domingo, 5 de março de 2017

De volta à colonia de férias do diabo - El Chaco



Da porta do meu hotel, até o hotel em Resistencia seriam 840km, se desse tudo certo. Este é o dia chato... não somente por voltar, mas por ter que cruzar praticamente toda a Argentina por um lugar abandonado e de clima bem desagradável.

Eu estava em um misto de chateado, por ter antecipado a volta, cancelando a ultima etapa em Susques, me sentindo aborrecido por não ter conseguido completar a etapa chile e nem o trecho susques- acay. e a perspectiva de enfrentar a longa planicie argentina não era nada agradavel.

Desta vez eu tinha hotel pago em Foz do Iguaçu dali a dois dias. Simplesmente não queira que a etapa se prolongasse. Hoje é o dia chato de encarar o quente, modorrento, imprevisível e nada solidário Chaco

Serão 600km por uma baixada quente, abafada, úmida por onde eu passei uma vez com sol de 44C e outra com chuva e 16C. Não ha solução: para se aproveitar tudo de lindo que os Andes te trazem, voce tem que cruzar pelo pior da Argentina!



Acima e abaixo:  saido das serras próximas a Salta e rumo ao Chaco, má noticia, faz soool no chaco!!!






















Acordei sem nenhuma vontade de cumprir esta etapa e nem tampouco escrever sobre ela. Historicamente, o mês de março é o mais quente naquele lugar xingado. 

Saí da cama muito cedo, e durante o café da manha eu aprontei o texto da etapa de ontem, depois fui ao quarto publicar as imagens e arrumar tudo...  e quando apertei o "publicar "  o programa se atrapalhou e perdeu tudo. Um trabalho de quase duas horas!  Fiquei P da vida!

Quando eu estava fazendo o check out a moça gentil (e bonita) da concierge ficou horrorizada com o meu roteiro, dizendo que ir até Corrientes de moto em um só dia seria um gran esforço e que eu deveria estar preparado, deu um telefonema e logo apareceu o chef com um farnel muito bem montado de frutas e sanduíches. A equipe do hotel fez uma sorridente cerimônia para a entrega do kit sobrevivência! A saída do hotel foi demoradíssima, o rapaz naõ se entendia com o sistema e nem com o cartão de crédito...  Perdi quase uma hora nisto. Passei pela saída da garagem eram 11:00. Muito tarde para uma etapa daquela dificuldade.

A saída da cidade foi enrolada, naquela confusão, eu encontrei duas motos brasileiras com simpatissísimos o pilotos de Porto Velho, estavam vindo do Peru. Em um posto de gasolina um rapaz chatinho disse q não abasteciam motos, em outro o frentista-falante demorou uma eternidade para passar o cartão de crédito. Entrei na estrada eram 12:15. 

A saída de salta acontece pela moderna RN9 (para leste) acontece pela parte feia e pobre da cidade. O caminho é padrão antiga via dutra, só que com piso ruim e argentinos dirigindo muito rapido e muito mal. A estrada sobe uma pequena serra para depois descer para o vale e encontra a RN23 para o sul.

A cobertura baixa de nuvens não me deixou ver a cordilheira e viajar com ela pelas costas não foi gostoso. A estrada desce de 1.200m a 730m quando encontra a RN23, que desta vez passa a se chamar RN9 (é uma bagunça) em seu trecho norte-sul. A região, que não era novidade para mim, é bonita, a estrada larga segur por um sobe desce entre muitas florestas com arvores muito altas. Ontem à noite aquele trecho estava muito quente, hoje a temperatura é de ultra agradáveis 22C. Do topo de uma das montanhas deu para ver o grande vale do terrível Chaco, e de lá tive uma péssima constatação: Fazia muito sol na regiao. Fiquei aborrecido em imaginar coisas como 44 ou 45 C.

Setenta e oito quilometros depois eu deixei a organizada ruta nove para entrar no caos do Chaqueño, via a RN16 até Quebranchal.  Mas comecei a ter surpresas...  a região estava muito mais bonita do quando e passei em 2011.  O plano era abastecer no feio, caótico e já manjado posto em Joaquin Gonzáles (alt.384m, 223km após Salta 14:00).  O céu estava azul com poucas nuvens e a temperatura em 24 ou 25 graus. Estava realmente muito gostoso. Uma vez na lanchonete/lojinha reencontrei os Porto-velhenses e ficamos em uma excelente conversa. Nada como fazer novos amigos!!!


Devorei alguns quitutes preparados pelo hotel. Saímos juntos e andamos por cerca de 15km em comboio (coisa raríssima para mim!!!). 



Acima e abaixo: Los nuevos amigos!!!





















Daquele posto até o próximo lugar (o aconchegante vilarejo chamado Pampa del Infierno) que eu tinha certeza que estava funcionando, seriam 343km. Se o elameado posto em El Infierno estiver sem gasolina serão 427km até Roque Saenz Peña (a alternativa de emergência de hoje). Portanto eu teria que andar com um misto de calma para não ficar sem gasolina e velocidade para não ser pego pela tempestade que cairia proximo ao Rio Paraná no final da tarde. 



Acima e abaixo: São 600km de retas como estas, pouquíssimos carrom, poucos ônibus, muitos animais soltos. Não é nada inteligente andar rápido por aqui...




A meta era  dormir em Corrientes, do outro lado do rio Parana, mas eu encontrei um maravilhoso e novíssimo hotel em Resistência, a cidade vizinha, ates de cruzar a ponte sobre o rio Paraná.


Eu sou um de vários motociclistas que criticam  a região do chaco, mas tenho que admitir que a região se desenvolveu, a estrada foi retificada ( faltam somente uns 150km de asfalto ruim e esburacado). Não ha mais cruzamentos, agora só organizadíssimos retornos com rotatórias. O caminho é monótono, mas para mim foi bonito e agradavel, nem andei tão rápido. 

Realmente acredito que meu padrão do que seja feio, bonito, ou bagunçado e pobre mudou muito... e então estou vendo o chaco com um lugar menos agressivo.

É praticamente reto e vazio por 530km. Naquela tarde o céu estava lindo e temperatura não passavam dos 26C. O Bosque Chaqueño estava beeem verde e agora entremeado por belas plantações de soja e sorgo.   Ainda muito cuidado com vários animais soltos(cabras, cavalos e até um enorme porco!) e cuidado com muitas crianças dirigindo motos sem capacete.



















Usei a velha tática: quando faltavam 600km imaginava que era só chegar em Tiradentes MG, 450km para Curitiba, 330km para Ribeirão Preto e assim por diante.  Há uma grande alegria que é ver o GPS marcar que só faltam 100km!  Molezaaaaa.

La pelas tantas, na total falta do que fazer me deu um pânico: e se a Rocinante engripasse por aqui??? Eu estaria acabado. Comecei a sentir os pneus e a ouvir o ronco do motor com muito cuidado. Em quase 6.000km ela não deu trabalho, será que algo importante estava na iminência de entrar em colapso? Para curar e neurose  eu coloquie uma musica para tocar ( coisa que raramente faço) e tratei de aproveita e linda tarde e o começo da noite.

Passou por mim uma sucessão de vilas, ex estações da antiga ferrovia: El Quebranchal; Los Pirpintos; Rio Muerto; Los Frentones; Pampa del Infierno... 


Parei para abastecer um Pampa de Infierno, o posto horroroso cujo piso ela lama, agora é um impecável posto Shell. Com direito à lanchonete.


Acima e abaixo: Pampa del infierno! o lugar melhorou muito e o diabo não passa mais férias por lá!



Voltei para a estrada eram 18:15, temperatura 21C. Linda a tarde!!! A estrada muda de rumo em Avia Terai, de lá mais 30 km até a manjada Pres. Saenz Peña. Chegando perto de Saenz Peña a coisa fica bem movimentada com caminhões, onibus e carros lerdos.



















Chegei ao fantastico hotel eram 21:00, faziam abafados 30 graus. Avisei as meninas de que eu tinha uma reserva, mas a vontade de vê-las (eram as maiores gracinhas) era tamanha que cheguei 5 dias antes...  Eu só pensava em ir Direto para o ar condicionado. Perguntei por restaurantes na cidade, mas resolvi ficar no quarto, jantei o que sobrou do farnel da manha e corrigi o post de 3 de março.

Avisei minha mãe e a Adriana, perguntei o que cada um quer do dutty free (típica pergunta de paulista...)





































A man who has not passed through the inferno of his passions has never overcome them.
- Carl Jung


                           Etapa de hoje:  844km
Tempo andando: 08:50
Tempo total: 10:53
Distância acumulada: 5.879 km

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