segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

De volta a um shopping center: que horror!!!

Incluí alguns comentários em azul em agosto de 2012, acompanhe...

Saí de Fiambalá hoje eram quase 11;00...

Acordei cedo, mas fiquei na mesa do "café da manha" escrevendo para o blog. A cidade é beeeem pobre e a maioria das pessoas é como as montanhas: muito secas e muito frias. Há exceções, como os rapazes em pequenas motos no posto e o senhor que veio mostrar a moto para o filho. Rolou o de sempre: o menino em cima da moto e eu tirando foto dos dois. Foi legal.  Às sete da manha faziam 18C, as 11:00 já batia 31c!
Eu com zero de vontade de enfrentar os dois dias de tédio, calor, deserto e uma região sem nenhum predicado...  e para voltar para casa...


Fiambalá fica em um vale sentido S - N, estamos rumo sul na saída do vale: serão 644 km de planície abafada e modorrenta até Córdoba. Isso se tudo der certo... altitude aqui: 1400m

Abaixo: engraçado??  não meu amigo, isso é pobreza mesmo! Pelo menos a moto era nova perto do que eu vi por ali......








Ao lado: Aimogasta em plena segunda feira   Abaixo: vejam que paisagem acolhedora!!


O morador mais ilustre da região ....


Acima e Abaixo: adeus cordilheira...   ... bem vindo à terra do cacto!!!


















A cidade de Fiambalá fica em um vale muito largo que sobe por dentro dos Andes em direção N. O caminho do Paso sobe para norte e depois vira para W. A saída da cidade em direção a planície é para S. Se caminha muito rodeado por montanhas relativamente altas até se descer para uma região a 800m. Até ali foi tudo divertido, mesmo com a estrada estreita e muito sinuosa. 


A região de Fiambalá, que é toda voltada a turistas, já não é nenhuma maravilha de prosperidade...   mas saindo do vale a miséria impera. Nem me dei ao trabalho de fotografar muito as casas de argila e os currais feitos com galhos deitados de árvore para conter cabras anoréxicas. (Cheguei à conclusão de que as cabras e raras vacas não fogem dali para não morrerem secas!).  Lembrem-se que mesmo com alguma vegetação mais encorpada, ainda é deserto, quente arenoso e não ha gramíneas. Sin ratones y sin culebras... Mesmo assim não se vê criança barriguda nem pelada.

E por qualquer povoado por menor que seja, há uma Escuela muito em ordem exibindo a bandeira da Argentina. 

Cenário ideal para um bang bang Argentino!!!Estrelando Carlos Menen, Carlos Reutmann e Chiristina Kirschenr como a dona do bordéu...


Andando mais uns cem km entro em um vale com alguma agricultura organizada, logo após o vale uma serra alta e longa de rocha vulcanica.  A estrada entra por dentro desta serra, sobe de 700m a 1.300 para depois descer a 400m saindo em outro deserto, com 42C me esperando. 
Mais um novo amigo para conversar!!!

Há várias histórias engraçadas de exploradores, aventureiros, soldados ou vagabundos que ficam tão bêbados que abraçam o cacto...  bem...  mesmo sóbrio eu resolvi tirar uma foto abraçado com o cacto...  Encontrar um exemplar com cara de cacto-de-bebum-de-faroeste foi fácil. Estacionei a moto na beira da estrada e fixei a maquina no tripé. Até aí moleza...  daaaaí eu fui chegando feliz perto do cacto, para descobrir que é impossível abraçá-lo ou sequer chegar mais perto do que estão vendo!!! Existe por todo o chão perto do dito cujo um emaranhado de espinhos duríssimos... que furaram a minha bota (tive depois que tirar os espinhos com alicate...). Não se apóia a mão nele por conta do monte de espinhos...   Tive que entrar e sair deste matagal umas três vezes até chegar a uma foto razoável... Eu estou sorrindo é de raiva dos espinhos me cutucando nos pés e nas mãos. E tem umas aranhas desinibidas e curiosas também...
A última serra divertida,,,,  sniff...sniff...


Read the signs: 644m e 40C.... lá na frente a última serrinha divertida onde eu encontrei o cacto-de-bebum.







Faltam só 400 km disto?????


Vejam o inferno verde  lá embaixo!!!!


























Foram quase 300km neste inferno entediante, passando por dentro de cidades horríveis e sem gasolina. Tive que entrar em uma vila quase abandonada e calorenta para comprar, pelo dobro do preço, 5 litros de gasolina.  

O rolo foi o seguinte... não vi NENHUM posto de gas desde Fiambalá... fiquei preocupado, o calor, o tédio e já tinha andado uns 400km com aquele tanque, passar de 550km não era seguro.. Não dava mais para voltar até Chumbicha . Em um entroncamento, uma viatura da polícia me disse (com muita má vontade) que 50 km adiante existe gasolina. Oitenta km depois chego a  um vilarejo abandonado (chamado General Mansilla), com uma só rua asfaltada e cortado pelas ruínas da ferrovia....

Ando bastante por ruas empoeiradas e não encontro posto... cruzo várias vezes com um casal bem gordo e decadente em um Ford Falcon beeem arruinado. O senhor me dá orientação de quem tem gas em casa para vender...  42C e eu andando pela cidade batendo de porta em porta... puta poeira e nenhum som de nada!!!  A cidade viveu da exploração de um salar vizinho. Salares por definição não secam, mas a cidade secou e da ferrovia restam pedaços de trilhos e uma estação decrépita. 





Buenas tardes señor!!  ?Por supesto tienes un bocadito de nafta para vender?



Confesso que passei medo, tudo muito abandonado e ninguém informava nada corretamente. Muito calor, muita poeira e eu procurando a tal da casa que vendia gasolina paralela. Quem me atendeu foi a filha de uns dez anos de idade, ela foi chamar o pai e eis que surge um daqueles barrigudos casca grossa. Paguei uma fortuna por pouca gasolina e o cara era enrolado e demorado, ficava gritando com a filha e me tratava com ironia... se eu não encontrasse gasolina, teria algo como mais uns 70km de autonomia. Talvez dormisse na estrada, mas em Gal Mansilla jamais!!!


O posto de gasolina "organico"... reparem na tecnologia!!!





Saio de Gal Mansilla correndo!!! retorno à rota e qual a surpresa quando 40km depois chego à Vila Quillino, um importante entroncamento com um mega posto YPF!!!




Acima: fuga de Gal Mansilla!!!

Quando chego ao YPF corro para dentro do restaurante para me esfriar, beber água gelada e comer uma fruta. 

Passei mal no restaurante, a minha pressão caiu e eu quase desmaiei... ainda bem que o ar condicionado lá era ótimo.

Além da fila, os nada simpáticos funcionários que te fazem um favor de vender gasolina não aceitam Tarjeta mas somente effectivo... lá vou eu em mais uma expedição em busca de um caixa eletronico, andei um bocado pela região para sacar $$$ vivo... um saco.  



De volta à simplesmente ridícula fila da gasolina. 

Espero quase duas horas no restaurante com ar condicionado até a temperatura baixar para 39...  faltavam somente 150 dos 640km de hoje.

A coisa de 100km de Córdoba, a capital da província que já teve Carlos Reutmann (ex piloto de F1, na Ferrari e na Brabham) como governador, começo a ver agricultura de respeito, empresas grandes, revendas de máquinas agrícolas, cerealistas e a coisa é toda organizada. Linda  a paisagem. Somem as cabras Diet, surgem árvores realmente altas.



Córdoba é uma cidade grande e "globalizada", apesar de  Carlos Reutmann o lugar é legal e parece uma Curitiba mal cuidada e sem as meninas bonitas...

Estou em um daqueles hotéis americanos fantásticos, oposto das "flea houses" dos últimos dias...  o caso foi que fiquei sem $$$$ trocado, e precisava de um caixa eletronico.. Fáaaaaacil, só ir no shopping ultra chic que existe anexo ao hotel. Moleza!

Foi um choque horrível...  uma manada de gente que não olha para outras pessoas e vaga de maneira muito mais burra que as cabras magrelas ou as Llamas...  a somatória das vozes forma um ruído constante e indefinível que faz a ventania do altiplano parecer solo do Hendrix. Ninguem te olha nos olhos.

Maaaas...  eu sou um Homo Sapiens-Iguatemi...   melhor eu voltar à real por que é no shopping que eu consigo alimento e roupas... satisfaço minhas necessidades básicas ou supérfluas e encontro femeas para acasalar...  no altiplano ou na linda costa rochosa eu não sobrevivo.

Faltam 360 dias para eu voltar à altitude, à puna e às pessoas maravilhosas que eu encontro no caminho.




Acima: Adiós desiertos y sierras...   Abaixo: de volta ao habitat natural, o pasteurizado hotel Hilton de Córdoba




O mapa do dia. Realmete o único trecho chato destas viagens é cruzar a maior parte do continente...


"He who does not travel does not know the value of men." -Moorish proverb 

Paso de San Francisco


Incluí alguns comentários em azul a partir de maio de 2012, acompanhe...

Agora que a net voltou... ou acabou a ressaca do carinha que liga o wi-fi aqui no hotel...  vou publicar as imagens do dia 31 com alguns comentários.  Quando estiver no Uruguay completo a história.

Estatua à Liberdade - cedida pelo governo Chines comemorando o resgate dos mineiros em  Copiapó.







O caminho do paso começa a 600m de altitude aprox, confortáveis 25C. Saí de Copiapó e andei por  uns 50km até a saída da estrada para o Paso. O dia amanheceu Nublado. Reparem na neblina que começa a se desfazer. O visual com a névoa é algo!

Realmente, o dia amanheceu até frio, totalmente coberto com baixo Cumulus...  feio... Os primeiros 40km são dentro de uma área industrial, feio e cheio de Autocaminhones. Não houve surpresa pq no final da tarde do dia anterior eu fui até a placa que indica o paso de S Fco e andei alí por coisa de 800m. O sol se pôs  e eu ainda estava por ali... foi lindo!


Aqui nada enferruja... esta é a caminhonete de apoio esperando a excursão da Harlei chegar.

1.000 metros e 19 Graus... muuuuito gostoso!!!


Ruínas Incas???   não, de uma vila de mineiros... (que trabalham em minas e não nasceram em gov Valadares...)
É um show!! O vale é largo, as montanhas altas e sem nenhum vegetal. Eu estva preocupado com o cambio roncando e torcendo pára o piso continuar naquela ótima qualidade. O visual com a neblina se desfazendo foi algo indescritível!!

A direita saída para uma das minas ainda ativas. Por conta dos caminhões pesados, as estradas "aqui em baixo" são excelentes!

Esta saída para a direita leva a um pequeno oásis chamado La Puerta ( 2.000m altitude) . De La puerta adiante há um caminho que leva a Maricunga pelo vale de El Peñón. Se chega ao salar de maricunga pelo lado SW ( a adunana está do lado NE). Este caminho é inóspito e dificil... quem sabe em 2013...

Aproveitando o assunto... pra quem é macho messssmu ( não para quem pensa que é só porque tem moto americana..)  existe o Lago Negro Francisco (cerca de 70km em linha reta ao S da aduana de Maricunga), fica a 4.150m de altitude. Depois da mina de ouro Marta (já abandonada). Como os flamingos e vicunhas não gostam de turistas, e ninguém são vai lá... o lugar é coalhado de vida selvagem. Dureza é chegar e sair daquele buraco! Eu ainda publico uma foto minha em Negro Francisco um dia... Aguardem!!!













Depois eu não sei porque o cambio ronca... repare o reservatório de gasolina (azul) inflando com a queda da pressão, este simpático botijão é quadrado, na foto parece um baiacú!!!!

As garrafas de água se soltaram ao longo do caminho. Perdi Uma delas. PUTA burrada!!! Não usei nenhum litro da gasolina extra que eu levei. O consumo da GS em grande altitude cai muito, andei quase 620km com este tanque de gas (33l) Por outro lado eu não tinha nenhum cobertor e pouca água de reserva. Mais importantes do que gasolina extra...

Não, não são Llamas...  são a versão andina da minha moto!


Apesar de sem pavimento, esta estrada é fantástica!  Sem trancos e com muita aderencia.  Ando com toda a calma entre 80 e 100 Kmh. Repare: não há vegetação, pássaros ou animais... nadase move ou dá sinal de vida. 



Repare nas linhas de alta tensão, ao fundo. levam energia para 4 mineradoras muito grandes que estão na área. Um pouco de cobre e ouro (o ambicioso e psicótico Diego de Almagro passou fome e frio pisando em ouro...), Silício e alguns metais raros. A estrada nesta parte só é excelente por causa do tráfego de caminhoes muito pesados. Passei por só uma destas carretas.

Parada para abaixar a pressão dos Pneus, para água e Duraznos.

Na próxima viagem virão mais frutas e mais água. geralmente depois da primeira parada eu me sinto mais relaxado e mais à vontade. eu só relaxei após esta parada. No final deste vale a coisa ficou séria. o primeiro trecho de piso ruim com subidas muito íngremes. O piso e as montanhas tem a mesma cor: este salmão amarelado, cor de pó de arroz. O céu é isto mesmo: azul profundo, silencio e vento.



Eita serrinha difícil, você reconhece onde está a estrada? 

A paisagem o o silêncio são incríveis! por muito tempo, tudo o que se vê tem esta cor marrom claro roseado. Neste trecho já existem algumas obras para retificar o traçado e pavimentar a serra. Além de alguns caminhos feitos para provas especias do Dakkar que aconteceria ali 4 dias depois.

Depois desta serra, que vai até 4.400m se desce até um buraco chamado Caballo Muerto. Agora entendo por que do nome. Logo após los caballos muertos, se abre o vale do Salar de Maricunga, onde está a aduana. Neste salar, sobraram algumas poças dágua, que são de um azul claro esverdeado sobrenatural. Não entendo pq a máq. fotográfica não registrou este hipnótico azul.

Aqui começaram os problemas: algum engenheiro chileno jogou um pedrisco muito fino por toda a estrada. A GS carregada vai bem mal neste piso. Agora eu percebo os primeiros sinais de cansaço na altitude, mal aguento andar de pé em cima da moto.


Chegando na aduana Chilena, no salar de Maricunga. Ao fundo o conjunto demontanhas que forma o parque nacional Tres Cruces, e o caminho para Argentina.

Estava MUITO FRIO. Acordei todos na aduana. O processo é burocrático mas não demorado. Vc é sempre tratado com muitíssimo respeito. Na espera para ser atendido rolou até uma saudável soneca. Eu deveria ter dormido um pouco mais ali. Dica: sentiu soninho? DURMA!

Foto tirada a 3.780m altitude. 
O Chile fica para trás. Pena pelos lugares e pelo visual...  mas eta mulherada feia!!!

Apesar das barangas...   eu volto para cá no final de 2012!


Vista da saída do vale de Maricunga, já pelo horroroso piso de cascalho solto, o vale verde se chama Rio de lava, o que passa alí é um córrego. A temperatura começa a baixar e o vento aumenta. Foto tirada a 4.280m altitude. 


O caminho por La Puerta entra em Maricunga pelo lado esquerdo, lá no fundo da  foto... também  à esquerda é o acesso ao misterioso Negro Francisco.
Foto tirada a 3.880m altitude. 
A estrada está sendo pavimentada. O trajeto sendo retificado, eliminando milhares de curvinhas e precipícios. Vai ficar muito melhor e mais fácil.

Maaaas...


Onde ainda não existe um pouco de asfalto, ou cascalho pintado de preto, os chilenos cobriram a estrada com uma camada espessa de cascalho grande e solto. O piso é fofo de andar a pé!

Logo na saída da aduana existe um trecho de coisa de 7km pavimentado mas sem pintura... fui feliz olhando Maricunga a minha direita. qual a surpresa que tenho quando acaba os asfalto, o leito todo coberto de cascalho grosso, uma camada alta e fofa. O pneu trazeiro cavava um buraco quando eu começava a andar, a moto ia balançando. Eu não conseguia andar a mais de 40kmh. Daí resolvi sair da parte coberta para andar sobre a lateral que estava terraplanada com cerca de 40cm de largura. Andava melhor, mas haviam valetas e enormes pedras soltas...  melhor foi voltar para o cascalho...

Dez cm de cobertura destas pedras soltas. Impossível andar sobre isso!! Tentei todas as regulagens e truques de suspensão. Difícil, cansativo e lerdo. Foram "somente" 80km deste sofrimento a 30 ou 40 km\h!!!

O Trajeto é moleza! Nada ingrime... qualquer toyota corolla faz...    mas estas pedras soltas...  


Em um raro trecho já asfaltado com 800m de comprimento.... humpf.!!!  Ao fundo todos os tres blocos do magnífico Vulcão Tres Cruces!!!

O Tres Cruces é magnífico! excepcionalmente estava sem neve nos picos. Neste trecho, ´qe é um planalto a cerca de 4.200 m eu via perfeitamente a estrada antiga. Como a estrada nova estava coberta do impossível cascalho, resolvi sair pelo deserto até a estrada antiga... A 5 km/h desviando de tudo.  os primeiros 50 metros foram fantásticos... mas logo começaram os buracos e valetas. terrível mesmo é uma poeira muito fina que se acumula sobre os buracos. Não se consegue reconhecer onde é piso diro e onde é uma poça desta poeira pois fica tudo livelado e lizinho. lá pelas tantas passo por uma giigantesca depressão que estava coberta com o tal pó!  a moto balançou demais, o guidão deu o maior chimming e achei que eu seria jogado fora da moto. Para minha sorte eu estava rápido o suficiente para a moto não parar naquilo e a coisa voltou ao normal apos o pneu dianteiro encontrar solo firme. PUUUTA SUSTO.
 Após vencer mais uns cem metros de deserto e passar por cima do murinho de terra que protege a nova estrada, voltei para o lastimável cascalho e parei p descansar.




Depois de 60km de pedras soltas, 4.550m de altitude, vento muito forte e 12C. Parada para água e comida. me sentei na beira da estrada e fiquei olhando tudo pelo binóculo, é tudo lindo. Quem sabe um dia com o asfalto pronto...   note a cara de saco cheio... Ao fundo o Vulcão Trez Cruces 6.749m.

Começaram os efeitos da altitude e desidratação: me sentei no monte de cascalho com o binóculo e sem perceber se passaram 40 minutos olhando pro mesmo lugar!!! Depois de quase meio litro de água, eu volto a pensar mais ou menos normalmente.



Este agradável e aconchegante lugar se chama Mulas Muertas...  por que será que tudo por aqui vem com o sufixo Muerto? Mesmo que as mulas morram, o lugar é maravilhoso!!! A logo a frente, as Barrancas Blancas, ao fundo um maciço de  vulcões. No vale láaa na frente fica a Laguna Verde, que também está Muerta!

Complexo vulcânico Nascimiento, com seu pico mais alto bem ao fundo.

O Ojos del Salado está bem a direita na foto. Imediatamente a direita da placa se vê o Vulcão El Muerto com 6.450m de altura. Foto tirada a 4.460m altitude. 

O Ojos del Salado só apareceu neste momento, o vulcão mais alto do planeta, 6.853m. Está ativo com sua última manifestação em 1993.


Se eu não estivesse tão cansado da estrada péssima e já meio biruta da altitude, teria seguido esta trilha até uns 5.200m de altitude. ( ah! Ah! Ah! AH! AH! sentado na minha cadeira em São paulo é fácil dizer isto!!!)



No dia seguinte ele estava ainda mais encoberto. Eu volto para cá... só para chegar mais perto dele!!!


Passei meses estudando a Plaza de Volcones ( o nome deste lugar) a maior concentração de vulcões no planeta, e o Ojos del Salado esta encoberto!! Um Puuuta  vento Sul, as nuvens se movendo muito rápido ...este lugar não é para curiosos, apesar da estrada ser fácil.


Hernán Donoso e su señora!!  O mais que simpático casal que estava passando uns dias no abrigo na Lagoa Verde (ou Laguna Muerta...). Ele instrutor de alpinismo e guia ao Ojos del Salado. Simpatisíssimos!!!

Aliás, TODAS as pessoas que eu encontrei pelo caminho foram legais, interessantes e muito diferentes.

A lagoa é indescritível!!!  Ela é grande, a água absolutamente transparente e o fundo de rochas claras dá um senso de profundidade único!  A medida que o sol e as nuvens se moveram, a cor que a lagoa irradiava mudava de tom, a cada cinco minutos a impressão é que tinha trocado toda a água do lugar!  O vulcão mais próximo e à direita é o El Ermitaño, 6.146m. Esta cabana é usada por alpinistas para se aclimatarem antes de continuar a subir. Ficam no mínimo 4 dias antes de prosseguir.



Fiquei aqui por cerca de uma hora. A água é salobra, cheia de minerais diferentes, daí a cor. extremamente transparente e geeeelaaaada!!!! Saber que não se pode nadar alí por causa da temperatura e saber que não há vida na lagoa deixa o lugar meio fantasmagórico...

Ao Fundo da foto aparece o complexo vulcãnico Nascimiento.

Lógico que eu pus os pés e molhei as mão na lagoa!! Quando seca sobra um sal branco muito fino que cola em tudo... na mão nas botas, na camera fotográfica... a agua é extremamente salgada e fiquei enjoado de experimentar.

Foto tirada a 4.340m altitude. 
O gentil casal.



Oooopsss!  Moto Muerta!!! graças ao Hernan voltei pra estrada.. repare que a foto está torta!


Complexo Vulcanico Falso Azufre, 5.890m

Faltem dez Km....   8 graus e 4.600m. Começo realmente a sentir La Puna!!! Assim que pulei para fora da moto me deu vontade de desmaiar, me segurei na moto e respirei muito, me movi muito devagar e passou.  Pensei que aquele lugar logo se chamaria Kiko Muerto......  bem melhorou um pouco somente...   eu fiquei beeem biruta!

Tirei algumas fotos do lugar, todas ficaram tortas!! Muito engraçado!! A medida que eu vou ficando cansado, eu paro de tirar fotos e de filmar... pena isto.

Foto tirada a 4.758m altitude. 
Cheguei!!   com uma roda no asfalto e outra no rípio. Ao fundo o Vulcão San Francisco.  Neste ponto resolvi encher os pneus da moto e colocar mais um casaco. percebi o quanto a Puna me afetava: dava voltas e voltas pela moto sem conseguir me concentrar. Eu não terminava nenhuma tarefa simples, como retirar o banco, ligar o compressor etc. Abria a garrafa de água e não bebia, colocava uma manga do casaco e saía andando... Cada rotina era interminável

Lá pelas tantas eu olho para o deserto, o que eu vejo a cerca de uns 50m de onde eu estava???  MEU CAPACETE!!!!   como ele foi parar lá? não foi o vento não, eu estava tão doidão q larguei ele lá e não me lembrava!!


Aposto que você não leu o post " chegando em nova toledo" do dia 30 de dezembro...




Agora para descer tudo isto.., Olha o que me espera, neblina, chuva e noite... já vi este filme antes.... Iniciei a descida, havia pouco vento, completamente biruta da Puna eu fixei na faixa central e fui devagar. A 3.800m eu já estava normal de novo...

Daí só descida. 30km até a aduana Argentina e mais 170 até o hotel. Tudo morro abaixo com asfalto impecável. 

Visibilidade uns 300m, eu contava a altitude e  mais uma vez festejei muito por meros 10C de calor!!!

Foram 22o km da fronteira até Fiambalá, Uns 150 destes dentro de uma noite beeeeem escura, alguns momentos de chuva. Parei em um hotel que estava fechado. Quando fez 20C eu me senti nos trópicos.



Eu Não sabia que NA aduana existe uma pequena pousada para alpinistas. Para quem quiser fazer isto: durmam ali, na aduana,  e não saiam a noite como eu fiz...



Foram 7:44 de deslocamento para percorrer 543km.



  Contando minhas paradas para fotos, caminhadas atrás de plantas e insetos, bate papo com os raros seres humanos que encontrei, para descansar do rípio infernal e ficar feito bobo hipnotizado pelos vulcões: Foram 9:40 de viagem.

Valeu cada segundo.

Preciso arrastar meus amigos para este lugar!!!!



No dia primeiro de janeiro a organização do Rally Dakkar cancelou a etapa Fiambalá- Copiapó por considerar o trajeto perigoso. 






Visite o site do Hernán Donoso, usem esta agencia de eco turismo para suas aventuras pelos Andes:



disfrutachile - eco turismo e educação ambiental



São dois os vídeos desta etapa:

De Copiapó ao Paso de San Francisco - Nova versão

De Fiambalá ao Paso San Francisco




"A good traveller has no fixed plan and no intent on arriving." -Lao Tzu