sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Morro acima - Paso de Agua negra








Há uma polêmica de botequim sobre qual é o Paso mais bonito nos Andes. A grande maioria só conhece o fácil Cristo Redentor (ver post 30-12-2010). Outros foram abençoados em passar pelo Paso Jama em um dia de sol (ver post 26-12-2011). Os viajantes realmente cabrones que eu admiro se dividem entre o Paso de San Francisco (ver post 31-12-2011) e o Paso de Agua Negra(para resumo dos pasos andinos, ver post 5-5-2014)


-> não sei por que o texto ficou neste formato ridículo....

Então para tirar esta dúvida, hoje foi o meu dia de experimentar o caminho pelo Paso de Agua Negra!

Resolvi o problema de habitacion ( na vila da Las flores) eram quase 10:00. Arrumei um quarto em uma casa de familia e estou sendo tratado como um rei. talvez um dia eu conte todo o rolo de ontem e hj pela manha.


 Em Las flores [11:50   24°C] ha um posto de gasolina, eu tinha cerca de 90km restantes de autonomia, calculei o que iria andar naquele dia, mais margem de segurança e coloquei somente 10 litros de combustivel. Como o café da manha na pousada-aloprada em Rodeo foi a definição de horror, eu aproveitei para tomar um café da manha de gente na lojinha do posto...  



alimentação nutritiva dos bravos descobridores andinistas!!!




Acima: estrada em obras e o começo do rípio...   
Abaixo: regulando a moto para andar fora do asfalto.



Acima:  nuvens na cordilheira, eu ja esperava por isso...     Abaixo:  no posto da gendarmeria, uma ótima conversa.




















A ideia era subir a cordilheira com a moto bem leve (só carreguei uma mala... o resto ficou com a gentilíssima Señora Victorina). Logo virei para oeste e parei na pequena aduana argentina, que fica logo quando a cidade acaba. Esta passagem só está aberta por 4 ou 5 meses no ano, só se pode atravessá-lo entre outubro e abril, confesso que estava com medo de estar fechada das tempestades de fevereiro. 

O Chile estava nos planos originais. Aconteceu que eu perdi o entusiasmo de subir a costa do pacífico pela pasteurizada e modorrenta Ch5, e à medida  em que eu desenhava este roteiro, mais eu achei graça nos caminhos pela Argentina, os caminhos difíceis por onde muito poucos passam. 

Então expliquei à uma jovem e gorduchita oficial na aduana que eu somente iria até  o topo da montanha e depois "volveria a mi querida Argentina!Foi só falar mal dos chilenos para que eu fosse tratado como hermano e sorrindo me mandaram sair, desde que retornasse antes das 17:00.  A aduana se cierra a las cinco!!! 

Me alertaram sobre lo hielo no piso. Nos tres dias anteriores choveu bastante e a temperatura baixou muito. Havia uma grande chance de não me deixarem entrar naquele trecho! Vejam as fotos e reparem na tempestade sobre a cordilheira

Voltando para a estreita ruta, segui por um platô em aclive (ou por obras em rípio ou por piso péssimo! - RP150) indo de encontro à cordilheira. Da Aduana até o fim do asfalto foram 60km nos quais se sobe 3.800m.  eu estava esperando somente 30km de asfalto, a surpresa foi ótima, masi uma estrada novíssima e fantástica.

Neste trecho a estrada segue perpendicular à cordilheira principal, se vê com muito destaque a grande parede de montanhas que me esperava. Deu frio na barriga! A medida que eu me aproximei da cordilheira, a sensação é de que as morros são baixos e que o caminho é simples. Durante o trecho em obras, eu parei a moto, tirei pressão dos pneus e recalibrei a suspensão para o pouco peso e estrada de rípio.  

O rípio da obra de repavimentação começou com uma ótima surpresa: tranquilo e largo. Os pneus me surpreenderam com a estabilidade e segurança da moto. Consegui uma média bem maior do que os 30km/h que eu estava acostumado. Parei na Gendarmeria (alt.:2.949 ; 19,5°C ) para o papo mole de sempre e para saber da estrada. Indiretamente avisei: “estoy entrando por acá... No me olvides!!!".

Coloquei os casacos mais quentes porque eu sabia exatamente o que iria encontrar em poucos minutos.

A geologia logo ficou familiar e eu sorri matando a saudade deste lugar único. As rochas que uma vez foram fundo de mar mostram várias cores, seus estratos muito bem definidos e todos inclinados. E também havia a já costumeira falta de vegetação. Pronto: estava de volta ao meu playground! Algumas vária Llaretas e as simpáticas Ichus (Stipa ichu). Eu sorri muito por dentro do capacete!

Logo começou o que eu estava vendo desde a aduana, a chuva gelada e forte.

As encostas que formam os vales são muito inclinadas e as montanhas são altas. À frente e à minha direita eu via os picos nevados de rocha vulcânica que formam a crista de cordilheira e a divisa entre os países. Parece claustrofóbico, mas é monumental!

E a estradinha, na verdade um trecho novo, pavimentado em asfalto e concreto, subiu seguindo pelo deserto absoluto e fomos, eu, Rocinante a as câmeras a uma velocidade confortável. Logo estava a 3.719m de altitude e a temperatura caiu para 6,5°C. Naquele ponto acabou o fantastico pavimento de asfalto/concreto que foi prontamente substituído por pedras e lama...  ou o rípio que afugenta os rarlêros!!!!  A camada de nuvens clareou no caminho à frente, a chuva parou e a estrada seguiu por um bom trecho seco. 



Acima: altitude,chuva, frio e lama, onde estão os rrarleiros???    
Abaixo:  aqui, um dia, começará o tunel sob os andes que levará à praia chilena...  obra facil!!!






















Nos próximos 30 minutos surgiu um aviso: à medida em que a altitude subia, a temperatura também subia (isto se chama razão adiabática negativa) logo estava 400m mais alto e com 11,5°C. Eu sabia que este fenômeno, junto àquelas nuvens era mau sinal...


E fui subindo, devagar e com cuidado, a coisa é facil mas apertada. Meu único medo eram os boludos do boca juniors descendo a estrada sem nenhum bom senso...  


Acima:  êeta estradinha apertada!!        Abaixo: café caliente, um privilégio!




















Quando cheguei a 4.400m percebi que o vale terminava logo à frente e que a estrada agora seguiria por caracoles na fralda de uma enorme montanha, subindo até a fronteira. Pelas fotos eu imaginava que o lugar era amplo com considerável distância entra as montanhas. Na verdade o lugar é uma garganta dos diabos, com 1.500m de diferença entre o vale e o cume das montanhas! Eu não esperava algo tão bonito! 


Fui aprendendo a pilotar com aqueles pneus na terra, em vários moimentos na lama. Eu nunca senti tanta segurança antes! Incrível.


Por estar ali no auge das tempestades do fim do verão, eu não esperava muitas capas de gelo. MAs tive a grande sorte de ser abençoado por penitentes muito altos!!! Este gelo delicado não é formado por neve ou chuva, ele simplesmente acontece capturando a pouca umidade que o vento traz do oceano (que está a somente 150km em linha reta a oeste). Por conta da direção do vento e do calor de Inti, o gelo forma pontas, que se parecem com monges rezando, daí o nome: Penitentes!



Los Penitentes. que linda surpresa encontrá-los tão altos!!!



















Fiquei muito tempo parado ali (4.585m 6,5C), Varios carros pararam por ali.... entre eles um casal extremamente simpático e outro com uma familia de argentinos com várias adolescentes lindinhas!!!! E foi uma festa de fotos!!! A neve nos alpes europeus é bonitinha... Mas isso aqui é magnífico!!!

Os caracoles da estrada são aflitivos: se eu me perdesse ou eu batia no barranco ou deslizava até o fim do vale. Buzinei várias vezes em algumas curvas... Por precaução e para ouvir o eco! Coisa de silvícola paulista que buzina em túnel.

A montanha que dá o nome ao lugar (Cerro Agua Negra) é enorme, imponente e fica logo ao sul da estradinha, debaixo de uma nuvem grossa!!! Cheguei na divisa Argentina-Chile eram 13:00, um vento muito forte vindo do vale e a temperatura de °4C... Altitude de 4.780m. Eu estava mais do que a vontade, bem agasalhado e só sentindo o frio queimar as bochechas e a ponta no nariz. 

Fiquei me divertindo naquele fio e vento, e sileenciooo.  Minha previsão estava certa: aquele comportamento estranho da temperatura trouxe uma tempestade de gelo ( não era neve, eram pedras pequenas), a temp caiu para 1,5C e eu parecia criança em tanquinho de areia!!!

No Paso existem as placas de sempre e alguns monumentos bem bobos. So havia um casal de amigos parados e ficamos numa ótima conversa! Nenhum motociclista. O grande monumento era sem dúvida o Cerro Agua Negra e a combinação rocha/céu/gelo e muitas nuvens.

Estacionei com cuidado bem fora da estrada e me dediquei ao café com leite quentíssimo e a um nutritivo salgadinho sabor Queso. Eu me sentei em uma pedra, ajustei as câmeras, resgatei o binóculo de dentro do casaco e tirei o capacete para apreciar melhor o banquete. Não deu três minutos e o capacete voltou para a cabeça: tudo doía com o vento gelado. Fiquei mais de uma hora ali com o binóculo olhado para tudo. Nada se movia, o céu é de um azul inigualável quando aparecia entre as nuvens e as rochas brilhavam quando o sol aparecia. 

Como eu dormi ontem a 1.800m os efeitos traiçoeiros da Puna não estavam me afetando muito...  ou estavam? 

Por que que eu gosto de estar em um lugar congelante, sem nenhuma vegetação, a quase 5.000m de altitude e pasmo com qualquer morro cor de rosa que eu vejo?

Eu sou assim mesmo ou será o mal da altitude?
























Perdi a conta do tempo que quando percebi eu tinha somente uma hora e vinte para chegar à aduana!!!   Comecei descendo com calma e aprendendo como se anda pirambeira abaixo com aqueles pneus...  Um excelente treino.  O tempo piorou e a chuva reapareceu, a temperatura nao aumentava muito em aumentar à medida em que a altitude baixava. Culpa da falta de sol...























Lá pelas tantas surgiu uma placa dizendo que 
a aduana estava a 55k, portanto eu deveria fazer uma media de 62kmh para cegar lá as 17:00!!!  Então meu amigo eu tive que aprender a andar rápido no rípio!!! Assim que a ladeira ficou menos íngreme eu me vi andando a 70kmh na terra! tudo graças aos pneus.Eu nunca me imaginei andando tão rapido fora do asfalto!!!!























PAssei pelo posto de policia eram 16:30, portanto a média minima teria de ser de 60kmh o que foi muito facil!

Cheguei na aduana as 16:58, 26C. Havia uma enorme fila, a qual eu prontamente furei. O oficial veio falar comigo puto da vida... Contei meu caso para o guarda, mencionei a moça que me orientou. Quando algum chileno buzinou para protestar sobre meu fura fila o guarda começou a me tratar bem, conversamos animadamente e ele me mandou procurar a tal oficial gorduchita, isso com nos dois às gargalhadas!!! 














































deu uma certa tristeza ou saudade do dia de hoje... Eram 17: 20 quando coloquie a moto na garagem. Mas antes eu a derrubei no degrau do lugar!!!  

Foi o grande acidente da viagem e foi divertido levantar a Moto com o Franco , o simpatisíssimo filho da Señora Victorina!


Abaixo, o mapa mostra o caminho, mas o asfalto segue por uma excelente estrada até cerca de 40km do paso. Caminho fantástico!





























O mapa acima mostra o início da etapa em Rodeo, onde dormi ontem na pousada-largada, nesta noite durmo em Las Flores, na casa de la señora Victorina.

Para quem quer passar pelo agua negra, evite Rodeo, use a vila de las flores, além de mais perto, é uuito mais gostosa e honesta!!!!





Only if you have been in the deepest valley, can you ever know how magnificent it is to be on the highest mountain.- Richard Nixon


                     Etapa de hoje:  200 km
Tempo andando: 09:45
Tempo total: 12:45
Distância acumulada: 1.234 km



Rumbo al oeste, entrando no nada.






Ontem dia 23 de fevereiro foi uam etapa longa, quente, cansativa...



Daíiii  eu fui parar em um hotel-arapuca, gerenciado por um palhaço maltrapilho em uma cidade sem nenhum charme....



Publiquei  este texto ontem, mas a internet do hotel-fraude mal funcionava e quem me acompanha ficou sem noticias...


Enquanto apronto os textos do hoje, dia 24 de fevereiro,  aproveito para publicar o texto de ontem, e quem sabe um duas horas eu consiga montar as fotos!!



Abraços a todos vocês!!!



Hoje (dia 23-02-2017) eu consegui acordar  as sete horas da manha, e não as cinco!!! E o café da manha realmente valeu a pena! E enquanto ninguém olhava para mim, eu aproveitei e coloquei umas coisinhas (tipo frutas, dulce de leche e uns sandubinhas) na mala sem ninguém ver... não fiquei encabulado porque hoje é meu aniversário e eu mereço!!! 



























A equipe do hotel em córdoba foi fantástica, em uma conversa com o gerente ontem ficaou claro que o caminho que eu programei me levaria a passar por mais um monte de vilas com muito transito, me aconselharam a usar a Sierra Cuadrado, que sai de Rio Ceballos ( ao norte de Cordoba) e segue quase até La falda, Um estrada novinha em folha!

Uma pausa....  daqui a alguns dias, para uma etapa de dois dias, eu vou precisar  de 55 litros de combustível, na Rocinante cabem “somente” 33l, o que já eh demais!   Então eu preciso levar um reservatório extra. Até ai tudo bem...  a  parte preocupante é que nos postos de serviço por aqui eu não encontro estes tambores...   Então a turminha do hotel me indicou uma rua onde só há coisas para motos. Para não estender o assunto, eu perdi pouco mais de uma hora nesta loja, tudo graças a um vendedor pra lá de lezado!!!


Córdoba está a 430m de altitude, a cidade está a leste de duas pequena (mas muito importantes) serras paralelas de se estendem de norte a sul por cerca de 250km. Estas serras dividem o solo fértil e o clima, separam a próspera agricultura no leste do deserto no oeste.

Foi chatinho sair da cidade em sentido norte, pela grande autopista. Logo estava na serrinha, que graças a deus não passa pela via.  Vejam pelas fotos, Imaginem uma estrada no sul de Minas mas com asfalto mais que perfeito e com pouco movimento.






A estrada sobe até 1200m, cruza a serra de Córdoba até uma fila charmosa...    O caminho foi coisa de 40km mais curto e com muito menos movimento que ou outro caminho, mais pelo sul.

A RN38 segue em direção norte, pelo vale formado entre as serras, passando por várias vilas até a pequena Cruz de Eje.  A estrada segue pelo vale formado entre a Serra de Córdoba, à minha direita, com a Serra de San Marcos na minha esquerda. A paisagem é interessante pero non mucho, os picos mais altos chegam a 1.900m. Muito parecido com Minas Gerais na região entre Barbacena e Ouro Preto. 






Logo encontrei a RN38. A estrada passa por dentro das vilas, com aquela interminável sequencia de semáforos ou cruzamentos perigosos. Logo cheguei a La Falda, outra cidade parasita da rodovia [11:00   36°C].

Em La Falda existe um monumento turístico decadente e mórbido. Para que os chatos não reclamem que eu só falo de deserto, rochas e bichos exóticos, vamos visitar este controverso lugar e acalmar a oposição... 

Pois bem, na simpática cidade (que lembra uma mistura de Campos do Jordão com Monte Verde)  ha uma rua um pouco mais larga em direção à serra. Cerca de 500m rua acima, por um bairro com lidas casas estilo alemão,  cheguei a um portão fechado que dava acesso aos jardins do Hotel Éden (alt.: 1.000m). Comprei o billete de acceso e parei a Rocinante em frente ao laguinho da fonte,  só que em vez de encontrar carpas japonesas coloridas ali havia girinos fugindo de uma cobra...

O que este hotel tem de tão interessante? Bem, este lugar foi erguido nos anos 20 por uma família alemã chamada Einhorn, que tinha ligações com o partido nacional socialista alemão. Foi o grande e mais elegante lugar de veraneio fora da capital. O lugar foi frequentado durante a guerra por oficiais nazistas de uniforme e logo após a guerra por oficiais nazistas de pijama (que passaram a atender por Pablo, Juhan, Diego, Adolfo e etc.).




























O curioso é que há os que insistem que Adolf Hitler não morreu em Berlin, e todos estes filósofos-de-botequim declaram que foi neste hotel (com alguns entediantes dias no Hotel Vienna, à beira do Mar Chiquita) que o abilolado-mor viveu seus últimos anos. O tempo de tirar as fotos foi o tempo necessário para descansar e tomar um café no confortável boteco que teima em funcionar no outrora elegante salão de baile. Não há nada de marcante que mereça muita atenção, o hotel esteve fechado desde os anos 50 até 2015. Foi reformado com matérias na a ver com a arquitetura original e hoje serve para eventos e pequenas festas. O lugar é pequeno e estava coalhado de gente fazendo o tour guiado. Em um dos salões, onde se encontra o piso orginal totalmente ignorado, funciona um museu, o tema do museu são miniaturas do Batman, gordo e magro, cartazes de filmes dos anos 70 e um quinquilharia só!!   Achei aquilo tudo pra lá de trash!!!



























O calor e a barulheira ( tocava Enya no ultimo volume) me espantou do lugar!!! Como o objetivo desta etapa é ir ao meio do nada, vejam um grande exemplo de um monumento sem importância nenhuma!

Quando eu estava me preparando para sair, passou por mim um grupo de velhinhos loiros... Eles olharam para minha barba ruiva, meu rosto vermelho e para minha motocicleta Bávara. Fui cumprimentado efusivamente em alemão!

Continuei para norte, passando por outras cidades e semáforos demoradíssimos  até a RN38 chegar a Capilla del  Monte. Ali a estrada estava a 1200m de altitude e começa a descer.  A mudança de geologia e vegetação é drástica!  A estrada desce, com bastante movimento e começa a  virar lentamente para oeste, contornando o final da serra de San Marcos. Perdi grande parte da manhã para andar 148 km, estava meio de saco cheio de cruzamentos e vilas, pensando se teria sido melhor seguir o caminho mais curto e menos cansativo, sem ter passado pelo “Hotel Lilli Marlene”.


























Tentei andar rápido, mas não consegui: ônibus, caminhões e os Fiats do século passado se arrastam pela Ruta 38. A estrada passa por dentro das vilas, com aquela interminável sequencia de semáforos ou cruzamentos perigosos.

A media horária baixíssima também me deixou preocupado. A boa notícia é que olhando em direção ao deserto, as nuvem desapareceram...  


























Cheguei a Cruz de Eje (Alt.: 470km temp. 38°C) eram 15:00 Embora ainda exista muita vegetação do cerrado argentino, Cruz de Eje é um lugar seco e quente, típico do interior argentino. Encontrei logo de cara o melhor posto de gasolina YPF  para abastecer e água gelada. Andei só 165 km, com o tanque cheio chegaria até o hotel de hoje com sobra de 80km. Adorei encontrar os quitutes do hotel na minha mala!!!

Saindo da cidade a RN38 vira para noroeste para entrar no deserto rumbo a Paquía. Foram 201km de quase reta pelo deserto. Facil!!! É só imaginar que fui de São Paulo até São Carlos sem nenhuma curva...  nas para espantar o tédio a temperatura suuubiiiiaaaa.


A última vila na província de Cordoba se chama Serrezuela, logo após acontece a fronteira com a província de Rioja, no meio do enorme e horrível Salinas Grandes (neste mesmo salar, na parte norte, fica a vila de General Mansilla - vide o post do dia 2 de janeiro de 2012 - só andar pelo sal por 110km em linha reta!!!).  Dá para perceber o salar pela ausência de arvores e pela profusão de Cardones. A fronteira de províncias foi fácil e tranquila... 













O Lugar não é beeem um deserto daqueles de filme, o solo é arenoso e existem árvores baixas e contorcidas pelo calor e falta de chuva. Não existem gramíneas. São muito esparsas  as plantas grandes, não ha muita variedade de árvores, é quase tudo tomado por  Chanhares (Geoffroea decorticans), um arbusto que chega a uns cinco metros de altura, produz uma linda flor amarela e insiste em viver por aqui. Não há pastos com gado mas existe uma profusão de cabras desesperadas.







A coisa toda assusta, mas o asfalto é perfeito e a estrada é bem cuidada. Eu tinha combustível de sobra e deu vontade de acelerar bastante, mas preciso poupar os pneus e me contentei com longos trechos a 110km/h. A temperatura oscilava entre 39 e 42 C...

A rodovia segue e cruza algumas vezes com o leito da antiga e importante ferrovia. Vi várias estações de trem que ainda estão de pé sem nenhum trilho ao redor. Isoladas e deprimidas, sem utilidade naquela imensidão. Um crime o que o Brasil e a Argentina fizeram com sua estrutura ferroviária!!!






Dei sorte:  em algum lugar no oeste, acho que perto de Nonogasta, aconteceuum gigantesco Cumulus Nimbus, Ele cresceu muito (como sempre fazem) e seu topo lançou uma sombra pelo vale escondendo o sol. A falta daquele soool direto deixou o trecho menos agressivo...  eu aproveitei!

























Foram 160 km em uma reta quente e monótona até Patquía (Alt.: 476m), já na provincia de La Rioja.  NA entrada da villa existe um posto de gasolina com um mercadinho péssimo e quente. Parei para agua e para buscar um pouco de  gelo para minha fantástica garrafinha térmica.  Ali conversei com um rapaz que me confirmou o roteiro de estradas até Rodeo. Novidade:  a partir de Patquia o GPS não entendeu nada das estradas...

Em Patquía [07:00   38°C] eu Deixei a RN38 e segui rumo sudoeste pela RN150. A estrada larga com asfalto velho. O lugar é bem esquecido.   Aestrada sobe ate 1400m, passa por uma serrinha apertada e entra em um magnífico vale a 1200m dealtitude. Posso dizer que ali começou mesmo o deserto, e a minha alegria! Então eu parei para deixar água à minha padroeira Difunta Correa (leiam o post "parada obrigatória"  30-12-2010) .










Entrando no vale de Talampayo, exiete uma seraa alta  a minha esquerda  e linddas montanhas à direta. 
Naquele lugar começa a parte sul do Parque provincial de Ichiliguasto,  com o objetivo de preservar uma região geologicamente interessantissima.


























O caminho ganhou altitude homeopaticamente, e com a altitude perto dos 1.300m contornou algumas pré cordilheiras antes de encontrar com a RP76 que vem do norte, do Paso Pircas Negras.  Aqui justamente começa o novo tramo da RN150, construido para integrar o "Corredor Bio Oceânico Agua Negra" que será concluído (se deus ajudar muito...) com um túnel sob os andes até o Chile... Fácil não???

Justo neste trevo havia um comando da Policia Caminera, parei sem que o policial ordenasse e aconteceu, mais uma vez, uma ótima conversa. Ele me confirmou todas as distancias que eu tinha na cabeça mas que o GPS ignorava. Foi, como sempre, muito bom conversar com eles!!!









A RN150 entra no Parque Ichiliguasto começa a subir. Começaram a aparecer lindas formações naquela rocha sedimentar vermelho vivo, típica das pré cordilheiras, algumas muito bonitas. 

A minha direita surge a serra de Cordón de Famantina, onde fica o pico Gen. Belgrano e a cidade de Chilecito. Na verdade o lugar está a 140km de distancia, mas como é monumental já dá para ser avistado! A Imagem é linda!!!  À frente eu já percebia claramente a Cuesta de Miranda a última pré-cordilheira antes do maciço central andino.


Após o espetáculo dos morros vermelhos, a novíssima estrada serpenteia por 20km em um lugar chamado vale de la luna. Um lugar impressionante feito de uma horrível rocha cinza, lembra ardósia.  Apesar das rochas estranhas, o caminho é  impecável, moderno e maravilhoso!

A altitude chega a quase 1500m e a temperatura caiu para 34C, beeeem mais confortável!

Apesar da estrada nova padrão europa, com modernos tuneis e viadutos, eu não conseguia manter uma média horária apropriada para a distancia daquele dia...   A serra despenca de 1.380m para 740m de altitude e entra em um amplo vale, sentido oeste até a cidade de Huaco.  Dava para ver as montanhas que separam o oásis de Huaco daquele vale desértico. Lindas a visão do colossal vale!!!





Neste trecho a nova estrada ainda usa viadutos para passar pelos rios. Aliás, vamos definir o que é um rio nesta região. Os vales férteis, ou não, foram formados por rios que passam a maior parte do ano secos, só se vê o leito rochoso deles. Como a maior parte do solo por aqui é de rocha impermeável, a água da chuva ou do degelo da primavera não é absorvida e inunda todas as partes baixas. Mais para frente encontraremos vários pontos em que estradas pavimentadas passam "por baixo" dos rios, quando eles trazem água. 







Naquele trecho a temperatura me castigou!  Ficou entre 39 e 41C, com o sol já baixo e queimando meu rosto. Pouco antes de Huaco, a primeira vila-oásis que acontece na encosta de uma pequena pré cordilheira, a RN150 ingressa na mítica RN40. Ali eu poderia ter seguido para oeste, cruzado a serra e encontrado a vila de San José de Jachal, mas não tinha informações críveis sobre a qualidade da estrada sobre a Cuesta de Huaco e resolvi seguir o  caminho mais longo, contornando as montanhas pelo sul. E o GPS sem a menor noção de onde ele estava... 





Com certeza foi um trecho seguro até S J Jachal [19:00   39°C]. Pronto, acumulei mais 34 km por La Cuarenta (leiam o post do dia 28 de abril de 2014 para entender a minha paixão pela RN40!)








San José de Jachal (Alt.: 1.197m) é um grande oásis (30km N/S; 10km E/W) com uma importante agricultura, um daquele lugares que foram abençoados por Pacha Mama (a Mãe Terra dos Incas, deusa  encarregada de propiciar fertilidade à agricultura).





Seria minha parada de alternativa naquela tarde, ja tinha andado 670km e eram    da tarde, a temperatura caíra para   28 C e eu estava começando a me sentir cansado. Parei em um posto de gasolina somente para água e uma empanada de queso. Havia muito combustível na Rocinante e eu decidi seguir os últimos 42km até meu hotel em Rodeo. Foi umm erro, deveri ter buscado uma pousada em JAchal. ( se pronuncia hhhrrratcháallll).

Logo após Jachal a RN150 sobe por um canion na Sierra Los Azules - ou sierra del viento. A estradinha é arqui-péssima! Quarenta e sete quilômetros de um caminho estreito e traiçoeiro, sempre sem acostamento e guard rail e quase sempre sem pintura. E há movimento de ônibus e Coches entre Jachal e Rodeo, tive que andar devagar e com muita calma. Não posso dizer se é bonito, o sol estava se pondo e eu não podia desviar a atenção do caminho! Fui buzinando muito!  E foi cansativo!

O canion da Sierra Los Azules acaba e me deparo com o lago formado por uma represa. Estava a 1.600m de altitude, olhando para oeste quando reencontrei a parte principal da cordilheira dos Andes. A cordilheira não parecia alta com seus picos de 5.000m. No céu ja escuro, olhando para oeste, eu só vi com clareza todas as nuvens da tempestade que aconteceu ali naquela tarde.

Rodeo (alt.: 1600m), está á beira do lago formado por uma usina hidroelétrica, é uma espécie de resort para esportes aquáticos no deserto. Pelas informações da net parecia ser um lugar badalado com monte de gente jovem (e muito Tetazo), foi dificil reservar um quarto a um preço decente! Vejam pelas fotos e tirem suas conclusões,,,






 Estava muito escuro... As nuvens altas cobriram a lua e as estrelas. Demorei para para encontrar o meu hotel na vila [20:00  24 °C], calma e ligeiramente abandonada. As árvores deixaram o começo da noite totalmente escuro. Só cheguei na pousada porque eu tinha decorado o caminho (terceiro cruzamento desde a rodovia, a esq, no final da calle), a vila não é nada do que eu estava esperando e eles mentiram no para de localização. a pousada fica no meio de um sertão fidamãe!!!  Isto aqui é um abandono total!!!



Foram 670 quilômetros fáceis e gostosos, em um dia lindo. Só como curiosidade, estou na mesma latitude de Porto Alegre, portanto os dias são pouca coisa mais longos. A noite chegou, e com ela o vento fresco de março (24°C).


Mal cheguei e me vi às  voltas com um problema de reserva e tendo de tratar com um gerente palhaço e incompetente.  É importantíssimo para mim ficar dois dias sossegado neste lugar...  mas pelo jeito que a coisa vai e fujo daqui amanha de manha e vou deixar muita reclamação sobre a maneira com que estou sendo tratado.  Tudo aqui é uma farsa e não tem nada a ver com a descrição no site de reservas. Não ha comida e água vem da torneira,  meu jantar de aniversário foram os sanbubinhas do café da manha e a água que eu sempre carrego aos montes!!!

A novidade é que o gerente-lezado vendeu meu quarto de amnha via internet (óbvio que por um preço alto) e quer me remover para "una cabaña qui tenimos"...  O bicho vai pegar aqui...


 Amanha de manha eu iria publicar as fotos de hj....  mas pelo jeito vou gastar a manha em busca de outro lugar, e esperando que não me arruíne o projeto do dia 24  que será subir o Paso de Aguas Negras (vide posto sobre passos andinos)!!!

Eu estava cansado quando comecei a escrever este post, mas agora mal consigo manter os olhos abertos! Conhecer a vida noturna de uma vila badalada ficou para amanha...

































“One’s destination is never a place, but a new way of seeing things.” - Henry Miller









Etapa de hoje:  659,3 km
Tempo andando: 08:40
Tempo total: 10:55
Distância acumulada: 2.172 km