quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Saindo do Nada, beeem devagar...



Linda manha!   Muito sol e calor de 21C.  










Eu não tinha pressa alguma, de onde eu estava (Alt.: 2.990m  20 C) até Salta seriam, dependendo do caminho, no máximo 250km. O café de manha foi péessimooo!  estava de ressaca do dia longo ontem e tive que pedir uma maça e uma banana...  O hotelzinho é novo, limpo, sem charme e acho que paguei caro por aquilo...  

Passei a manha andando  pela vila. O lugar tem um charme hispanico e andino todo seu!  Me diverti na feira de artesanatos legítimos para os turistas inocentes de lotam as excursões de ônibus e vans. Me fingi de desavisado e permiti ser enganado pelas índas vendendo badulaques.

Saí do hotel ao meio dia, Foram curtíssimos, gostosos e saudosos 45km até a parada no posto de gasolina de Tilcara, o mesmo do dia 24 de dezembro de 2011 e 3 de março de 2017.  Havia uma vendaval vindo sul, e a temperatura foi desabando!   Surgiram nuvens pesadas sobre jujuy e havia conversa no posto de gasolina sobre chuva no vale. Já dava para ver as nuvens lá no final do vale.








































Parei na vila para colocar casacos e consegui tirar uma foto digna do cerro de siete colores.  A temperatura caíra para 16C e o vendaval continuava! Saindo da vila  desci por poucos km até a RN9 virei a sul e segui para onde a Quebrada de Humahuaca se desfaz na parte alta do Chaco.




































Foram 62 km fáceis, bonitos e confortáveis quilômetros até
 San Salvador de Jujuy (Alt.:1.303). A altitude foi substituída pelo calor e umidade,  arvores grande e solo fertil... Estava de volta ao meu habitat.

Para quem tem pressa de chegar à Salta, o caminho fácil é seguir de S. Salvador para o sudeste pela RN66, depois um trecho pela RN 32 para o sul, passa pela confusa general Guemes e finalmente subir a pequena serra para Salta pela RN9 (116km). Passei por ali naquela noite de março, foi chatíssimo, Era meu último dia de Andes e eu não queria a companhia de  Renaults do século XX, policiais, caminhões e etc. Então como eu decidi seguir pelo caminho da roça, pelo interior dos vales até Salta.


O caminho não é difícil de encontrar, tecnicamente seria somente seguir a RN9 (a RN9 também foi cortada e picotada, difícil definir o seu traçado original) mas esta sai como que escondida de um trevo obscuro da moderna RN66. Me deu um frio na barriga, uma certa tristeza, era a ultima travessura que eu fazia nesta viagem...  


A estradinha segue pela grande planície fértil formada pelo Rio Grande, que desce por Humahuaca, são pequenas fazendas, pastos, animais e pomares. Se não fosse por uma Llama perdida de vez em quando (e pelo asfalto impecável) dá para se dizer que está em Minas Gerais, perto de Congonhas do Campo. O caminho vai tranquilo e extremamente bucólico e eu andando muito devagar. Passei pela pequena represa de La Cienaga (alt.:1.200m) eram   15:00 e faziam   22 C. 














A estrada começa a fazer curvas e encosta na parte leste da pequena serra de Salta dá para ver a represa de Las Maderas na parte baixa do vale.  Este trecho de estrada não é andino. O lugar é baixo, cheio de vida e vegetação, vilas, cidades, internet, pessoas, carros, vários motociclistas sem capacete e etc.  Ou seja: o lugar é muitoooooo sem graça!!!


A  ruta subiu uma linda serrinha por dentro da floresta. Nos primeiros km desta serra, realmente um caminho gostoso, eu senti que estava andando rápido demais e estava com aquela impressão de que tudo era muito curto. Parei a moto só para constatar de que a estrada tinha somente 4m de largura!!!  Pista única de duas mãos!!!   Muito mais perigoso que qualquer deserto a 4.900m de altitude!!!  Fui com muito cuidado. Buzinando muito como um bom paulista faz.


A subida foi até 1.500m, onde fica o dique Campo Alegre e de lá para o hotel em Salta, seguindo para o sul, foram somente mais 33km de descida. No vale entre o dique e a cidade dá para ser ver, distantes, os primeiros blocos de pedra se elevando até 3.500m. Deu uma sensação de ressaca após uma festa muito boa. Mais 27km e eu estaria no hotel. Fiz de tudo para estes 27km durarem uma eternidade.



Fui direto ao hotel. Perguntaram como foi a viajem e toda aquela festa!!! , fui muitíssimo bem recebido, fui ao quarto tomar conta das coisas e das malas, escrever, carregar as baterias das maquinas e tentar descansar. 

Arrumei um jantar delicioso, com os amigos que fiz em Humahuaca.  Estava na cama lá pelas 22:30. 


Terei um longo e infernal dia pela frente amanha.  De volta ao Chaco...


































 Acima: o caminho padrão de Humahuaca para Salta, passei por ali à noite, com calor e pouca chuva, chatíssimo!

Abaixo: O caminho percorrido, Repare no Canion de Humahuaca, tombado pela Unesco (aquela da qual o Trump se desligou...) como patrimonio da humanidade. Hé humano demais para meus padrões...  A vegetação entre Salta e Jujuy é frondosa e densa, grandes árvores e rios, Lindo. a linha amarela no canto inferior esquerdo é a subida para Los Cobres.




































Etapa de hoje:  221.2
Trecho em Ripio: zero...  😩
Tempo andando: 03:06
Tempo total: 04:20

Distância acumulada: 4.416,0 km











Caminhando por Humahuaca







Passei a manha andando por esta simpática cidade. 












































Ontem cheguei tarde aqui e vim caminhando para a  vila.  Qual minha surpresa que encontro um restaurante excelente ( e baratíssimo!) onde alem de comer e beber bem, conheci um grupo de motociclistas e a noite foi divertidissima!  Durante a noite ja deu para perceber que a vila tem um charme todo especial.





Ao lado:   estes são Cardones, o cacto daqui. Esta planta grande, que demora para crescer e foi muito derrubada em busca da madeira que ela produz.  Esta coisa linda é sua flor, e esta é uma das primeiras a surgir em 2017! 












































O lugar tem um traço hispanico e andino todo seu!  Me diverti na feira de artesanatos legítimos para os turistas inocentes de lotam as excursões de ônibus e vans. Me fingi de desavisado e permiti ser enganado pelas índas vendendo badulaques.



























Ha uma escadaria que termina em um monumento greco-romano totalmente fora de contexto. Nesta grande escadaria acontecem festivais e o carnaval ( que é bem diferente do nosso), naquela manha estava ocupada por vendedores de artezanias locais.






quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Um dia longo e extra difícil. Voltando à civilização


Está em teste
 um novo sistema de índice para facilitar pesquisas:

Logo à direita voce encontra
um link para o índice por assunto.
               Experimente!!!



Meus Sinceros Agradecimentos aos Amigos do Grupo Mototurismo             América do Sul!!!   vcs me fizeram compania, me apoiaram e            conversaram comigo nas noites altas e geladas!!!! Muitíssimo                       Obrigado a cada um de vcs!!!  estou devendo!!!          

Acordei cedo e fiz um café da manha com muita calma, um pouco de ressaca de ontem à noite!  Avisei aos amigos e irmãs que eu estava vivo, vivo até demais depois dos últimos três dias. 

Quer saber a verdade: o micro hotel no teto do mundo é uma graça! Os argentinos neste canto esquecido são demais de amáveis e deu vontade de ficar ali para o restinho de ano. Na verdade este era o último dia de seguir para frente... A partir de amanha começará o retorno ao caótico século XXI.  


































Acima: O Hotel Pastos Chicos em Susques, saindo do aconchegante e  querido refúgio.


Céu azul, frio e com aquele sol gostoso, me lembrou das manhãs preguiçosas na fazenda há 35 anos. O plano para hoje era seguir a RN 40 até sua nascente, em La Quiaca, fronteira com Evo Morales. É uma estrada no meio do nada, no topo da Puna Jujeña

Quando eu estava sentado confortavelmente em São Paulo, a minha ideia fixa era desbravar o inóspito trecho da nueva ruta 40. Para tanto eu deveria sair de Susques rumo noroeste para a região mais abandonada da Puna Jujeña. Seriam entre 270km  e 306km sem pavimento, coisa de nove horas sem ver asfalto... Fácil mesmo é planejar tudo isto sentado na minha cama em São Paulo. Duro é viver tudo isto!

E já eram quase 08:30  6°C e estava totalmente dominado pela preguiça. O sensato seria voltar à Salta via Purmamarca e esquecer um dia de 9 hores pelo rípio. Me sentei no sol, na frente do hotelzinho na maior preguiça pensando o que fazer da vida. Deu saudade de casa, o sol ajudou a esquentar os 6°C e senti ainda mais preguiça.


Enquanto eu fazia fotossíntese, duas picapes beeem sujas estacionaram na minha frente. Dois dos aventureiros norte americanos (vestidos de exploradores em filme de tarzan...) olharam a moto e vieram falar comigo. Conversamos sobre roteiros, contei sobre o San Francisco, Abra de Acay, Cablecarril Chilecito e etc...  Perguntei sobre o trajeto até La Quiaca pelos confins do oeste da Puna Jujeña. A resposta foi clara: não vale o risco

Nada para ver e ninguém para te ajudar. Falei da minha paixão pela RN40 e uma das elegantes senhoras (lindos ojos azules) me perguntou por que eu não ia até Abra Pampa por las barrancas. Ela era paleontóloga de domingo e me contou coisas interessantes do caminho. Realmente ela foi fantástica!  Os aventureiros logo foram embora e em cinco minutos eu estava com novo roteiro pronto (não consta nada no GPS, seria um trecho de navegação pelas estrelas).




 Acima: A RN52 rumo ao Salar Grande / Purmamarca.

 Abaixo: Já no vale que leva ao salar, a RN75 sai para o lado esquerdo.

 










Eram 10:40 9°C quando montei na moto entusiasmado pela nova ideia!!  O projeto seria subir a 75, ver las barrancas, seguir para Casabindo (onde ha a catedral da puna) pegar o asfalto da RN 9 e ir até La Quiaca, fronteira com a Bolivia. A noite será em Humahuaca. Fácil não???

Segui pela RN52,como quem vai para Purmamarca, Naõ me lembrava da serrinha tão sinuosa depois de Susques, cada vez que se passa por um lugar, se vê tudo de maneira diferente! Depois de 34km, e alguma dificuldade,  encontrei o trevo com a RP75 e segui para o norte até a vila Abdón C. Tolay (Alt.: 3.615).



Acima: O encontro da RN75 com o asfalto mudou de lugar, deu trabalho encontrar esta pequena estrada.

 Abaixo: O ritual de acertar a moto para andar sem pavimento.
  

























Parei para agua, amarrar algumas coisas e recalibrar os pneus. Oitocentos metros depois o primeiro problema, um encalhe em um arenal!  Foi duro sair daquilo e contei com ajuda.  A estrada está  péessimaaaa!!  ondulações costelas de vaga e depósitos de areia. Cansativos os 14 Km até a vila.

Acima: Ooops, o primeiro encalhe...  na realidade eu só tentei passar por ali porque haviam os dois trabalhadores (extremamente engraçados). Dá muito trabalho resolver esta situação, sozinho é beeeeem dificil... 

 Abaixo: A dupla de herois!!!   Ultra simpáticos e piadistas!!! Fizeram questão de posar para a foco com as pás!!!


























Abdón Castro Tolay foi o professor que fundou uma escola e daí se formou esta vila, mais nova que Huancár, mesmo assim é semi-abandonada. Passei devagar pela vila e segui em direção ao vale formado pelo rio que um dia passou por aqui.  


Acima: entrada na vila de Abdon Castro Tolay.

Abaixo: O início das monumentais barrancas














O curso de água, que hoje é muito pequeno, formou um canion cercado por paredes verticais, chamadas de las barrancas. São paredões naturais que dão nome ao local e guardam o patrimônio arqueológico da região. Neste vale viveu um dos vários povos pré Incas a cerca de 500 anos AC. Por estas paredes há vários sítios arqueólogos e uma grande quantidade de petroglifos, na maioria representando guanacos ou vicunhas. Encontraram também artefatos de cerâmica e ruínas de pequenas casas.  O lugar é um monumento da humanidade.  Para ver a arte nas barrancas eu precisaria de um guia e gastar um dia todo. Para mim bastou passar com calma pelo magnífico vale, imaginando aquilo tudo verde a ponto de sustentar um povo.





Acima: Que ótimo lugar para estacionar sua moto!!! Acredite, ela está sobre uma estrada...

 Abaixo: Andei pelo deserto arenoso em direção ao riacho e o mais perto possível das barrancas
   































No lugar onde estacionei a Rocinante havia um presságio no chão: marcas de pneu de carro dando meia volta...  Resolvi ser teimoso e seguir rumo norte, para os  quase 32km até Casabindo. A estradinha inicia um sobe desce apertado, dei uma bobeada e deixei a moto cair... coisa boba mas levantar qualquer peso a 3.800m de altitude e´extremamente difícil...  Coisa de trezentos metros mais para frente encalhei a moto pela segunda vez e logo logo encalhei pela terceira vez.  Chega!!!





,Acima: Não são resultado de erosão e sim de um levantamento tectonico. pelo que pesquisei tem entre 35 e 45 m de altura. Ínti brilha forte!!!

   













Acima: Visto de sul para norte...

 Abaixo: Visto de norte para sul. tive o prazer de caminhar muito por tudo aquilo.



Acima: Aquilo na RN75 é a Rocinante. O lugar é indescritível. Imagine um povo pré histórico vivendo aqui. Ha quinze séculos atrás este lugar foi fértil e o rio era grande. Repare que é areia e pedras para todos os lados! 

 Abaixo: Sinais divinos, a terceira encalhada. Parece fácil, mas dá um trabalho do cão tirar uma moto de 240kg da areia fofa, mesmo com estes pneus.  A 3.800m vc  se sente bem, mas percebe o quanto está fraco quando tem que resolver algo como isto...













  




















Meia volta e vamos sair daqui, eu tinha andado 30% e não estava a fim de correr o risco dos próximos 70%. Poderia ser que a estrada ficasse linda e maravilhosa, mas eu conseguia enxergar os próximos 500m e não me arriscaria naquilo. Ínti e Difunta Correa ja me ajudaram muito até agora... chega de deixá-los cansados...



Acima: Voltando, desisti!  Perceba a areia e o sobe desce de um caminho estreito.

 Abaixo: Olhando para o sul. Beem lá no fundo aparece nosso conhecido, o Nevado de Acay.











































O caminho de volta foi chato, estava muito cansado, meio chateado e me sentindo sem segurança. Demorei para cumprir os 29km de volta para o asfalto.  Mas antes de chegar à RN 52 parei para água em frente de uma fazenda de Llamas... desci, e fui ver a fazendinha. E conversar com os índios, descendentes de um grande povo.


























Acima: Esta é a sede da fazenda... Na direita ao fundo fica o cercado com os carneiros, que são extremamente magros e pouco maiores que um cachorro pequeno. Não dá para se ver, mas o índio macho estava na porta me olhando... 

 Abaixo: Sim, a foto é péssima e quase infantil, depois de uns 15 min de conversa com as duas senhoras, mãe e filha, eu não tive capacidade de tirar uma imagem melhor. Só me deixaram tirar esta foto....































Encontrei a senhora do local, que como eu já sabia, não queria me deixar tirar fotos, eles não gostam. Logo apareceu a filha dela (coisa de 14 anos, aliança de casada). por ali quem trabalha é a mulher... o nativo homem não faz nada além de mascar coca.  Tentei trocar as fotos pelo meu almoço e umas barrinhas de cerais.  As duas não gostaram da idéia...

Conversamos por um tempo, elas muto rudes, duras e secas por anos de exposição e brigas com Ínti . Extraí uma conversa a forceps e então me contaram que vendem a lã das Llamas uma vez por ano, é sua renda. Trocam alimento e coisinhas na cidade pelos pequenos e magérrimos carneiros que eles criam. Perceba nas duas fotos, o lugar é a definição de secura, não ha grama nem energia. A casa é minuscula e a Sra. me disse que nasceu lá.  

Consta que eles moem o milho em pedras, e que estas pedras por sua vez se desfazem, se misturam ao fubá e vão corroer os dentes de quem come aquilo. Realmente os dentes destes índios são sempre gastos até a metade. Xou de horror!!!  As mão são pequenas, a pele escura e extremamente dura, as unhas minusculas. Só cumprimentaram apertando a mão porque eu estendi minha mão... mesmo assim não seguram sua mão e o contato é muito rápido para um lugar onde nada acontece. Realmente muito duro e difícil tudo aquilo. Minha visão romantica do Indio atacamense, herdeiros de Manco Cápac, ruiu naquela manha...


Voltei para a moto, muito chocado. Andei por coisa de dois Km e parei de novo para fotos e para xingar o pavimento. O lugar impressiona pela vastidão e pelo vazio, por ali não ha nenhuma planta, pássaro, sin ratones e sin culebras... 




  
Acima: No meio do nada... Na definição de nada... 













  

Mas havia aquele silencio, aquele céu, a amplitude do lugar e eu cheguei onde eu queria: em lugar algum, no meio do nada. Pronto: Minha missão estava cumprida. Intí me cumprimentou, orgulhoso de seu pupilo!!! (12:30, 3.400m  14°C)



Acima: Missão cumprida!  Chega de rípio!!! Agora vamos começar a voltar para o planeta terra.

 Abaixo: Rumbo leste, as montanhas no fundo são da Cuesta de Lipán e as nuvens estão sobre a Quebrada de Humahuaca. Quatro dias sem ver uma nuvem...
   
































Logo encontrei o asfalto. Considerei terminada e cumprida a minha missão (14:15  18°C). De lá eu segui a RN 52 rumo leste...  em direção ao Salar Grande...  o plano agora é chegar ao hotel de destino, em Humahuaca pelo lado sul...   pela ja manjadíssima passagem pela Cuesta de Lipan. Caminho mais longo e que eliminaria Abra Pampa e LaQuiaca, onde iria só para tirar fotos da RN40 em seu início.  
























Acima: Chegando ao Salar grande. Ele estava seco e branco, parece óbvio mas eu só o vi alagado e marrom!!!

 Abaixo: Conversando com outros amigos (de moto naquele lugar perdido, todos são amigos!!!) da estrada...   Expliquei sobre o caminho para Los Cobres e ganhei uma gasolina.














Acima: Em um dos novos pontos para turistas no salar... Hora de encher os pneus, comer e beber.  Conversei muito com esta família da foto, cedi à eles minha garrafinha de oxigenio.




Parei na estrutura turística do salar, encontrei outros motociclistas argentinos que planejavam ir à S. A. Cobres pelo caminho que fiz, conversamos bastante e quando disse que estava com combustível contado por conta da mudança de planos, eles me cederam dois litros, mais 40km de autonomia confortável.



Acima: Então...  para onde vamos??? 












































Eram 15:25 quando retomo a estrada rumo à Purmamarca e Humahuaca.  Caminho lindíssimo ( primeiro trecho do Paso de Jama), tranquilo, subindo até 4.300m para despencar pela serra de Lipán rumo à Purmamarca.

























Acima: deixando o altiplano Jujeño...

 Abaixo: As nuvens se formaram da umidade do chaco argentino e paraguayo, foto tirada a 4.140m de altitude, olhando para o leste.





























A descida da Cuesta de Lipan foi fenomenal, foi a terceira vez que passei por ali e a primeira com sol!!  
O caminho  foi Lindo e confortável e logo passo por Purmamarca, passei devagar porque naquele lugar tiveram muitos momentos bons.  Vai demorar muito para eu subir a 4.000m de novo...

Eram 16:05 e 18°C quando encontro a RN9, viro para o norte em direção à tão desejadas gasolina e borracharia em Tilcara, acertar os pneus e seguir norte para o hotel em Humahuaca.










Acima e abaixo: Cenas da Cuesta de Lipán































Passei pela frente de Humahuaca eram coisa de 16:40, a temperatura esta muito agradavel e a estrada relativamente vazia...  a escolha era: ou entrar e ir para o hotel em Humahuaca, a ideia mais sensata apesar de só ter andado coisa de 250km naquele dia, ou a pior ideia, subir até o alvo original, La Quiaca, fronteira com a Bolívia.  Eu sabia que não passaria mais por ali. Estava a coisa de 205km de La Quiaca, portanto andaria mais 410km naquela tarde... tudo pra ver o lugar onde nasce a RN40...

A escolha foi dura e optei pelo mais difícil...  subir até La Quiaca... eu não voltarei para la e sei que me arrependeria de não ter andado estes 410km...

A subida pela quebrada de Humahuaca foi tranquila até demais, a temperatura estabilizou em 19°C e o transito era muito leve, principalmende de caminhoes velhos, onibus lerdos e vans de turismo. Facilmente ultrapassáveis. A quebrada (um grande Canion) termina em uma bacia (Alt. 3.500m), desce um pouco e encontra o canion formado pelo  Arroyo Três Cruces, e sobe por uma serra até 3.700m de altitude onde existe a vila de Tres Cruces, uma delicia de trecho!



,Acima: O topo da quebrada de Humahuaca, bem lá no fundo, depois das montanhas, fica a Bolivia


Abaixo: A serrinha do lindo canion do Rio Tres Cruces































Logo após Tres Cruces, uma vila sem graça mas com
uma demorada barreira policial,  a estrada vira para nordeste a começa a subir, e quando passa a lado de uma montanha 
chamada Ezpinhaço del Diablo surgem formas geológicas muito bonitas, coloridas e com os gigantescos extratos de rocha torcidos como se fossem chantily. 






Acima: O Ezpinhaço del Diablo. Foi uma pena não ter boas fotos desta formação!! O lugar é muito bonito!!!


































































Eram 17:30, 21°C quando pasei por Abra Pampa. Eu chegaria nesta vila caso tivesse me arriscado naquela estrada em rípio depois de Las Barrancas.  Li coisas péssimas do lugar mas na realidade é muito mais organizada e limpa do que eu esperava. Tomei o rumo norte em um trecho da RN9 que fez parte do traçado original da RN40. É  quase que uma reta até a fronteira com a Bolivia e haviam varios trechos em obras e sem pavimento...  passei devagar por dentro das vilas, que ainda mostram as ruinas das antigas estações de trem, e a tarde começava a cair... 


Se eu estivesse mais descansado em com tempo, as fotos seriam ótimas...   Para piorar as baterias das maquinas estavam no fim!


,Acima: Abra Pampa, uma surpresa positiva. Repare que não há ninguem nas ruas..  é assim mesmo.

Abaixo: O trecho da RN9, antiga RN40 rumo norte. Saliente ao fundo das montanhas, logo à esquerda do poste, está o Vulcão Zapalleri! (para quem não leu o texto de ontem , ali acontece a fronteira Argentina, Bolivia e Chile)


















































































Eram 19:50  e  18°C quando cheguei meio exausto na cidade mais feia que vi na vida.  Nada para se comentar do lugar, aquela bagunça típica de cidade de fronteira com a Bolívia, caminhões, ônibus capengas, o povo com traços indígenas e tudo muito pobre. A praça principal é um gigantesco páteo de areia solta onde ficam as ruínas da ferrovia. Ainda se percebem os trilhos e a decadência é geral.

Estava cansado e com fome... parei em um ponto de taxi para indicações. Ninguem sabia de nada e o comportamento era de Neandertais mascadores de coca. Busquei sem sucesso peo indicações da RN40. segui meus instintos e logo estava onde ela começa para o oeste e onde ela começou na década de trinta: em uma ponto perto da ferrovia.  Quer saber? Foi Broxante!!!


Fiz as contas e com mais sete litros de gasolina eu chegaria ao meu hotel daquele dia. Estava no ponto mais ao norte da viagem, estava na latitude de Pirassununga em SP.

Antes que Ínti desaparecesse por traz das montanhas chilenas, eu cometi uma última estrepolia: Saí pelo lado oeste da cidade em busca da Nueva RN40,  queria muito andar até encontrar uma placa e tirar fotos, o marco zero de 5.000km. Mas estava exausto de andar em rípio com costelas de vaca... Andei coisa de 1 Km, tirei fotos péssimas e voltei. Chega de suor, poeira, tombos e lágrimas...




,Acima: Meus úlmimos metros de rípio por um bom tempo. Acredite, este é o começo da RN40. Andei 210km para chegar acabado a este ponto e para tirar esta foto ridícula...

Abaixo: O trecho da RN40 entrando na horrivel La Quiaca... Repare na sombra, o sol ja estava se escondando no oeste.























O que fazer em La Quiaca?  Fugir de lá!!!!  Cansei de  ficar de olho para não ter problemas com os não argentinos. Me sentia cansado e com uma certa fome. Estava  meio receoso com a minha segurança e resolvi voltar à estrada. Íntí ja se escondia por detrás daquelas montanhas que fazem o Paso de Jama. Até aquele momento foram 240km em baixa velocidade e grande altitude. Eu tinha combustível até o hotel de hoje, seriam somente mais duas horas noite adentro até uma cama e chuveiro quentes... 


Eu não saí de La Quiaca... eu escapei de la!!!   O sol sumiu (20:30) e o frio veio...  Parei na saída de da cidade para conversar com uns policiais e depois parei na vila de Pumahuasi ( sim, a casa do Puma) para conversar com a policia e colocar casacos e luvas para o frio. Setenta km depois estava em Abra Pamba a partir daquela vila a  RN9 é uma estrada nova, nunca foi a RN40, alias, adeus Panamericana por um bom tempo...



,Acima: Fugindo de La Quiaca para o sul. Este é o primeiro trecho da antiga RN40 que hoje se chama RN9. No final das montanhas ao centro ficam Las Barrancas...


Passei por Abra Pampa ja estava escuro. Naõ gostei nada de andar cansado e à noite por aquele trecho. Tive a sorte de encontrar com uma van com um motorista bem arrojado que ia na minha frente mostrando o caminho. A temperatura caiu  para coisa de sete graus, mas à medida que eu descia ela voltou a subir bastante. Acho que por volta das 21:00 cheguei à ultima serra que entra no grande canion e  os últimos kms foram em um breu total e de vez em quando dava para se  ver as luzaes de Humahuaca...   Andei extremamente devagar... Traz segurança  saber que não existem buracos naquele trecho!



Cheguei na vila iluminada por horriveis lampadas amarelas, a minha pousada ficava no bairro mais escuro e fui recebido com festa e preocupação por uma senhora índia mais do que expansiva e engraçada.



Feitas as coisas de sempre fui atraz de comida e vinho...  alias... de vinho, vinho ... mais vinho e alguma comida.  Não troquei de roupa, fui com as botas e a calça totalmente cobertos por aquela areia branca. É bem cansativo caminhar com aquela roupa... Andei pela vila escura, não gostei nada do restaurante que me indicaram e resolvi andar mais um pouco até encontrar um restaurante BARBARO!  Simples, mas fenomenal! Havia duas salas e um páteo. Em uma das salas havia uma mesa com umas dez pessoas... não queria barulho e me sentei na outra sala. 
Tomei demoradamente uma garrafa inteira de um ótimo Torrontés!!!






Acima: Mis nuevos amigos!!!  Jantamos juntos em Salta no dia seguinte!!! Gente querida!!!


 Abaixo: A vila extremamente interessante de Humahuaca!
































































 Quando ia pagar a conta puxei conversa com um dos caras
da mesa ana outra sala, O Armando... Logo eu estava jantando com eles, todos motociclistas!!!

Eu já estava completamente contaminado pelo ritmo Andino: tudo lento, sem pressa, sem motivo e sem muitas palavras. Aproveitei a internet mesmo lerdíssima e atualizei o blog, é minha única maneira de dizer que está tudo bem 



















































































Voltei para o hotel na parte escura da cidade, o hotel é

medio, super novo, pequeno e simples, mas caro p cacete para o que ele é. Banho e desmaiei na cama!!!





Acima: O caminho visto de sul para norte, em Amarelo o trecho em rípio. Repare o Salar grande que é parte branca ao sul de Susuqes. Laáaa no norte fica a Bolivia e o Salar de Uyuni (uma mancha na parte esquerda da imagem), o maior do planeta. A linha amarela que passa por La Quiaca é a fronteira com a Bolivia. 




“Any thoughts of guilt or any feelings of regret had faded. 

The desert had baked  them out.” - Stephen King 






Para os bocós que ficam em casa só dizendo que a coisa não vai funcionar e que vai dar tudo errado e que sozinho eu vou me F...   


Para quem só arrotou regras porque veio para cá (de avião) uma só vez...

 Para quem só anda em bando, de preferencia com carro de apoio...

Para quem tem alergia à poeira, camas apertadas e morre de pavor do rípio...

                                    Bem , fica meu orgulho: Eu fiz!!! Vocês não!!!




Etapa de hoje:  619,2
Trecho em Ripio: 62km


Distância acumulada: 4194,50 km