sangue, percebi como o quarto era horroroso com toalhas, carpete e paredes vermelhas...  fiz questão de abandonar o lugar o mais rapido possivel.













Acima: De longe um dos piores hoteis da cordilheira, o galpão à esquaerda é a garagem/deposito/oficina.  A janela do meu quarto dava para este galpão. Pelo menos eu dormi olhando para a Rocinante.   




Manha nublada, fria em lugar sem predicados. A estrada cruza a ciudad e segue por uma serrinha surpreendentemente bonita. Foram 16km muito gostosos subindo até 1.400m. Passando pela Puerta de San José se sai da serra de Belén, sai do verdejante e entra mais uma vez em um trecho quase árido e monocromático. 

Por ali a RN40 segue para norte por um colossal vale. Eu sabia que a estrada encontraria mais uma serra à frente, eu via esta serra à distancia e tudo o que eu fiz foi ser levado pela Rocinante até aquele ponto. Passei sem parar pela paupérrima vila de San Fernando (Alt.: 1.682; 20°C).

A partir daquele ponto eu não sabia mais onde a Panamericana estava asfaltada ou ainda em ripio.  Mas tive uma grata surpresa, aquele trecho estava recém reformado, a estrada é moderna e muito gostosa!

A coisa foi subindo lentamente até os 2.300m. No vale de nascimiento, a estrada teve longos trechos sinuosos e um cenário bárbaro.

A estrada vira para nordeste segue por 38 km em uma gigantesca planície absolutamente desértica a 2.240m de altitude. Nome do lugar: Hombre Muerto. A visão foi fantasmagoricamente linda, um deserto com los Nevados de Aconquijia ao fundo. 
21°C, sin viento y sin nubes, sin ratones y sin culebras

Em algum lugar daquele vale, o hodometro da Rocinante marcou 135.600km. Ou seja, andei com ela 100.000 km desde junho de 2010. Três vezes aos Andes, quatro ao Uruguay, algumas para Petrópolis, Tiradentes, Florianópolis e etc...  Uma grande companheira!!!



Acima: o maravilhoso vale Hombre Muerto    

  Abaixo: o vale do rio Santa Maria



Acima:      entrada no vale do rio SAnta MAria, pensei q fosse bucólico e romantico...     

Abaixo: Nada além de problemas, pobreza e muita lama!!!






























Em mais um vale verdejante formado por um rio, o Santa Maria, a paisagem fica confortável e a estrada segura e gostosa. Mas não demorou muito e La Cuarenta desce a 1.100m, a temperatura chega a 31C e o trecho se torna mais uma vez uma reta com muitos badenes ( aquelas infames passagens de agua por cima da rodovia.)





Acima: veja a confusão em uma das horríveis vilas (Amaicha del Valle), repare na escorregadia areia no piso... 






























Acima: O péssimo asfalto, mal dava p andar a 80,       

Abaixo: finalmente entrando na rica província de Salta


































O começo do vale foi bonito, arborizado, fértil e com umas vilas em ordem. Quando chego a um lugar chamado Palo Seco  a estrada é invadida várias vezes por rios lamacentos, cada vez mais fundos, escorregadios  Acredito que foram uns cinco, dois deles foram dificeis de cruzar. . No ultimo deles eu quase tomei um banho de imersão na lama por conta de um coche podrido que quebrou justo na minha frente!!!























A tão admirada ruta 40 testou a minha paciência neste trecho. O caminho  segue por vilas cada vez piores, o cúmulo foi em Santa Maria, onde o asfalto ficou péssimo e as casas paupérrimas, feias e com muito transito. Naquele ponto o asfalto se afasta da RN40 (que vai em rípio por lugares ainda mais feios.), reencontrei a 40 coisa de 25km lentos e voltamos à perigosa rotina de frear para passar devagar pelos Bandenes. Foi chatíssimo!!!

Eram pouco depois da 12:30 quando entrei na província de Salta. Imediatamente e estrada fica melhor e logo a paisagem é de vinhas, fazendas organizadas e a entrada em Cafayate (Alt.: 1.625; 26°C) aconteceu 261km depois do hotel (3:18). Ao contrario dos lugares que eu tinha passado hoje, Cafayate é uma cidade das mais ricas e toda preparada para turistas.  Com ruas asfaltadas, gente legal, bons hoteis e etc.  Tudo de bom!!!

Eu não comi nada no café da manha,,,  estava com fome e sabia muito bem onde havia um excelente restaurante...


A imperdivel bodega / hotel / restaurante Pateos de Cafayate. Restaurente bom é comigo mesmo!!!




















Eram pouco depois das 16:15 quando retornei à estrada. Bem na saída da cidade a RN40 segue para o norte sentido Cachi (são coisa de 120km de rípio) e eu tomei a RN68 por uma planície larga  Logo se entra na exótica e colorida serra. Um dos lugares geologicamente mais interessantes e bonitos por que passei. 





A estrada (que é padrão europeu) segue pela Quebrada de las Conchas, um monumento nacional Argentino e 50km após El Cafayate passo pelas gargantas que são os pontos turísticos daqui.  aliás... cheio de ônibus e vans de curiosos. 

A estrada segue para norte, encostada na pré cordilheira de Santa Maria (tudo por aqui tem este nome...), sobe até cerca de 1.500m e depois começa sua descida em direção ao vale onde fica a cidade de Salta. È uma ligação importantíssima e o movimento era intenso. A medida em que a RN68 desce em rumo nordeste, começa a aparecer vegetação. A estrada é excelente mas traiçoeira.






Acima: 655,8 km com um tanque (33l) de combustível. Um recorde e uma burrice!!  Isto graças à gasolina Argentina, ao longo trecho em descida e a uma ligeiro engano com os números...




O fértil e rico vale onde fica Salta está a 1.100 m de alt. em média, eram quase 19:00 quando parei em Las Vinhas. Hora de água, gasolina e trocar uma lâmpada do farol que queimou.  Para falar a verdade, eu cometi um erro básico de aritmética e calculei muito mal a autonomia...  cheguei no posto de gasolina em Las vinhas ainda com a mesma de dois dias atrás! Uma p..@ burrada!!!


A partir daquele ponto foram 80km até o hotel. Um trecho lento e sem graça (parecido com Itatiba): fazendas, arvores, caminhões, Renauts lerdos, animais sonolentos e Fiats fumaçentos. quatro barreiras de policia parando tudo e todos, não fui incomodado. Era carnaval, e havia uns festejos e desfiles de foliões em cima de carretas graneleiras...  tudo embalado ao som de milongas... A criançada brincando e aparentemente não tinha nenhum bebum com pandeiro. Eu gosto deste lugar!!!

La linda Salta (cerca de 460.000 habitantes) fica na parte norte do Vale de Lerma, é sem duvida alguma a mais antiga, importante e bonita cidade do noroeste Argentino. 

Entrei na cidade na hora do rush. As avenidas são largas, movimentadas, a indústria é moderna e as lojas grandes. Muito melhor do que eu esperava.

O hotel fica na parte central (Alt.: 1.682; 25°C). depois de 745 km desde o Hotel Cortaderas eu estava em algum lugar realmente civilizado. Quer saber: uma pena...

O pessoal do hotel estava me esperando, e a simpatisissima, bonita, elegante e perfumada recepcionista já estava meio aflita. Exatamente as 22:00 eu estava jantando e tomando muito vinho.

Amanha não será dia de motociclismo.




O rio, o vale a cidade e a Cuesta de Belén


A mancha clara é a planície de Hombre Muerto. Magnífica!!! A parte verde a leste é a região do Chaco.























Nobody climbs mountains for scientific reasons. Science is used to raise money for the expeditions, but you really climb for the hell of it. Sir Edmund Hillary


Etapa de hoje:  450,7 km
Tempo andando: 06:07
Tempo total: 10:08
Distância acumulada: 4.102,7 km